Ah, vi agora o post do Abilio. Para mim, nominalista até onde for possível, a negação é de natureza essencialmente linguística. Fora da linguagem, à negação só creio ter sentido associar o gesto de rejeição-ou o ato de destruição - seja lá do que for. Como alguns de vocês já insinuaram!
Em 18 de maio de 2018 21:08, Andrea Loparic <alopa...@gmail.com> escreveu: > Só uma pequena observação en passant, trivial, porém, > se for esquecida, pode levar a confusões. As definições > que costumam ser escritas por A -> *bot* nas lógicas > clássicas e intuicionista são de fato duas distintas, > uma vez que -> tem dois diferentes significados, ok? > Claro, todo mundo sabe disso, foi só um lembrete. > No mais, vou pensar quando der. > Bjs, > Andrea > > > Em 18 de maio de 2018 17:52, Abílio <abilio.rodrig...@gmail.com> escreveu: > >> Colegas, vou tentar uns 'pitacos filosoficos' aqui. >> >> 1. De fato, ~A nao tem sentido construtivo, ao passo q A -> \bot parece >> ter. >> >> 2. Me parece q construtivamente nem o ex falso nem A -> (B ->A) >> deveriam ser validos. Ha razoes para achar q uma 'logica de Brouwer' >> deveria ser paraconsistente e relevante. Mas nao pq isso parece ser a >> melhor interpretacao do q Brouwer diz, mas sim pq ~A -> (A -> B) e A >> -> (B ->A) nao parecem validos do pto de vista construtivo (van Atten >> fala sobre). >> >> 3. Sobre definir ~ com \bot. Dentre os conceitos de ~ e \bot, qual >> parece ser intuitivamente mais plausivel? Me parece q o \bot. A ~ traz >> todos aqueles velhos problemas filosoficos de nao ser etc. O \bot eh >> algo ruim, inconcebivel, catastrofico, inaceitavel (ok Daniel?) - o >> conceito, a ideia de algo ruim, inconcebivel, catastrofico, >> inaceitavel me parece ser bastante clara. >> >> Abracos >> >> Abilio >> >> >> 2018-05-18 20:59 GMT+01:00 Durante <dura...@ufrnet.br>: >> > Oi João e colegas, >> > >> > Concordo com o Rodrigo. Usando outras palavras eu diria: ~A não faz >> sentido >> > construtivo. Como apresentar a construção do que não se constrói? Não >> dá. A >> > alternativa é, então, mostrar as consequências de uma suposta >> construção. Ao >> > assumirmos como construído o que não se constrói, devemos ter como >> > consequência algo ruim, catastrófico, negativo (trocadilho inevitável). >> Daí >> > o A -> ⊥. >> > >> > Saudações, >> > Daniel. >> > >> > PS: só para registrar, como você sabe, o A -> ⊥ funciona também como >> > definição da negação clássica. E há vários motivos, mas que eu saiba >> todos >> > ad hoc, para usa-la. >> > >> > >> > Em quinta-feira, 17 de maio de 2018 20:30:57 UTC-3, Joao Marcos >> escreveu: >> >> >> >> PessoALL: >> >> >> >> Em axiomatizações da lógica clássica, a *bi-implicação* frequentemente >> é >> >> introduzida como uma mera abreviatura a partir, digamos, de fórmulas >> >> contendo conjunções e implicações, ou contendo conjunções, disjunções e >> >> negações, apropriadamente combinadas. Tal situação nem sempre é >> ideal, mas >> >> não é inteiramente fora de propósito: se a bi-implicação é tomada como >> um >> >> conectivo primitivo, de fato, suas axiomatizações terão de dar conta de >> >> propriedades pouco intuitivas da bi-implicação clássica, tais como a >> >> associatividade deste conectivo (poder-se-ia argumentar neste caso que >> se >> >> trata de um mero "efeito colateral" do princípio da casa do pombo, >> tendo em >> >> vista a bivalência da lógica subjacente). Além disso, vale notar que >> tais >> >> definições alternativas não resistem ao enfraquecimento da lógica >> original, >> >> pois em fragmentos dedutivos da lógica clássica duas fórmulas >> classicamente >> >> equivalentes podem deixar de ser equivalentes, e passa assim a fazer >> >> diferença