Marcio: Também fiquei surpreso com a descrição dada por Capra logo no início de seu trabalho de uma experiência extra-sensorial! Esses relatos fantásticos deixam qualquer adolescente extasiado. Não tenho vergonha de admitir que fui um Aprendiz de Feiticeiro. Segui a "Ordem Operacional" dos “Ensinamentos de Don Juan" ao pé da letra. Decorei todos aqueles passos. Acreditava piamente que me tornaria um "Homem de Conhecimento". Também pratiquei muito o exercício de silenciar "a voz do pensamento" (sem êxito). E não consegui me transformar em um corvo, provavelmente porque no Brasil é difícil encontrar as mesmas drogas usadas por Castañeda no México! :) Quando encontrei "el diablero" Don Juan entre os honrados Mestres de Fritjof Capra, acreditei estar diante de uma "conexão cósmica"! Resumo da Ópera: a credulidade faz muitas vítimas.
Arthur: Uma experiência transcendente não tem hora marcada para acontecer. Não existem receitas para isto. Pode-se tomar atitudes que facilitam o afloramento da mesma, mas não é como apertar um botão para acontecer. Existem certos meios para facilitar tais experiências, tais como a meditação e a ingestão de certas plantas sagradas, como por exemplo o Peiote entre alguns índios norte-americanos, a Ayahuasca entre os Incas, ou o Ahoma entre os Mitraístas e Zoroastristas. Lembro que um verdadeiro cientista não deveria dar abrigo a pré-conceitos de qualquer natureza. Sentiste algo contra Capra por dizeres que ele citou Castañeda, mas não conheço nada contra ele ou contra Don Juan, muito pelo contrário. Don Juan utilizava o Peiote, um tipo de cacto, a ser ingerido após um preparo, a fim de favorecer experiências místicas, o que é um meio, entre outros. Marcio: Vendedores de mistérios como Fritjof Capra ou místicos ligeiramente refinados como Krishnamurti podem deixar muitas pessoas contentes, satisfeitas por poderem acreditar em histórias sensacionais, principalmente quando tais histórias são aparentemente referendadas pela pseudo-ciência. Arthur: Krishnamurti viveu por décadas experiências de um grau muito elevado, e buscou transmitir a quem o ouviu quais as atitudes íntimas que favorecem a eclosão da Intuição. Marcio: Tese (sem demonstração): ressuscitar o misticismo oriental, opondo-o à tradição judaico-cristã do ocidente, com o pretexto de elaborar uma visão “holística” sobre fatos desconcertantes da mecânica quântica, é apenas uma forma banal e barata de apagar Hegel (a dialética) da História, como se necessitássemos de uma faculdade perceptiva a mais. Arthur: Não há oposição entre tradições religiosas válidas. Todas expressam a mesma Verdade de formas diferentes. Carl Sagan é um expoente do cientificismo, o qual é ideologia e não ciência, embora um intelectual destacado, mas a sua visão de Ciência é altamente parcial. Ele é repleto de pré-conceitos contra outras formas de ciência que não a oriunda da Europa. A história do cavalo de Sagan, embora seja plausível, fala de fraudes, as quais certamente existem, mas nem tudo que não podemos explicar é fraude. _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
