Oi Daniel.

Gostei do seu argumento, e emendo uma pergunta.

Quando um convívio de ideias deixa de ser pluralista e passa a ser
manipulado por detentores de uma ideia até então marginalizada em busca de
reconhecimento? Mais ao caso: Quando o convívio de ideias passa a ser
imposição de uma única visão?

[]s


Em sex., 10 de dez. de 2021 às 11:42, Daniel Durante <durant...@gmail.com>
escreveu:

> Colegas,
>
> Realmente, Eduardo, lendo a descrição do curso que você enviou, e o texto
> do link que consegui abrir, devo reconhecer que este curso não parece fazer
> o que o título da disciplina (medicina, saúde e espiritualidade) e sua
> ementa sugerem.  Não parece haver qualquer pluralismo ali. Perdi a vontade
> de cursar 🙂 e entendo a reação que tem causado. Mas resta a pergunta: a
> disciplina optativa e a ação de extensão a ela vinculada são ou não
> aceitáveis em uma universidade pública?
>
> Essa pergunta me leva ao texto do Cassiano. De fato, Cassiano, a
> constelação familiar é bem esquisita e eu não tenho qualquer simpatia por
> esta prática. Sou muito mais simpático aos passes e as benzedeiras de
> bairro. Mas eu não sei se o machismo do alemão do século XX que a inventou
> é muito diferente do machismo do austríaco do século XIX que inventou a
> psicanálise. Aliás, existe alguma psicoterapia cognitiva que não seria
> classificada de pseudociência? Então vamos substituí-las todas por drogas?
> Vamos "medicalizar" a psiquiatria e acabar com terapias cognitivas? Afinal,
> as drogas podem ser testadas em arranjo experimental duplo-cego e não são
> pseudociência.
>
> Não vejo essa tendência (que é vigente) como avanço, mas como retrocesso.
> Nem todos os nossos problemas cabem nos parâmetros da metodologia
> científica materialista. Aliás, muito poucos cabem. O próprio caso das
> vacinas da Covid é um bom exemplo. Desenvolver e produzir vacinas
> absurdamente eficientes foi essencial, mas não resolve o problema. É
> preciso aplicar as vacinas. É preciso vencer o negacionismo de parte da
> população de países ricos, é preciso vencer a desigualdade global e fazer a
> vacina chegar em países pobres. Sem um certo "ecletismo científico", e aqui
> eu respondo (um pouco) ao João Marcos, que eu chamaria de "abordagem
> interdisciplinar", a gente não resolve nada.
>
> Um dia desses, eu perguntei para alguns colegas cientistas do Centro de
> Biociências aqui da UFRN se o bicho dentro de um ovo de pato, antes de
> nascer, é um pato ou não é um pato. Eles desconversaram, deram nomes
> técnicos para este "bicho", mas evitavam responder se a coisa com nomes
> técnicos era ou não um pato. Pressionados, alguns responderam sim e outros
> responderam não. Meu ponto aqui é que não há metodologia científica
> naturalista que leve a uma resposta incontroversa sobre se e quando o bicho
> dentro de um ovo de pato, antes de nascer, é um pato ou não é um pato. E
> isso não é um problema ou falha da ciência atual. É um limite. Se isso
> acontece com esta minha pergunta, que é infantilmente simples, imagina
> então quando a gente pensa sobre todas as questões muito mais complexas
> ligadas à saúde. Seria muita ingenuidade achar que todas elas têm respostas
> alcançáveis via metodologia científica naturalista. Não têm.
>
> O problema é que sempre vão haver respostas divergentes e desacordos para
> estas questões cruciais que escapam à objetividade empiricamente mensurável
> da ciência. Vendo melhor a tal disciplina da UFRN, percebo que discordo da
> abordagem e da proposta. Mas tenho dificuldade de me posicionar contrário à
> aceitabilidade de tal disciplina e da ação de extensão. Na verdade, não sei.
>
> Saudações,
> Daniel.
>
> Em quarta-feira, 8 de dezembro de 2021 às 00:14:15 UTC-3, eduardoochs
> escreveu:
>
>> Meio off-topic, mas lá vai.
>> Pessoas da UFRN, como está sendo a repercussão disso na universidade
>> de vocês?
>>
>>
>> https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/construcao-do-reino-de-deus-novo-curso-da-ufrn-choca-estudantes-de-medicina-25309373
>> https://archive.md/TeS69
>>
>> [[]],
>> E.
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Marcelo Finger
 Departament of Computer Science, IME-USP
 http://www.ime.usp.br/~mfinger
 ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1391-1175
 ResearcherID: A-4670-2009

Instituto de Matemática e Estatística,

Universidade de São Paulo

Rua do Matão, 1010 - CEP 05508-090 - São Paulo, SP

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