Doria
Sim, com relação à matemática de físicos, concordo plenamente. Podemos falar 
dela em separado, se isso aborrecer a lista. Basta lembrar das " derivações"  
de Einstein, que escrevía uma função em série de potências e depois tomava 
somente os dois primeiros termos e "esquecia"  o resto. Completa loucura....mas 
funcionava!
Abraço
D

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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 21/11/2011, às 07:09, Francisco Antonio Doria <[email protected]> escreveu:

> Entendi, desculpe. Vc chama aritmética padrão a PA. 
> 
> E gostei dos cardinais malucos. 
> 
> Só uma coisa: já viu a matemática dos físicos? É diferente... 
> 
> 2011/11/21 Décio Krause <[email protected]>
> Dória
> Claro. Mas não estou dizendo isso. O que digo é que, mesmo que formalizemos a 
> prova de Willies em uma teoria mais forte que ZF, digamos ZF mais çardinais 
> grandes, a aritmética envolvida nessa teoria será a padrão, ou seja, 
> correspondendo ao modelo standard, pois certamente a prova dele não escapa da 
> matemática que podemos chamar de padrão, apesar dos cardinais malucos. Deste 
> modo, ele usa, ou ao menos pressupõe, Peano. Se isto faz sentido, não há como 
> dizer que o matemático comum não se vale de axiomas. Podem não estar 
> explícitos,mas estão lá. Em todo caso, saliento o que Lakatos argumentou no 
> belo livro "provas e refutações", onde sugere o forte uso da matemática 
> informal na obtenção das provas. Mas, na hora de formalizá-las, vêm os 
> axiomas. O que eu disse, no tocante a disciplinas complexas e muito gerais, é 
> se vale a pena passar para o passo formal. Lembre o Kreisel e seu " rigor 
> informal". Talvez isso baste. Seria o fim fim da lógica e da formalização 
> como a entendemos? Eu defendo que não, que este processo tem seu valor, que 
> aprenderíamos muito se dispuséssemos de uma teoria formal das cordas (assim 
> quem sabe pudéssemos entendê-la), mas deixo a discussão para depois, se 
> houver interesse. 
> Boa noite.
> D
> 
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> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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> 
> 
> Em 21/11/2011, às 02:14, Francisco Antonio Doria <[email protected]> 
> escreveu:
> 
>> Com aritmética só é impossível formalizar Wiles. 
>> 
>> 2011/11/20 Decio Krause <[email protected]>
>> Sim, mas a aritmética é a "mesma".
>> ________________________________
>> Decio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>> deciokrause[at]gmail.com
>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>> ________________________________
>> "He [God] will never choose among indiscernibles"
>> (G.W.Leibniz)
>> [But] He (God) would never choose among discernibles too. (M. Franciotti)
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> Em 20/11/2011, às 14:53, Francisco Antonio Doria escreveu:
>> 
>>> Usa ZF + grandes cardinais. 
>>> 
>>> 2011/11/20 Décio Krause <[email protected]>
>>> Dóris
>>> Sei disso e acho uma das coisas sensacionais com a prova, que claro nem 
>>> consigo acompanhar. Mas o que ele usa de aritmética seja lá em que sistema 
>>> mais forte for, ou é a AP ou alguma extensão. Errado?
>>> D
>>> 
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>>> Décio Krause
>>> Departamento de Filosofia
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>>> 
>>> 
>>> Em 20/11/2011, às 08:52, Francisco Antonio Doria <[email protected]> 
>>> escreveu:
>>> 
>>>> Décio, a prova do Wiles não cabe dentro de ZF. A questão é saber se há 
>>>> independência... 
>>>> 
>>>> 2011/11/19 Décio Krause <[email protected]>
>>>> JY
>>>> Você dizer que Weil ou Wiilies não usaram a axiomática de Peano não me 
>>>> parece acertado. Se eles usaram aritmética, mesmo que implicitamente 
>>>> fizeram uso de *alguma* versão axiomática da mesma. Isso, claro, não pode 
>>>> ser dito presentemente por exemplo das coisas em gravitação quântica, mas 
>>>> neste caso ninguém sabe direito do que se está falando...
>>>> Quanto ao Direito, como em geral, a área não tem contornos definidos, logo 
>>>> não vejo como aplicar o método axiomático exceto em porções da mesma, o 
>>>> que propicia que cada pedaço possa ser atingido de um modo. (deixo para 
>>>> depois a inferência de que a aritmética teria contornos bem definidos - 
>>>> pace, Doria). Há por outro lado que se buscar as razões para tal 
>>>> empreitada. Penso que, como em ciência, não é algo absolutamente 
>>>> necessário proceder a axiomatização de um domínio, pois como você 
>>>> observou, dificilmente o cientista ou o jurista faz uso de tais técnicas. 
>>>> Mas, se pretendemos entender os, digamos, alicerces de uma possível 
>>>> formulação de um certo domínio do conhecimento (e admito que podem haver 
>>>> várias delas, inclusive incompatíveis entre si), o método axiomático é sem 
>>>> dúvida útil, mas ele não me parece ser, repito, a salvação da lavoura em 
>>>> todas as áreas (talvez nem mesmo valha a pena ser empregado em gravitação 
>>>> quântica).
>>>> Abraços axiomáticos,
>>>> Décio
>>>> 
>>>> ------------------------------------------------------
>>>> Décio Krause
>>>> Departamento de Filosofia
>>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>>> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
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>>>> 
>>>> 
>>>> Em 19/11/2011, às 09:51, jean-yves beziau <[email protected]> escreveu:
>>>> 
>>>> > Prezada Maria Francisca
>>>> >
>>>> > Nao parece que o conceito de prova tive uma grande evolucao
>>>> > ate o nascimento da teoria da prova.
>>>> > Alem disso, hoje nas ciencias e mesmo na matematica pessoas tratam antes 
>>>> > de
>>>> > tudo de sistema fatico,
>>>> > nao deduzindo coisas a partir de axiomas.
>>>> > Para muita gente o interesso e a possibilidade de axiomatizar nao estao
>>>> > muito claro:
>>>> > a teoria dos numeros funcionou 2000 anos sem ser axiomatizada e continua 
>>>> > a
>>>> > funcionar com sistema fatico,
>>>> > nao parece que o Andre Weil tarabalhou usando os axiomas de Peano,
>>>> > nem o Andrew Wiles.
>>>> >
>>>> > Infelizemente os grandes projetos axiomaticos foram deixados de lado.
>>>> > Estamos longe do tempo onde Suppes organizou um grande congresso sobre
>>>> > axiomatizacao em Berkeley em 1957:
>>>> > L. Henkin, P. Suppes, & A. Tarski (Eds.), The Axiomatic Method with 
>>>> > Special
>>>> > Reference to Geometry and
>>>> > Physics.  Proceedings of an international symposium held at the 
>>>> > University
>>>> > of
>>>> > California, Berkeley, December 16, 1957 - January 4, 1958
>>>> >
>>>> > Do outro lado, o direito parece uma das ciencias mais facil axiomatizar.
>>>> > A dificuldade e qual sistemo logico usar exatamente,
>>>> > nao basta acrescentar modalidades deonticas,
>>>> > um problemo fundamental e mais liga a transposicao da linguagem ordinaria
>>>> > e/ou juridica
>>>> > num sistemo propositicional e/ou de primeira ordem qualquer que seja.
>>>> >
>>>> > Um abraço,
>>>> > Jean-Yves
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