Colegas, Realmente, Eduardo, lendo a descrição do curso que você enviou, e o texto do link que consegui abrir, devo reconhecer que este curso não parece fazer o que o título da disciplina (medicina, saúde e espiritualidade) e sua ementa sugerem. Não parece haver qualquer pluralismo ali. Perdi a vontade de cursar 🙂 e entendo a reação que tem causado. Mas resta a pergunta: a disciplina optativa e a ação de extensão a ela vinculada são ou não aceitáveis em uma universidade pública?
Essa pergunta me leva ao texto do Cassiano. De fato, Cassiano, a constelação familiar é bem esquisita e eu não tenho qualquer simpatia por esta prática. Sou muito mais simpático aos passes e as benzedeiras de bairro. Mas eu não sei se o machismo do alemão do século XX que a inventou é muito diferente do machismo do austríaco do século XIX que inventou a psicanálise. Aliás, existe alguma psicoterapia cognitiva que não seria classificada de pseudociência? Então vamos substituí-las todas por drogas? Vamos "medicalizar" a psiquiatria e acabar com terapias cognitivas? Afinal, as drogas podem ser testadas em arranjo experimental duplo-cego e não são pseudociência. Não vejo essa tendência (que é vigente) como avanço, mas como retrocesso. Nem todos os nossos problemas cabem nos parâmetros da metodologia científica materialista. Aliás, muito poucos cabem. O próprio caso das vacinas da Covid é um bom exemplo. Desenvolver e produzir vacinas absurdamente eficientes foi essencial, mas não resolve o problema. É preciso aplicar as vacinas. É preciso vencer o negacionismo de parte da população de países ricos, é preciso vencer a desigualdade global e fazer a vacina chegar em países pobres. Sem um certo "ecletismo científico", e aqui eu respondo (um pouco) ao João Marcos, que eu chamaria de "abordagem interdisciplinar", a gente não resolve nada. Um dia desses, eu perguntei para alguns colegas cientistas do Centro de Biociências aqui da UFRN se o bicho dentro de um ovo de pato, antes de nascer, é um pato ou não é um pato. Eles desconversaram, deram nomes técnicos para este "bicho", mas evitavam responder se a coisa com nomes técnicos era ou não um pato. Pressionados, alguns responderam sim e outros responderam não. Meu ponto aqui é que não há metodologia científica naturalista que leve a uma resposta incontroversa sobre se e quando o bicho dentro de um ovo de pato, antes de nascer, é um pato ou não é um pato. E isso não é um problema ou falha da ciência atual. É um limite. Se isso acontece com esta minha pergunta, que é infantilmente simples, imagina então quando a gente pensa sobre todas as questões muito mais complexas ligadas à saúde. Seria muita ingenuidade achar que todas elas têm respostas alcançáveis via metodologia científica naturalista. Não têm. O problema é que sempre vão haver respostas divergentes e desacordos para estas questões cruciais que escapam à objetividade empiricamente mensurável da ciência. Vendo melhor a tal disciplina da UFRN, percebo que discordo da abordagem e da proposta. Mas tenho dificuldade de me posicionar contrário à aceitabilidade de tal disciplina e da ação de extensão. Na verdade, não sei. Saudações, Daniel. Em quarta-feira, 8 de dezembro de 2021 às 00:14:15 UTC-3, eduardoochs escreveu: > Meio off-topic, mas lá vai. > Pessoas da UFRN, como está sendo a repercussão disso na universidade > de vocês? > > > https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/construcao-do-reino-de-deus-novo-curso-da-ufrn-choca-estudantes-de-medicina-25309373 > https://archive.md/TeS69 > > [[]], > E. > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/9afab89c-80ad-4ea3-87ec-e03bddebb313n%40dimap.ufrn.br.