OK. De qualquer forma, minha intenção era apenas lembrar que a notação matemática da época de Maxwell, seja por meio de componentes, seja quaterniônica, era muito mais complicada do que a de hoje em dia. Afinal, Maxwell criou uma teoria vetorial antes que a análise vetorial fosse criada!
[ ]s Alvaro Augusto de Almeida http://www.alvaroaugusto.com.br [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Alvaro Augusto (L) ; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA Sent: Wednesday, September 24, 2008 9:48 PM Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica Tenho o Tratado de Maxwell, e ele não usa notação quaterniônica lá não. Só se for muito impícito. De qquer modo vou ver e, se em contrário, m corrijo aqui. 2008/9/24 Alvaro Augusto (L) <[EMAIL PROTECTED]> Caro Doria, Não tenho o "Treatise" em mãos, mas veja o que diz Cibelle Celestino em http://ghtc.ifi.unicamp.br/AFHIC3/Trabalhos/15-Cibelle-Celestino-Silva.pdf (p. 6): "Os trabalhos iniciais de Maxwell, bem como de outros autores da época, utilizavam o formalismo de componentes. Fica claro pelo estudo da correspondência trocada entre 1870 e 1873, com Tait, que Maxwell só começou a aprender sobre quatérnions por volta de 1867, ano da primeira edição do "Elementary treatise on quaternions" de Tait....Em 1870, Maxwell publicou o "Manuscrito sobre as aplicações dos quatérnions no eletromagnetismo..." E, pouco abaixo, na mesma página: "O livro Treatise on electricity and magnetism de Maxwell, publicado em 1873, é o trabalho científico mais importante para a divulgação da teoria dos quatérnions, já que tem a visão completa de Maxwell sobre o assunto e também porque incentivou físicos importantes da épocaa discutirem sobre o formalismo." Um detalhe é que alguns aspectos dos quatérnions não eram do agrado de Maxwell, como o fato de um quatérnion ser composto por uma parte escalar e por uma vetorial. Assim, ele manteve as partes que lhe agradavam e escreveu o resto em componentes. Eu me lembro de ter lido em algum lugar que as edições do Treatise posteriores a 1900 tiveram suprimidas as partes sobre quatérnions, já que tal formalismo foi abandonado após a invenção da análise vetorial por Gibbs, Heaviside e outros, nos anos 1890. Será que a sua edição não é uma dessas? Abraços, Alvaro Augusto de Almeida http://www.alvaroaugusto.com.br [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Alvaro Augusto (L) Cc: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA Sent: Tuesday, September 23, 2008 3:52 PM Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica Alvaro, tenho o livro de Maxwell; ele formulou a teoria como equações escalares para as diferentes componentes. Foi Josiah Willard Gibbs quem botou em forma vetorial, com divergência, rotacional. 2008/9/23 Alvaro Augusto (L) <[EMAIL PROTECTED]> Eu conhecia esse parágrafo do Sagan há muito tempo, mas, quando transposto para a sala de aula, descobri que os alunos ficam com aquela cara de "pô, mas foi só isso que Maxwell fez?" Assim, é bom lembrar que para formular sua teoria Maxwell usou quatêrnions e não vetores. Na forma vetorial atual, que se deve a Heaviside e aparece em todos os textos de graduação, as equações de Maxwell são apenas quatro e a corrente de deslocamento é um termo simples e facilmente identificável. Na versão de Maxwell, contudo, as equações eram vinte, sem falar nas dificuldades em compatibilizar a nascente teoria eletromagnética com a tradição mecânica então vigente. Nada muito trivial. [ ]s Alvaro Augusto de Almeida http://www.alvaroaugusto.com.br [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message ----- From: "Márcio Palmares" <[EMAIL PROTECTED]> To: "Desidério Murcho" <[EMAIL PROTECTED]>; "Décio Krause" <[EMAIL PROTECTED]> Cc: "Logica-L" <[email protected]> Sent: Tuesday, September 23, 2008 11:08 AM Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica E que tal essa: "(...) o físico escocês James Clerk Maxwell estabeleceu quatro equações matemáticas, com base no trabalho de Faraday e seus predecessores no campo experimental, relativas a cargas e correntes elétricas com campos elétricos e magnéticos. As equações mostravam uma curiosa ausência de simetria e isso deixou Maxwell preocupado. Havia algo de inestético nas equações, na forma em que eram então conhecidas, e para melhorar a simetria Maxwell propôs que uma delas tivesse um termo adicional, que ele chamou 'corrente de deslocamento'. Seu argumento era fundamentalmente intuitivo, pois não havia evidência experimental para tal corrente. Sua proposta teve conseqüências espantosas. As equações corrigidas de Maxwell implicavam a existência de radiação eletromagnética, abrangendo