Verdade é aquilo que sempre é, além das aparências, além do espaço e tempo. A Verdade não existe como coisa, ela apenas é o que é. Não pode ser explicada, apenas sentida. Não pode ser escrita, apenas vivida.
Alguns filósofos diziam, entre eles Kant (segundo o meu conhecimento, não sou especialista nisto), que a Geometria expressava verdades, que a Aritmética também fazia o mesmo. Isto talvez seja plausível, mas controverso. Pois não há uma só geometria. Números naturais só fazem sentido para quem dispõe de um certo equipamento mental, certamente não fazem sentido para todos os seres. Talvez uma teoria lógica seja uma verdade, no sentido de que seqüentes corretos na mesma sempre o são, mas, como disse, isto só pode ser percebido por quem possui uma certa disposição mental, não por todos. Neste sentido 2 + 3 = 5 só é inteligível por alguns, não por todos, e mesmo, talvez, nem sempre seja acessível a uma dada pessoa, em todas as circunstâncias, daí a controvérsia a respeito da veracidade de tais proposições. O que sempre está conosco, o que sempre está presente, estando dormindo ou acordados, fazendo chuva ou Sol? Tudo o mais são derivações dEla, tudo o mais é relativo, tudo o mais são aparências. Sim, Filosofia, etimologicamente, é amigo da Sabedoria, desculpem o lapso de memória. Tampouco neste sentido as academias ocidentais seguem esta definição na sua prática do dia-a-dia. Concordo plenamente com a definição de Bertrand Russell de Filosofia, e certamente não é isto que se encontra nas academias ocidentais, e, quiçá, ao redor do mundo. O que encontramos é especulação intelectual, a qual, embora necessária, não é suficiente. a) Arthur Buchsbaum De: Silvio [mailto:[EMAIL PROTECTED] Enviada em: segunda-feira, 22 de setembro de 2008 11:27 Para: Décio Krause; Arthur Buchsbaum Cc: Logica-L Assunto: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica Arthur: No parágrafo 3 vs. escreve: "o limite para o que define Filosofia é sempre a Verdade E eu pergunto se vs. pode definir - pode ser em um anexo , o que vs. entende por VERDADE? Etimológicamente é "amigo da sabedoria", termo criado pela modéstia de Pitágoras quando o chamaram de sábio. Assim, filosofia não tem nada a ver com a verdade que pode ou não ser pontual. embora caracterize a passagem do "mito" para o "logos" "A função da filosofia é ajudar o homem a sentir o valor das coisas, amor, beleza, conhecimento, alegria de viver - para, com o trabalho coletivo, trazer luz a um mundo de trevas" ensina B.Russell o que demonstra claramente que os objetivos do homem é fundamentalmente "viver bem", o que o Prof. Desidério confirma em sua segunda intervenção. sds., silvio. ---- Original Message ----- From: Décio Krause <mailto:[EMAIL PROTECTED]> To: Arthur Buchsbaum <mailto:[EMAIL PROTECTED]> Cc: Logica-L <mailto:[email protected]> Sent: Monday, September 22, 2008 9:21 AM Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica Mas bah!, tchê! Até o Capra virou filósofo? 2008/9/22 Arthur Buchsbaum <[EMAIL PROTECTED]> Desidério: Nada nos escritos da maior parte dos filósofos permite afirmar que o objectivo deles era encontrar conforto espiritual. Arthur: Isto depende do que entendes por "filósofo". Talvez queiras dizer que muitos daqueles que são considerados "filósofos" pelas academias ocidentais não fazem ou faziam conjeturas a respeito da felicidade. No entanto, todos os verdadeiros filósofos buscam compreender o sentido da Vida, mesmo que vários de tais filósofos não sejam ainda assim considerados pela maioria dos academicistas do ocidente. Vou citar alguns, do período mais recente: Fritjof Capra, Krishnamurti, Eckhart Tolle, Osho (foi professor por anos em uma universidade da Índia). Krishnamurti, por exemplo, deu palestras ao redor do mundo por cerca de cinqüenta anos, e despertou a atenção