Foi uma piada. Prometo me redimir e escrever algo sério e consistente no fim de semana. Desculpem.
Abraço, Prolo On Fri, Aug 27, 2021 at 8:26 AM Marcelo Finger <mfin...@ime.usp.br> wrote: > Oi Prolo. > > O problema destas propostas é a sua falta de espontaneidade. Como você > pronunciaria isso? > > Que eu saiba, a esmagadora maioria das mudanças linguísticas ocorrem via > fala. Medidas de neologismo feitas pelo grupo da profa Ieda Maria Alves > (FFLCH-USP) mostram que 94% dos neologismos escritos são hápax, ou seja, > ocorrem uma única vez, e desaparecem, independentemente da fonte > propositora. Mudanças só permanecem se abraçadas por uma comunidade, podem > ficar restritas a grupos específicos por gerações até que ou desapareçam ou > sejam abraçadas por uma comunidade maior. > > []s > > > Em qui., 26 de ago. de 2021 às 20:05, Carlos Augusto Prolo < > pr...@dimap.ufrn.br> escreveu: > >> Correção: >> onde ido, or \in {m,f,mf,i} identificariam os gêneros do possuidor e da >> coisa possuída. >> >> On Thu, Aug 26, 2021 at 8:05 PM Carlos Augusto Prolo <pr...@dimap.ufrn.br> >> wrote: >> >>> Tive uma idéia genial para o João; >>> considerando-se que o pronome possessivo pode concordar com o possuidor >>> ou com a coisa possuída, dependendo da língua, cf.: >>> (1) Paulo visitou sua [feminino] mãe >>> (1) Paulo visited his [masculino] mother >>> e considerando o problema da falta de género neutro e ainda a >>> possibilidade de se desejar deixar o gênero indeterminado no discurso, >>> proponho uma linguagem com sub e sup ao invés de flexões morfológicas >>> para gênero. Então, para o radical "menin" as palavras seriam do tipo >>> (usando sintaxe do Latex): >>> menin_{ido}^{or} >>> >>> onde {ido}, {or} \in {m,f,mf,i} identificariam os gêneros do possuidor e >>> da coisa possuída. >>> >>> Abraço, >>> >>> Prolo >>> >>> >>> >>> >>> >>> On Thu, Aug 26, 2021 at 7:49 PM Carlos Augusto Prolo < >>> pr...@dimap.ufrn.br> wrote: >>> >>>> Alguém sabe dizer como anda a aceitação (nos países que falam a língua >>>> inglesa) dos pronome "they" e "their" como neutro no singular em lugar de >>>> he/she e his/her? >>>> >>>> Abraço, >>>> >>>> Prolo >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> On Thu, Aug 26, 2021 at 4:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: >>>> >>>>> Viva, Cifuentes: >>>>> >>>>> A conversa nesta thread morreu rápido, e eu não cheguei a lhe >>>>> responder. Talvez o assunto "reforma da língua" (entre aspas) tenha >>>>> ajudado a gerar más interpretações... >>>>> >>>>> Não me parece que a discussão aqui tenha estado ligada ao >>>>> "policiamento gramatical", como alguém me escreveu em privado, nem me >>>>> parece que, na seara puramente gramatical, haja qualquer necessidade >>>>> de irmos além do mero _reconhecimento_ das falas ou dos dialetos >>>>> usados por certas comunidades. A minha pergunta inicial, nesta >>>>> thread, dizia respeito ao questionamento da falta de _concordância de >>>>> gênero_ entre o pronome possessivo "seus" e o neo-substantivo >>>>> "alunes", na mensagem de um@ colega. Já descobri, de lá pra cá, que o >>>>> neo-pronome "sues" poderia (deveria?) ter sido usado, ao invés. No >>>>> entanto, a própria discussão, aparentemente, tornou a situação ainda >>>>> mais enrolada, pois mostrou que certas comunidades entendem que o >>>>> "alunes" deve ser usado para se referir a uma terceira caixinha, além >>>>> das duas caixinhas chamadas "masculino" e "feminino", em português, >>>>> enquanto que outras comunidades entendem que o "alunes" deve ser usado >>>>> para se referir a todas as caixinhas de uma só vez. Obviamente, as >>>>> duas opções são modeladas por diagramas de Venn bastante diferentes. >>>>> >>>>> Quanto às injustiças sociais, estas havemos de atacar por várias >>>>> frentes, tod@s junt@s! >>>>> >>>>> Abraços, >>>>> Joao Marcos >>>>> >>>>> >>>>> On Sun, Aug 22, 2021 at 2:13 PM josé carlos cifuentes < >>>>> jcc...