desde os raios gama, os raios X, a luz ultravioleta, a luz visível, os raios infravermelho e a ondas de rádio." Carl Sagan - O Romance da Ciência (Broca's Brain) - Ed. Francisco Alves, 2ª edição - p. 46 Einstein não teve a mesma sorte com sua 'constante cosmológica', não é mesmo? []'s M. --- Em ter, 23/9/08, Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > De: Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]> > Assunto: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica > Para: "Desidério Murcho" <[EMAIL PROTECTED]> > Cc: "Logica-L" <[email protected]> > Data: Terça-feira, 23 de Setembro de 2008, 9:51 > Desidério e todos > Lembre que Max Planck, por exemplo, chegou à hipótese dos > quanta num > chute--com as devidas reservas, que ele mesmo disse ser > "um ato de > desespero". Nenhum "pensamento lógico" no > sentido em que usualmente se dá ao > termo foi empregado. Popper falava que o cientista deve > lançar "conjecturas > ousadas", como certamente todos sabem, muitas vezes > sem que se possa dizer > que houve "lógica" (ele mesmo não aceitava o > que poderíamos chamar de uma > lógica indutiva). Só quero dizer que é preciso cuidado > com isso, porque não > creio ser possível descrever de modo cabal como se chega > "às realidades", > para empregar o termo de vocês. Aliás, chega-se a alguma > "realidade"? Têm > certeza? (olha a mecânica quântica aparecendo na curva). > De que tipo de > "realidade" estão falando? Etc. etc. > Os filósofos (os verdadeiros) falaram muito sobre isso, > como também devem > saber. > No entanto, a discussão, apesar de tudo, está > interessante porque deve estar > ajudando muita gente. > Abraços, > Décio > > PS: Desidério, lembra da Enciclopédia de Filosofia da > Ciência? Vamos > continuar? > > 2008/9/22 Desidério Murcho > <[EMAIL PROTECTED]> > > > Caros colegas > > > > Não quero parecer arrogante, mas já ouvi muitas > vezes o tipo de coisa que > > diz o Arthur: há "outras maneiras" de > aceder a realidades mais importantes > > do que o mero pensamento lógico. Penso que isto é > uma fantasia e que > > esconde > > muita má fé. (Não estou a dizer isso pessoalmente > do querido Arthur, que > > tem > > a coragem de apresentar aqui as suas ideias e > argumentos com muita > > simpatia.) Caso houvesse uma complexa demonstração > matemática ou física da > > existência de coisas com almas ou seja o que for, o > "pensamento lógico" já > > não seria rechaçado por ser redutor e insuficiente: > pelo contrário, os > > partidários destas coisas aceitariam os seus > resultados. O que significa > > isto? Que se temos muita vontade que a realidade seja > de certa maneira e > > depois vemos que não é usando os melhores métodos > à nossa disposição, > > podemos perfeitamente acusar os métodos de serem > insuficientes. Isso é sem > > dúvida logicamente possível. Mas não é nem sensato > nem honesto. O mais > > sensato e honesto a fazer é aceitar que afinal a > realidade nem sempre é > > como > > gostaríamos que fosse. E pronto, passa-se à frente > porque há muitíssimas > > coisas maravilhosas no mundo sem termos de fingir que > o mundo é como no > > fundo sabemos que não é. > > > > Um abraço, > > Desidério > > > > > -----Original Message----- > > > From: [EMAIL PROTECTED] > > [mailto:[EMAIL PROTECTED] > > > On Behalf Of Eduardo Ochs > > > Sent: segunda-feira, 22 de Setembro de 2008 18:02 > > > To: Lista acadêmica brasileira dos profissionais > e estudantes da área de > > > LOGICA > > > Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica > > > > > > Oi Lista, > > > > > > Artur escreveu: > > > > Sinto muita afinidade com estes ditos do > Bertrand Russell, mas, ao > > > > mesmo tempo, creio que o homem dispõe de > bem mais ferramentas de > > > > investigação que o pensamento e > raciocínio, que deveriam ser > > > > utilizados por todos. > > > > > > > > O raciocínio lógico é necessário, mas > não é suficiente. > > > > > > Sabemos que o pensamento e o racicínio não são > "suficientes", mas a > > > impressão que eu tenho é que o Artur age como > se eles fossem inúteis, > > > e até nocivos... > > > > > > Acho que se ele não tivesse tanto preconceito > contra a "filosofia > > > ocidental" ele conseguiria ver que ela tem > ferramentas para melhorar o > > > pensamento e o diálogo, e que ela frequentemente > discute as suas > > > próprias limitações... e aí ele conseguiria > defender o seu ponto de > > > vista muito melhor. > > > > > > Abraços arturológicos, > > > Eduardo Ochs > > > http://angg.twu.net/ > > > http://angg.twu.net/math-b.html > > > [EMAIL PROTECTED] _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
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