de vários representantes da elite intelectual do Ocidente (cito, entre seus admiradores, Aldous Huxley e David Bohm), mas continua sendo praticamente ignorado, até onde eu conheço, pelos academicistas ocidentais). É por isto que a "filosofia" acadêmica ocidental vem se tornando impopular entre a elite consciente, pois, em grande parte, tem perdido a "crista da onda" há muito tempo. Desidério: A filosofia serve e tem servido para muitas coisas ao longo da história, e qualquer pessoa pode evidentemente fazer o que lhe apetecer dela. Arthur: Não é bem assim, o limite para o que define Filosofia é sempre a Verdade. Se alguém tenta distorcer a mesma para "fazer o que lhe apetecer dela", então tal atividade não é mais Filosofia. Pode ser manipulação intelectual de jogos mentais, mas não merece ser chamada de Filosofia. Nada contra a prática de exercícios intelectuais para o adestramento mental, mas cada prática deveria ter um nome adequado, e não um nome para falsamente seduzir e enganar o público. Um filósofo, etimologicamente, é um amigo da Verdade. Quem prefere brincar com jogos deveria ser chamado de "filójogo" ou algo assim. Desidério: Mas a mentira histórica em nada nos ajuda a ter uma visão mais clara das coisas. E a verdade é que muitos filósofos encaram como função principal da filosofia a procura de verdades (e não da Verdade religiosa), e não o conforto espiritual. Até porque muitos filósofos não acreditam sequer que tenhamos espírito ou alma (conceitos extremamente difíceis de articular coerentemente, quanto mais tornar plausíveis). Arthur: Não há mais que uma Verdade. Não existe uma Verdade da Filosofia distinta da Verdade das Religiões, de forma que ambas sejam distintas da Verdade da Ciência. A visão que o senhor expressa vem de uma crença na fragmentação de tudo. O senhor acredita que "conforto espiritual" se deveria buscar em alguma religião, enquanto que uma busca analítica ou inteletual de verdades pela "filosofia", etc. Falas de alguém fragmentado que satisfaz cada necessidade em um lugar específico, como se não houvesse de fato conexão entre tudo. Ricardo: Acho que TODOS temos a contribuir nessa jornada em busca da Verdade, que, no fundo, é uma busca da Verdade sobre nós mesmo (mesmo que existam os que não se dêem conta disso). Desidério: Não concordo, se me for permitido. A maior parte das verdades não são sobre nós mesmos, excepto quando temos uma concepção algo narcísica da verdade, sacrificando-a ao que nos é confortável. Arthur: O senhor não concorda em decorrência do que me parece ser uma visão fragmentada da Vida. Se a Verdade está em tudo e em todos, até mesmo na ponta de um palito de fósforo, se até uma partícula contém toda a Verdade, por que um ser humano não poderia encontrar a mesma em seu íntimo, também? O senhor está enganado ao supor que a busca do "conforto" ou da Paz íntima é cômoda e indolor, com freqüência ocorre exatamente o contrário, pois aquele que busca olhar a Verdade face a face talvez encontre um abismo incomensurável infinito, o que em geral dá medo e até pavor a quase todos que A fitam. Só quem ousa ultrapassar tal abismo para ver o que há adiante talvez encontre a resposta a tudo, e certamente a mesma não se traduz no conforto que muitos poderiam encontrar em uma aconchegante sala de estar, praticando os seus joguinhos intelectuais ou de outra natureza do dia-a-dia. Certamente é mais fácil para a maioria continuar jogando a vida toda, mas isto não deveria ser chamado de Filosofia, e não foi assim que Sócrates e Platão a praticaram. Se a maioria dos academicistas de hoje prefere continuar jogando, isto não implica que Filosofia seja isto, pois a Verdade não é algo, necessariamente, que está com a maioria, não é decidida pela opinião da maioria.
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