O próprio Capra não se define como filósofo, mas como físico e "teórico de 
sistemas" (http://www.fritjofcapra.net). 

[ ]s

Alvaro Augusto de Almeida
http://www.alvaroaugusto.com.br
[EMAIL PROTECTED]

  ----- Original Message ----- 
  From: Décio Krause 
  To: Arthur Buchsbaum 
  Cc: Logica-L 
  Sent: Monday, September 22, 2008 9:21 AM
  Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica


  Mas bah!, tchê! Até o Capra virou filósofo?


   
  2008/9/22 Arthur Buchsbaum <[EMAIL PROTECTED]>

    Desidério: Nada nos escritos da maior parte dos filósofos permite afirmar 
que o objectivo deles era encontrar conforto espiritual.

    Arthur: Isto depende do que entendes por "filósofo". Talvez queiras dizer 
que muitos daqueles que são considerados "filósofos" pelas academias ocidentais 
não fazem ou faziam conjeturas a respeito da felicidade. No entanto, todos os 
verdadeiros filósofos buscam compreender o sentido da Vida, mesmo que vários de 
tais filósofos não sejam ainda assim considerados pela maioria dos 
academicistas do ocidente. Vou citar alguns, do período mais recente: Fritjof 
Capra, Krishnamurti, Eckhart Tolle, Osho (foi professor por anos em uma 
universidade da Índia). Krishnamurti, por exemplo, deu palestras ao redor do 
mundo por cerca de cinqüenta anos, e despertou a atenção de vários 
representantes da elite intelectual do Ocidente (cito, entre seus admiradores, 
Aldous Huxley e David Bohm), mas continua sendo praticamente ignorado, até onde 
eu conheço, pelos academicistas ocidentais). É por isto que a "filosofia" 
acadêmica ocidental vem se tornando impopular entre a elite consciente, pois, 
em grande parte, tem perdido a "crista da onda" há muito tempo.

    Desidério:  A filosofia serve e tem servido para muitas coisas ao longo da 
história, e qualquer pessoa pode evidentemente fazer o que lhe apetecer dela.

    Arthur: Não é bem assim, o limite para o que define Filosofia é sempre a 
Verdade. Se alguém tenta distorcer a mesma para "fazer o que lhe apetecer 
dela", então tal atividade não é mais Filosofia. Pode ser manipulação 
intelectual de jogos mentais, mas não merece ser chamada de Filosofia. Nada 
contra a prática de exercícios intelectuais para o adestramento mental, mas 
cada prática deveria ter um nome adequado, e não um nome para falsamente 
seduzir e enganar o público. Um filósofo, etimologicamente, é um amigo da 
Verdade. Quem prefere brincar com jogos deveria ser chamado de "filójogo" ou 
algo assim.

    Desidério: Mas a mentira histórica em nada nos ajuda a ter uma visão mais 
clara das coisas. E a verdade é que muitos filósofos encaram como função 
principal da filosofia a procura de verdades (e não da Verdade religiosa), e 
não o conforto espiritual. Até porque muitos filósofos não acreditam sequer que 
tenhamos espírito ou alma (conceitos extremamente difíceis de articular 
coerentemente, quanto mais tornar plausíveis).

    Arthur: Não há mais que uma Verdade. Não existe uma Verdade da Filosofia 
distinta da Verdade das Religiões, de forma que ambas sejam distintas da 
Verdade da Ciência. A visão que o senhor expressa vem de uma crença na 
fragmentação de tudo. O senhor acredita que "conforto espiritual" se deveria 
buscar em alguma religião, enquanto que uma busca analítica ou inteletual de 
verdades pela "filosofia", etc. Falas de alguém fragmentado que satisfaz cada 
necessidade em um lugar específico, como se não houvesse de fato conexão entre 
tudo.

    Ricardo: Acho que TODOS temos a contribuir nessa jornada em busca da 
Verdade, que, no fundo, é uma busca da Verdade sobre nós mesmo (mesmo que 
existam os que não se dêem conta disso).

    Desidério: Não concordo, se me for permitido. A maior parte das verdades 
não são sobre nós mesmos, excepto quando temos uma concepção algo narcísica da 
verdade, sacrificando-a ao que nos é confortável.

    Arthur: O senhor não concorda em decorrência do que me parece ser uma visão 
fragmentada da Vida. Se a Verdade está em tudo e em todos, até mesmo na ponta 
de um palito de fósforo, se até uma partícula contém toda a Verdade, por que um 
ser humano não poderia encontrar a mesma em seu íntimo, também? O senhor está 
enganado ao supor que a busca do "conforto" ou da Paz íntima é cômoda e 
indolor, com freqüência ocorre exatamente o contrário, pois aquele que busca 
olhar a Verdade face a face talvez encontre um abismo incomensurável infinito, 
o que em geral dá medo e até pavor a quase todos que A fitam. Só quem ousa 
ultrapassar tal abismo para ver o que há adiante talvez encontre a resposta a 
tudo, e certamente a mesma não se traduz no conforto que muitos poderiam 
encontrar em uma aconchegante sala de estar, praticando os seus joguinhos 
intelectuais ou de outra natureza do dia-a-dia. Certamente é mais fácil para a 
maioria continuar jogando a vida toda, mas isto não deveria ser chamado de 
Filosofia, e não foi assim que Sócrates e Platão a praticaram. Se a maioria dos 
academicistas de hoje prefere continuar jogando, isto não implica que Filosofia 
seja isto, pois a Verdade não é algo, necessariamente, que está com a maioria, 
não é decidida pela opinião da maioria.


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