@gmail.com> wrote: >>>>> > >>>>> > Vamos mudar a língua toda para corrigir as injustiças sociais, >>>>> quando a língua em princípio não tem culpa disso. Assim, vamos chegar a >>>>> discutir, por exemplo, se ao invés de dizer "as coisas" vamos também dizer >>>>> "os coisos", ou melhor, "es coises". >>>>> > Platão já nos ensinou a não confundir o belo com as coisas belas. Os >>>>> termos genéricos são justamente independentes de qualquer género, isto é, >>>>> envolvem todos os géneros (ou as géneras, ou es géneres).. >>>>> > Devemos chamar Aristóteles de machista porque ele disse "os homens >>>>> são animais bípedes ..." e não dizer que (também "as mulheres são animais >>>>> bípedes ..."? >>>>> > Ou ainda, quem tem razão: os portugueses que dizem "a arte", ou os >>>>> espanhois que dizem "el arte"? Em português, "o nosso nariz" é masculino, >>>>> e >>>>> em espanhol, "nuestra nariz" é feminino. >>>>> > Cifuentes >>>>> > >>>>> > >>>>> > >>>>> > Em dom., 22 de ago. de 2021 às 13:33, Eduardo Ochs < >>>>> eduardoo...@gmail.com> escreveu: >>>>> >> >>>>> >> Oi João! >>>>> >> >>>>> >> Vou responder em dois e-mails. Deixa eu começar mandando o link de >>>>> um >>>>> >> texto sobre isso que virou o favorito da minha coleção... >>>>> >> >>>>> >> >>>>> https://silviacavalcante.blogspot.com/2020/10/diario-de-quarentena-sete-meses-depois.html >>>>> >> >>>>> >> e vou mandar também - abaixo - os trechos que eu considero mais >>>>> >> importantes, porque se eu não fizer isso a chance dos engenheiros >>>>> >> entenderem vai ser zero, né... =P >>>>> >> >>>>> >> Lá vai. [[]], E. >>>>> >> >>>>> >> --snip--snip-- >>>>> >> >>>>> >> A marcação de gênero nas palavras é arbitrária e variável nas >>>>> línguas >>>>> >> e não tem nada a ver com o significado da palavra no mundo >>>>> biossocial >>>>> >> (para usar os termos de Câmara Jr.). O que acontece em PB? Acontece >>>>> >> que algumas palavras estão começando a ser marcadas gramaticalmente >>>>> >> com gênero neutro para marcar uma não oposição no mundo biossocial: >>>>> em >>>>> >> português temos morfemas específicos para marcar feminino, que se >>>>> opõe >>>>> >> ao masculino, no mundo biossocial, mas o não binário não tem uma >>>>> >> marcação gramatical específica. Ou não tinha. Não tinha. Porque >>>>> agora >>>>> >> tem: surgem os pronomes e as desinências de neutro para marcar >>>>> >> gramaticalmente uma oposição biossocial. E aí eu estou usando a >>>>> >> palavra oposição propositadamente: mesmo que a intenção dos >>>>> indivíduos >>>>> >> não-binários que sentiram a necessidade de serem referidos como >>>>> "elu" >>>>> >> e com a desinência -e, gramaticalmente agora elus se opõem ao >>>>> >> masculino e ao feminino. Então, para substantivos (e aí os adjetivos >>>>> >> por concordância) que tenham o traço [+humano] temos a oposição >>>>> >> masculino / feminino / neutro: aluno / aluna / alune; ele / ela/ >>>>> elu; >>>>> >> dele / dela / delu; cansado / cansada / cansade. (OBS: Reparem que >>>>> não >>>>> >> estou marcando o -o das palavras masculinas, porque não é morfema de >>>>> >> gênero, e, sim vogal temática.) >>>>> >> >>>>> >> (...) >>>>> >> >>>>> >> E se a gente fizer uma busca na internet, verá que várias línguas >>>>> >> estão usando formas gramaticais de marcar a linguagem neutra, ou a >>>>> >> linguagem inclusiva de gênero. Vocês podem procurar por "gender >>>>> >> inclusive language" e vão achar vários artigos falando em como é >>>>> esse >>>>> >> uso em diversas línguas. Eu, particularmente, fiquei feliz quando vi >>>>> >> que é uma tendência linguística de amplo espectro. Então, >>>>> >> morfologicamente, não há problema algum em linguagem neutra. Há >>>>> >> problema quando a gente não sabe fazer análise morfológica e >>>>> confunde >>>>> >> gênero gramatical com gênero no mundo biossocial. E os morfemas e >>>>> >> pronomes só são usados para palavras que designam serem [+humanos], >>>>> >> porque a questão da marcação é uma necessidade dos indivíduos >>>>> >> não-binários. E isso nos leva ao segundo ponto dessa (não tão breve >>>>> >> assim) explicação: >>>>> >> >>>>> >> Por que isso acontece? A Sociolinguística está aí para nos dizer que >>>>> >> esse fenômeno da marcação de gênero é um fenômeno variável >>>>> socialmente >>>>> >> motivado. Língua é identidade, e se um grupo de indivíduos (um >>>>> grande >>>>> >> grupo, diga-se de passagem) motivado por razões sociais marcar >>>>> >> linguisticamente sua identidade, essa marcação é tão válida quanto >>>>> >> quaisquer outras manifestações de identidade linguística. >>>>> >> >>>>> >> A gente sabe disso meio que informalmente com determinados dialetos >>>>> >> urbanos que surgem, como, por exemplo, o dialeto pajubá, que tem >>>>> >> origem em algumas palavras de origem das línguas africanas e é usado >>>>> >> por determinados grupos: de religiões afrodescendentes como umbanda >>>>> e >>>>> >> candomblé e também pela comunidade LGBT. A gente também reconhece >>>>> >> variação linguística dialetal quando identificamos traços >>>>> >> característicos dos subfalares do Norte e dos subfalares do Sul do >>>>> >> Brasil, pra usar os termos de Antenor Nascentes. A gente sabe disso >>>>> >> quando determinados fenômenos linguísticos são característicos de >>>>> >> determinados grupos sociais, como por exemplo a regra variável de >>>>> >> concordância verbal (nós vai / nós vamos) que muda a medida que o >>>>> >> nível de escolaridade dos indivíduos muda. >>>>> >> >>>>> >> (...) >>>>> >> >>>>> >> Tenho visto também as pessoas que são a favor das formas com >>>>> >> pensamentos prescritivistas: "isso é o certo", "todo mundo tem que >>>>> >> falar assim", "essa linguagem é melhor do que todas as outras". Não, >>>>> >> não mesmo. É o certo no sentido de que qualquer variedade >>>>> linguística >>>>> >> de uma determinada língua é válida. Mas não é fazendo manual >>>>> >> prescritivista que as pessoas vão passar a usar a linguagem neutra. >>>>> >> Então, menos prescrição do ponto de vista de quem defende, e mais >>>>> >> descrição linguística. Aqui, eu fiz uma breve análise morfológica >>>>> >> baseada em Câmara Jr. Mas não sou morfóloga, sou sintaticista, e há >>>>> >> várias outras abordagens sobre gênero gramatical dentro de >>>>> diferentes >>>>> >> quadro teóricos que podem explicar com muito mais propriedade o que >>>>> eu >>>>> >> escrevi no início desse texto. Mas eu quis mostrar uma abordagem >>>>> >> dentro de um quadro teórico que dá conta do fenômeno que está aí, em >>>>> >> diversas línguas, não só o Português Brasileiro. Um fenômeno que >>>>> está >>>>> >> aí independentemente de corrente política. O que me leva ao último >>>>> >> ponto: não sejam reducionistas. >>>>> >> >>>>> >> Tenho visto postagens criticando o uso da linguagem neutra fazendo >>>>> uma >>>>> >> oposição: "a população está pagando 50 reais o quilo do arroz e a >>>>> >> esquerda quer ensinar pronome neutro". Então, não sejamos >>>>> >> reducionistas assim. Não é porque estamos passando por um momento de >>>>> >> crise econômica que a gente não pode discutir fenômenos linguísticos >>>>> >> relevantes para o estudo da sociedade. Se fosse assim, a gente vai >>>>> >> estudar o quê? A gente vai discutir o quê nas nossas escolas >>>>> públicas? >>>>> >> Não