Tive uma idéia genial para o João; considerando-se que o pronome possessivo pode concordar com o possuidor ou com a coisa possuída, dependendo da língua, cf.: (1) Paulo visitou sua [feminino] mãe (1) Paulo visited his [masculino] mother e considerando o problema da falta de género neutro e ainda a possibilidade de se desejar deixar o gênero indeterminado no discurso, proponho uma linguagem com sub e sup ao invés de flexões morfológicas para gênero. Então, para o radical "menin" as palavras seriam do tipo (usando sintaxe do Latex): menin_{ido}^{or}
onde {ido}, {or} \in {m,f,mf,i} identificariam os gêneros do possuidor e da coisa possuída. Abraço, Prolo On Thu, Aug 26, 2021 at 7:49 PM Carlos Augusto Prolo <pr...@dimap.ufrn.br> wrote: > Alguém sabe dizer como anda a aceitação (nos países que falam a língua > inglesa) dos pronome "they" e "their" como neutro no singular em lugar de > he/she e his/her? > > Abraço, > > Prolo > > > > > On Thu, Aug 26, 2021 at 4:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: > >> Viva, Cifuentes: >> >> A conversa nesta thread morreu rápido, e eu não cheguei a lhe >> responder. Talvez o assunto "reforma da língua" (entre aspas) tenha >> ajudado a gerar más interpretações... >> >> Não me parece que a discussão aqui tenha estado ligada ao >> "policiamento gramatical", como alguém me escreveu em privado, nem me >> parece que, na seara puramente gramatical, haja qualquer necessidade >> de irmos além do mero _reconhecimento_ das falas ou dos dialetos >> usados por certas comunidades. A minha pergunta inicial, nesta >> thread, dizia respeito ao questionamento da falta de _concordância de >> gênero_ entre o pronome possessivo "seus" e o neo-substantivo >> "alunes", na mensagem de um@ colega. Já descobri, de lá pra cá, que o >> neo-pronome "sues" poderia (deveria?) ter sido usado, ao invés. No >> entanto, a própria discussão, aparentemente, tornou a situação ainda >> mais enrolada, pois mostrou que certas comunidades entendem que o >> "alunes" deve ser usado para se referir a uma terceira caixinha, além >> das duas caixinhas chamadas "masculino" e "feminino", em português, >> enquanto que outras comunidades entendem que o "alunes" deve ser usado >> para se referir a todas as caixinhas de uma só vez. Obviamente, as >> duas opções são modeladas por diagramas de Venn bastante diferentes. >> >> Quanto às injustiças sociais, estas havemos de atacar por várias >> frentes, tod@s junt@s! >> >> Abraços, >> Joao Marcos >> >> >> On Sun, Aug 22, 2021 at 2:13 PM josé carlos cifuentes <jcc...@gmail.com> >> wrote: >> > >> > Vamos mudar a língua toda para corrigir as injustiças sociais, quando a >> língua em princípio não tem culpa disso. Assim, vamos chegar a discutir, >> por exemplo, se ao invés de dizer "as coisas" vamos também dizer "os >> coisos", ou melhor, "es coises". >> > Platão já nos ensinou a não confundir o belo com as coisas belas. Os >> termos genéricos são justamente independentes de qualquer género, isto é, >> envolvem todos os géneros (ou as géneras, ou es géneres).. >> > Devemos chamar Aristóteles de machista porque ele disse "os homens são >> animais bípedes ..." e não dizer que (também "as mulheres são animais >> bípedes ..."? >> > Ou ainda, quem tem razão: os portugueses que dizem "a arte", ou os >> espanhois que dizem "el arte"? Em português, "o nosso nariz" é masculino, e >> em espanhol, "nuestra nariz" é feminino. >> > Cifuentes >> > >> > >> > >> > Em dom., 22 de ago. de 2021 às 13:33, Eduardo Ochs < >> eduardoo...