Caro Vitor, 

Onde estão tais evidências? Se elas são tão abundantes, por que até hoje 
ninguém ganhou o prêmio Randi?

[ ]s

Alvaro Augusto de Almeida
http://www.alvaroaugusto.com.br
[EMAIL PROTECTED]

  ----- Original Message ----- 
  From: Vitor Moura 
  To: Márcio Palmares 
  Cc: [email protected] 
  Sent: Monday, September 22, 2008 2:56 PM
  Subject: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica


        Caro Márcio

        não se esqueça que Carl Sagan também disse, em O Mundo Assombrado pelos 
Demônios:

        No momento em que escrevo, acho que três alegações no campo da 
percepção extra-sensorial (esp) merecem estudo sério: (1) que os seres humanos 
conseguem (mal) influir nos geradores de números aleatórios em computadores 
usando apenas o pensamento; (2) que as pessoas sob privação sensorial branda 
conseguem receber pensamentos ou imagens que foram nelas "projetados"; e (3) 
que as crianças pequenas às vezes relatam detalhes de uma vida anterior que se 
revelam precisos ao serem verificados, e que não poderiam ser conhecidos exceto 
pela reencarnação. Não apresento essas afirmações por achar provável que sejam 
válidas (não acho), mas como exemplos de afirmações que poderiam ser verdade. 
Elas têm, pelo menos, um fundamento experimental, embora ainda dúbio. Claro, eu 
posso estar errado.


        E desde que Sagan escreveu o livro, a evidência para os 3 campos por 
ele selecionados só fez crescer. 

        Um abraço.

        Vitor  

        --- Em seg, 22/9/08, Márcio Palmares <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

          De: Márcio Palmares <[EMAIL PROTECTED]>
          Assunto: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica
          Para: "'Logica-L'" <[email protected]>, "Arthur Buchsbaum" 
<[EMAIL PROTECTED]>
          Data: Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008, 12:21


Prezado Arthur,

Admiro sua coragem e sinceridade, e também a clareza com que expõe seus
pontos de vista. Essas qualidades facilitam o trabalho de seus críticos.

Permita-me discordar de você, uma vez mais, em particular em relação à sua
enumeração de dois supostos filósofos:

1. Fritjof Capra; e
2. Krishnamurti.

Confissão de um cético que já foi crédulo: quando eu tinha uns 13 anos,
mais ou menos, li aquele livro o "Tao da Física". Fiquei
impressionado ao descobrir, entre aqueles para os quais o livro era dedicado,
ninguém menos do que Don Juan, o inescrutável personagem de Carlos Castañeda!

Também fiquei surpreso com a descrição dada por Capra logo no início de seu
trabalho de uma experiência extra-sensorial!

Esses relatos fantásticos deixam qualquer adolescente extasiado. Não tenho
vergonha de admitir que fui um Aprendiz de Feiticeiro. Segui a "Ordem
Operacional" dos "Ensinamentos de Don Juan" ao pé da letra. Decorei
todos aqueles passos. Acreditava piamente que me tornaria um "Homem de
Conhecimento". Também pratiquei muito o exercício de silenciar "a
voz do pensamento" (sem êxito). E não consegui me transformar em um
corvo, provavelmente porque no Brasil é difícil encontrar as mesmas drogas
usadas por Castañeda no México! :)

Quando encontrei "el diablero" Don Juan entre os honrados Mestres de
Fritjof Capra, acreditei estar diante de uma "conexão cósmica"!

Resumo da Ópera: a credulidade faz muitas vítimas.

Vendedores de mistérios como Fritjof Capra ou místicos ligeiramente refinados
como Krishnamurti podem deixar muitas pessoas contentes, satisfeitas por poderem
acreditar em histórias sensacionais, principalmente quando tais histórias são
aparentemente referendadas pela pseudo-ciência.

Tese (sem demonstração): ressuscitar o misticismo oriental, opondo-o à
tradição judaico-cristã do ocidente, com o pretexto de elaborar uma visão
"holística" sobre fatos desconcertantes da mecânica quântica, é apenas
uma forma banal e barata de apagar Hegel (a dialética) da História, como se
necessitássemos de uma faculdade perceptiva a mais.

Termino com um belo artigo do cético militante Carl Sagan:

"Hans, o inteligente Cavalo Matemático

Nos primeiros anos deste século, havia na Alemanha um cavalo que podia ler,
fazer cálculos e exibir profundos conhecimentos de política mundial. Ou assim
parecia. O cavalo era chamado o Inteligente Hans. Seu proprietário era o Sr.
Wilhelm von Osten, um berlinense idoso cujo caráter era tal, segundo se dizia,
que a possibilidade de fraude estava fora de questão. Delegações de distintos
cientistas examinaram a maravilha eqüina e confirmaram que era genuína. Hans
podia responder as questões matemáticas que lhe eram apresentadas por meio de
batidas em código de suas pernas dianteiras, e às questões não-matemáticas,
balançando a cabeça para um lado e para outro ou para cima e para baixo, da
forma que é convencional no Ocidente. Por exemplo, alguém dizia: "Hans,
quanto é duas vezes a raiz quadrada de nove menos um?" Depois de uma pequena
pausa, Hans levantava devidamente a dianteira direita e batia cinco vezes no
chão. Seria Moscou a
 capital da Rússia? A cabeça balançava na horizontal. Seria por acaso São
Petersburgo? A cabeça oscilava na vertical.

A Academia Prussiana de Ciências enviou uma comissão, chefiada por Oskar
Pfungst, para fazer uma inspeção mais direta. Osten, que acreditava
fervorosamente nos poderes de Hans, recebeu a missão com prazer. Pfungst notou
algumas regularidades interessantes. Às vezes, quanto mais difícil a questão,
mais tempo Hans levava para responder; ou quando Osten não sabia a resposta,
Hans também não sabia; ou quando Osten estava fora da sala, ou quando o cavalo
estava de olhos vendados, não havia resposta certa. Porém, outras vezes Hans
dava respostas certas mesmo em outros lugares, cercado por gente estranha, e
ainda que Osten estivesse fora não só da sala, mas da cidade.

A solução acabou por tornar-se clara. Quando a questão matemática era
colocada, Osten tornava-se ligeiramente tenso, com receio de que Hans desse
pancadas de menos, mas logo que Hans atingia o número certo, Osten,
inconsciente e imperceptivelmente, assentia e relaxava - imperceptivelmente
para virtualmente todos, menos para Hans, que era recompensado pelos acertos com
um torrão de açúcar. Mesmo grupos de pessoas incrédulas observavam com
atenção os movimentos da pata de Hans tão logo a questão era colocada e
faziam gestos e expressões de aprovação quando o cavalo atingia o número
correto de batidas. Hans era completamente ignorante em matemática, mas muito
sensível a dicas inconscientes. Sinais similares eram imperceptiovelmente
transmitidos ao cavalo quando se colocavam questões verbais.

O Inteligente Hans foi apelidado com propriedade, pois era um cavalo que havia
condicionado um ser humano, descobrindo depois que outros seres humanos que ele
nunca havia encontrado também lhe proporcionavam as dicas necessárias. A
despeito, porém, das conclusões corretas de Pfungst, histórias similares
sobre cavalos, porcos e gansos que lêem, calculam e entendem de política
continuam a incomodar os crédulos de muitas nações."

Carl Sagan - O Romance da Ciência (Broca's Brain) - Ed. Francisco Alves,
pp. 64-65.



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