vamos discutir marxismo nas escolas públicas, porque as crianças >>>>> >> não têm comida. Não vamos ensinar logaritmo de base negativa, porque >>>>> >> nossas crianças passam fome. Não vamos discutir ciclo de Krebs, >>>>> porque >>>>> >> nossas crianças não têm comida para alimentar suas células. E é >>>>> isso o >>>>> >> que a gente quer? Não! A gente quer poder discutir dialetos >>>>> legítimos >>>>> >> socialmente e lutar para que nossa sociedade seja menos desigual. >>>>> >> Ambas as discussões são válidas e uma não se opõe a outra. >>>>> >> >>>>> >> On Sun, 22 Aug 2021 at 13:07, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> >>>>> wrote: >>>>> >>> >>>>> >>> > eu resolvi o problema da "não pronunciabilidade" das terminações >>>>> em >>>>> >>> > "x" e em "@" de um jeito super simples: eu mostro, ou conto, >>>>> esses >>>>> >>> > argumentos aqui, >>>>> >>> > >>>>> >>> > http://angg.twu.net/xs.html >>>>> >>> >>>>> >>> Boa, Eduardo, vou ler! Você pode adiantar qual a solução que você >>>>> >>> mesmo adota para o problema dos pronomes possessivos em português? >>>>> >>> >>>>> >>> Escrever é fácil, e até trocar o nome de batismo de uma pessoa, na >>>>> >>> prática, é fácil (trocar o gênero do pronome de tratamento, >>>>> contudo, >>>>> >>> pode ser um desafio maior, se tivermos que vencer um costume >>>>> anterior >>>>> >>> --- sim, eu convivo com um@ adolescente trans, e tenho sentido >>>>> isso na >>>>> >>> carne). Quanto à "pronunciabilidade", de todo modo, eu vou ficar >>>>> >>> satisfeito quando aqueles que propuserem "soluções" mostrarem que >>>>> >>> conseguem _implementá-las_ em seus próprios discursos. :-b >>>>> >>> >>>>> >>> (Estou assumindo que a "neutralização" dos nomes não é bem >>>>> conseguida >>>>> >>> se não vier acompanhada de uma _boa_ "neutralização" dos pronomes, >>>>> >>> todos os pronomes. Por este motivo, a minha pergunta sobre os >>>>> >>> pronomes possessivos foi legítima --- e respostas são bem-vindas!) >>>>> >>> >>>>> >>> []s, Joao Marcos >>>>> >> >>>>> >> -- >>>>> >> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>> dos Grupos do Google. >>>>> >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails >>>>> dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >>>>> >> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CADs%2B%2B6ihEHmg9_0BtdJYsRr0GMdNHQrvOwEgP2DhMC3bg1TJvw%40mail.gmail.com >>>>> . >>>>> >>>>> >>>>> >>>>> -- >>>>> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ >>>>> >>>>> -- >>>>> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo >>>>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google. >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >>>>> Para ver esta discussão na web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LiHLimH6FUXNg-wY%2By4szk08YtuyJ6KuU2tPFqaCCgD0Q%40mail.gmail.com >>>>> . >>>>> >>>> -- >> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >> Grupos do Google. >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >> Para ver essa discussão na Web, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAD7MeJsN8phpWgj8M2D%3DeGVq1Juzcgc_ZHjCUHYiNO00JKqAmg%40mail.gmail.com >> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAD7MeJsN8phpWgj8M2D%3DeGVq1Juzcgc_ZHjCUHYiNO00JKqAmg%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer> >> . >> > > > -- > Marcelo Finger > Departament of Computer Science, IME-USP > http://www.ime.usp.br/~mfinger > ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1391-1175 > ResearcherID: A-4670-2009 > > Instituto de Matemática e Estatística, > > Universidade de São Paulo > > Rua do Matão, 1010 - CEP 05508-090 - São Paulo, SP > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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