@gmail.com> escreveu: >> >> >> >> Oi João! >> >> >> >> Vou responder em dois e-mails. Deixa eu começar mandando o link de um >> >> texto sobre isso que virou o favorito da minha coleção... >> >> >> >> >> https://silviacavalcante.blogspot.com/2020/10/diario-de-quarentena-sete-meses-depois.html >> >> >> >> e vou mandar também - abaixo - os trechos que eu considero mais >> >> importantes, porque se eu não fizer isso a chance dos engenheiros >> >> entenderem vai ser zero, né... =P >> >> >> >> Lá vai. [[]], E. >> >> >> >> --snip--snip-- >> >> >> >> A marcação de gênero nas palavras é arbitrária e variável nas línguas >> >> e não tem nada a ver com o significado da palavra no mundo biossocial >> >> (para usar os termos de Câmara Jr.). O que acontece em PB? Acontece >> >> que algumas palavras estão começando a ser marcadas gramaticalmente >> >> com gênero neutro para marcar uma não oposição no mundo biossocial: em >> >> português temos morfemas específicos para marcar feminino, que se opõe >> >> ao masculino, no mundo biossocial, mas o não binário não tem uma >> >> marcação gramatical específica. Ou não tinha. Não tinha. Porque agora >> >> tem: surgem os pronomes e as desinências de neutro para marcar >> >> gramaticalmente uma oposição biossocial. E aí eu estou usando a >> >> palavra oposição propositadamente: mesmo que a intenção dos indivíduos >> >> não-binários que sentiram a necessidade de serem referidos como "elu" >> >> e com a desinência -e, gramaticalmente agora elus se opõem ao >> >> masculino e ao feminino. Então, para substantivos (e aí os adjetivos >> >> por concordância) que tenham o traço [+humano] temos a oposição >> >> masculino / feminino / neutro: aluno / aluna / alune; ele / ela/ elu; >> >> dele / dela / delu; cansado / cansada / cansade. (OBS: Reparem que não >> >> estou marcando o -o das palavras masculinas, porque não é morfema de >> >> gênero, e, sim vogal temática.) >> >> >> >> (...) >> >> >> >> E se a gente fizer uma busca na internet, verá que várias línguas >> >> estão usando formas gramaticais de marcar a linguagem neutra, ou a >> >> linguagem inclusiva de gênero. Vocês podem procurar por "gender >> >> inclusive language" e vão achar vários artigos falando em como é esse >> >> uso em diversas línguas. Eu, particularmente, fiquei feliz quando vi >> >> que é uma tendência linguística de amplo espectro. Então, >> >> morfologicamente, não há problema algum em linguagem neutra. Há >> >> problema quando a gente não sabe fazer análise morfológica e confunde >> >> gênero gramatical com gênero no mundo biossocial. E os morfemas e >> >> pronomes só são usados para palavras que designam serem [+humanos], >> >> porque a questão da marcação é uma necessidade dos indivíduos >> >> não-binários. E isso nos leva ao segundo ponto dessa (não tão breve >> >> assim) explicação: >> >> >> >> Por que isso acontece? A Sociolinguística está aí para nos dizer que >> >> esse fenômeno da marcação de gênero é um fenômeno variável socialmente >> >> motivado. Língua é identidade, e se um grupo de indivíduos (um grande >> >> grupo, diga-se de passagem) motivado por razões sociais marcar >> >> linguisticamente sua identidade, essa marcação é tão válida quanto >> >> quaisquer outras manifestações de identidade linguística. >> >> >> >> A gente sabe disso meio que informalmente com determinados dialetos >> >> urbanos que surgem, como, por exemplo, o dialeto pajubá, que tem >> >> origem em algumas palavras de origem das línguas africanas e é usado >> >> por determinados grupos: de religiões afrodescendentes como umbanda e >> >> candomblé e também pela comunidade LGBT. A gente também reconhece >> >> variação linguística dialetal quando identificamos traços >> >> característicos dos subfalares do Norte e dos subfalares do Sul do >> >> Brasil, pra usar os termos de Antenor Nascentes. A gente sabe disso >> >> quando determinados fenômenos linguísticos são característicos de >> >> determinados grupos sociais, como por exemplo a regra variável de >> >> concordância verbal (nós vai / nós vamos) que muda a medida que o >> >> nível de escolaridade dos indivíduos muda. >> >> >> >> (...) >> >> >> >> Tenho visto também as pessoas que são a favor das formas com >> >> pensamentos prescritivistas: "isso é o certo", "todo mundo tem que >> >> falar assim", "essa linguagem é melhor do que todas as outras". Não, >> >> não mesmo. É o certo no sentido de que qualquer variedade linguística >> >> de uma determinada língua é