qual abreviatura é escolhida para introduzir o conectivo em >> >> questão. >> >> >> >> Estendendo o exemplo propriamente para o domínio não-clássico, >> gostaria de >> >> colher reações dos especialistas aqui sobre o seguinte ponto. >> >> >> >> Na lógica intuicionista a negação $\neg A$ de uma sentença $A$ é >> >> frequentemente introduzida *por definição* como a sentença $A\to\bot$, >> onde >> >> $\to$ é a "implicação intuicionista" e $\bot$ o "absurdo >> intuicionista", >> >> tomados como conectivos primitivos. Como consequência, ao >> enfraquecermos a >> >> implicação ou o absurdo, pela consideração de um fragmento dedutivo da >> >> lógica intuicionista, pode ocorrer que a interpretação de $\neg$ como >> algo >> >> que mereça o título de "negação" seja prejudicada. >> >> >> >> Obviamente, para fragmentos da lógica intuicionista a abordagem >> >> supra-citada só faz sentido quando $\to$ e $\bot$ estão disponíveis. >> De >> >> todo modo, tendo em vista o fato de que os conectivos intuicionistas >> não são >> >> em geral interdefiníveis, não é inconcebível que a introdução de certos >> >> conectivos por meio de abreviaturas possa em certas situações ser >> >> conveniente, por alguma razão... embora isto possa também passar a >> impressão >> >> de que tais conectivos assim introduzidos "não existem de verdade". >> >> >> >> A pergunta que lanço aqui é: ao trabalhar com *lógicas construtivas* >> (que >> >> sejam fragmentos da lógica clássica ou, digamos, de alguma extensão >> modal da >> >> lógica clássica), haverá alguma justificativa meta-lógica _razoável_ >> (em >> >> oposição a justificativas meramente ad hoc, formuladas >> convenientemente para >> >> "explicar" a teoria a posteriori) para considerarmos a negação como >> sendo >> >> preferencialmente introduzida por abreviatura, sempre que isto é >> possível? >> >> Situações em que tal abordagem pareceria não ser atraente, por exemplo, >> >> seriam aquelas em que a implicação e o bottom são suficientemente >> fortes >> >> para que a definição seja útil, mas a negação que se pretende >> introduzir é >> >> na realidade tanto paracompleta quanto paraconsistente (exemplo: >> lógica N4 >> >> de Nelson). >> >> >> >> (A pergunta acima ---para a qual não há resposta certa ou errada--- é >> >> propositalmente vaga, de modo a tentar não tomar partido de nenhuma >> posição >> >> específica. Com alguma sorte, contudo, a pergunta estará >> suficientemente >> >> clara para que os colegas possam emitir suas *opiniões* a respeito do >> >> assunto!) >> >> >> >> Abraços, JM >> >> >> >> -- >> >> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ >> > >> > -- >> > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >> > Grupos do Google. >> > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie >> > um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >> > Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. >> > Acesse esse grupo em >> > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. >> > Para ver essa discussão na Web, acesse >> > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/ >> 6f8a7ae5-4185-438a-9a5f-ddeac5da0105%40dimap.ufrn.br. >> >> -- >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" >> dos Grupos do Google. >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. >> Visite este grupo em https://groups.google.com/a/di >> map.ufrn.br/group/logica-l/. >> Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/di >> map.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CALtFD22m%2BhZdK6GgUZ1Egfuvq3w >> 9Jrzx%3DNRbBPGk%2B16e8z2NWQ%40mail.gmail.com. >> > > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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