​Só uma pequena observação en passant​, trivial, porém,
se for esquecida, pode levar a confusões. As definições
que costumam ser escritas por A -> *bot*  nas lógicas
clássicas e intuicionista são de fato duas distintas,
uma vez que -> tem dois diferentes significados, ok?
Claro, todo mundo sabe disso, foi só um lembrete.
No mais, vou pensar quando der.
Bjs,
Andrea


Em 18 de maio de 2018 17:52, Abílio <abilio.rodrig...@gmail.com> escreveu:

> Colegas, vou tentar uns 'pitacos filosoficos' aqui.
>
> 1. De fato, ~A nao tem sentido construtivo, ao passo q A -> \bot parece
> ter.
>
> 2. Me parece q construtivamente nem o ex falso nem A -> (B ->A)
> deveriam ser validos. Ha razoes para achar q uma 'logica de Brouwer'
> deveria ser paraconsistente e relevante. Mas nao pq isso parece ser a
> melhor interpretacao do q Brouwer diz, mas sim pq  ~A -> (A -> B) e  A
> -> (B ->A) nao parecem validos do pto de vista construtivo (van Atten
> fala sobre).
>
> 3. Sobre definir ~ com \bot. Dentre os conceitos de ~ e \bot, qual
> parece ser intuitivamente mais plausivel? Me parece q o \bot. A ~ traz
> todos aqueles velhos problemas filosoficos de nao ser etc. O \bot eh
> algo ruim, inconcebivel, catastrofico, inaceitavel (ok Daniel?) - o
> conceito, a ideia de algo ruim, inconcebivel, catastrofico,
> inaceitavel me parece ser bastante clara.
>
> Abracos
>
> Abilio
>
>
> 2018-05-18 20:59 GMT+01:00 Durante <dura...@ufrnet.br>:
> > Oi João e colegas,
> >
> > Concordo com o Rodrigo. Usando outras palavras eu diria: ~A não faz
> sentido
> > construtivo. Como apresentar a construção do que não se constrói? Não
> dá. A
> > alternativa é, então, mostrar as consequências de uma suposta
> construção. Ao
> > assumirmos como construído o que não se constrói, devemos ter como
> > consequência algo ruim, catastrófico, negativo (trocadilho inevitável).
> Daí
> > o A -> ⊥.
> >
> > Saudações,
> > Daniel.
> >
> > PS: só para registrar, como você sabe, o A -> ⊥ funciona também como
> > definição da negação clássica. E há vários motivos, mas que eu saiba
> todos
> > ad hoc, para usa-la.
> >
> >
> > Em quinta-feira, 17 de maio de 2018 20:30:57 UTC-3, Joao Marcos escreveu:
> >>
> >> PessoALL:
> >>
> >> Em axiomatizações da lógica clássica, a *bi-implicação* frequentemente é
> >> introduzida como uma mera abreviatura a partir, digamos, de fórmulas
> >> contendo conjunções e implicações, ou contendo conjunções, disjunções e
> >> negações, apropriadamente combinadas.  Tal situação nem sempre é ideal,
> mas
> >> não é inteiramente fora de propósito: se a bi-implicação é tomada como
> um
> >> conectivo primitivo, de fato, suas axiomatizações terão de dar conta de
> >> propriedades pouco intuitivas da bi-implicação clássica, tais como a
> >> associatividade deste conectivo (poder-se-ia argumentar neste caso que
> se
> >> trata de um mero "efeito colateral" do princípio da casa do pombo,
> tendo em
> >> vista a bivalência da lógica subjacente).  Além disso, vale notar que
> tais
> >> definições alternativas não resistem ao enfraquecimento da lógica
> original,
> >> pois em fragmentos dedutivos da lógica clássica duas fórmulas
> classicamente
> >> equivalentes podem deixar de ser equivalentes, e passa assim a fazer
> >> diferença qual abreviatura é escolhida para introduzir o conectivo em
> >> questão.
> >>
> >> Estendendo o exemplo propriamente para o domínio não-clássico, gostaria
> de
> >> colher reações dos especialistas aqui sobre o seguinte ponto.
> >>
> >> Na lógica intuicionista a negação $\neg A$ de uma sentença $A$ é
> >> frequentemente introduzida *por definição* como a sentença $A\to\bot$,
> onde
> >> $\to$ é a "implicação intuicionista" e $\bot$ o "absurdo intuicionista",
> >> tomados como conectivos primitivos.  Como consequência, ao
> enfraquecermos a
> >> implicação ou o absurdo, pela consideração de um fragmento dedutivo da
> >> lógica intuicionista, pode ocorrer que a interpretação de $\neg$ como
> algo
> >> que mereça o título de "negação" seja prejudicada.
> >>
> >> Obviamente, para fragmentos da lógica intuicionista a abordagem
> >> supra-citada só faz sentido quando $\to$ e $\bot$ estão disponíveis.  De
> >> todo modo, tendo em vista o fato de que os conectivos intuicionistas
> não são
> >> em geral interdefiníveis, não é inconcebível que a introdução de certos
> >> conectivos por meio de abreviaturas possa em certas situações ser
> >> conveniente, por alguma razão... embora isto possa também passar a
> impressão
> >> de que tais conectivos assim introduzidos "não existem de verdade".
> >>
> >> A pergunta que lanço aqui é: ao trabalhar com *lógicas construtivas*
> (que
> >> sejam fragmentos da lógica clássica ou, digamos, de alguma extensão
> modal da
> >> lógica clássica), haverá alguma justificativa meta-lógica _razoável_ (em
> >> oposição a justificativas meramente ad hoc, formuladas convenientemente
> para
> >> "explicar" a teoria a posteriori) para considerarmos a negação como
> sendo
> >> preferencialmente introduzida por abreviatura, sempre que isto é
> possível?
> >> Situações em que tal abordagem pareceria não ser atraente, por exemplo,
> >> seriam aquelas em que a implicação e o bottom são suficientemente fortes
> >> para que a definição seja útil, mas a negação que se pretende
> introduzir é
> >> na realidade tanto paracompleta quanto paraconsistente (exemplo: lógica
> N4
> >> de Nelson).
> >>
> >> (A pergunta acima ---para a qual não há resposta certa ou errada--- é
> >> propositalmente vaga, de modo a tentar não tomar partido de nenhuma
> posição
> >> específica.  Com alguma sorte, contudo, a pergunta estará
> suficientemente
> >> clara para que os colegas possam emitir suas *opiniões* a respeito do
> >> assunto!)
> >>
> >> Abraços, JM
> >>
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