válida. Mas não é fazendo manual >> >> prescritivista que as pessoas vão passar a usar a linguagem neutra. >> >> Então, menos prescrição do ponto de vista de quem defende, e mais >> >> descrição linguística. Aqui, eu fiz uma breve análise morfológica >> >> baseada em Câmara Jr. Mas não sou morfóloga, sou sintaticista, e há >> >> várias outras abordagens sobre gênero gramatical dentro de diferentes >> >> quadro teóricos que podem explicar com muito mais propriedade o que eu >> >> escrevi no início desse texto. Mas eu quis mostrar uma abordagem >> >> dentro de um quadro teórico que dá conta do fenômeno que está aí, em >> >> diversas línguas, não só o Português Brasileiro. Um fenômeno que está >> >> aí independentemente de corrente política. O que me leva ao último >> >> ponto: não sejam reducionistas. >> >> >> >> Tenho visto postagens criticando o uso da linguagem neutra fazendo uma >> >> oposição: "a população está pagando 50 reais o quilo do arroz e a >> >> esquerda quer ensinar pronome neutro". Então, não sejamos >> >> reducionistas assim. Não é porque estamos passando por um momento de >> >> crise econômica que a gente não pode discutir fenômenos linguísticos >> >> relevantes para o estudo da sociedade. Se fosse assim, a gente vai >> >> estudar o quê? A gente vai discutir o quê nas nossas escolas públicas? >> >> Não vamos discutir marxismo nas escolas públicas, porque as crianças >> >> não têm comida. Não vamos ensinar logaritmo de base negativa, porque >> >> nossas crianças passam fome. Não vamos discutir ciclo de Krebs, porque >> >> nossas crianças não têm comida para alimentar suas células. E é isso o >> >> que a gente quer? Não! A gente quer poder discutir dialetos legítimos >> >> socialmente e lutar para que nossa sociedade seja menos desigual. >> >> Ambas as discussões são válidas e uma não se opõe a outra. >> >> >> >> On Sun, 22 Aug 2021 at 13:07, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: >> >>> >> >>> > eu resolvi o problema da "não pronunciabilidade" das terminações em >> >>> > "x" e em "@" de um jeito super simples: eu mostro, ou conto, esses >> >>> > argumentos aqui, >> >>> > >> >>> > http://angg.twu.net/xs.html >> >>> >> >>> Boa, Eduardo, vou ler! Você pode adiantar qual a solução que você >> >>> mesmo adota para o problema dos pronomes possessivos em português? >> >>> >> >>> Escrever é fácil, e até trocar o nome de batismo de uma pessoa, na >> >>> prática, é fácil (trocar o gênero do pronome de tratamento, contudo, >> >>> pode ser um desafio maior, se tivermos que vencer um costume anterior >> >>> --- sim, eu convivo com um@ adolescente trans, e tenho sentido isso >> na >> >>> carne). Quanto à "pronunciabilidade", de todo modo, eu vou ficar >> >>> satisfeito quando aqueles que propuserem "soluções" mostrarem que >> >>> conseguem _implementá-las_ em seus próprios discursos. :-b >> >>> >> >>> (Estou assumindo que a "neutralização" dos nomes não é bem conseguida >> >>> se não vier acompanhada de uma _boa_ "neutralização" dos pronomes, >> >>> todos os pronomes. Por este motivo, a minha pergunta sobre os >> >>> pronomes possessivos foi legítima --- e respostas são bem-vindas!) >> >>> >> >>> []s, Joao Marcos >> >> >> >> -- >> >> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >> dos Grupos do Google. >> >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >> >> Para ver essa discussão na Web, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CADs%2B%2B6ihEHmg9_0BtdJYsRr0GMdNHQrvOwEgP2DhMC3bg1TJvw%40mail.gmail.com >> . >> >> >> >> -- >> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ >> >> -- >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" >> dos Grupos do Google. >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >> Para ver esta discussão na web, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LiHLimH6FUXNg-wY%2By4szk08YtuyJ6KuU2tPFqaCCgD0Q%40mail.gmail.com >> . >> > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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