JY
Você dizer que Weil ou Wiilies não usaram a axiomática de Peano não me parece 
acertado. Se eles usaram aritmética, mesmo que implicitamente fizeram uso de 
*alguma* versão axiomática da mesma. Isso, claro, não pode ser dito 
presentemente por exemplo das coisas em gravitação quântica, mas neste caso 
ninguém sabe direito do que se está falando...
Quanto ao Direito, como em geral, a área não tem contornos definidos, logo não 
vejo como aplicar o método axiomático exceto em porções da mesma, o que 
propicia que cada pedaço possa ser atingido de um modo. (deixo para depois a 
inferência de que a aritmética teria contornos bem definidos - pace, Doria). Há 
por outro lado que se buscar as razões para tal empreitada. Penso que, como em 
ciência, não é algo absolutamente necessário proceder a axiomatização de um 
domínio, pois como você observou, dificilmente o cientista ou o jurista faz uso 
de tais técnicas. Mas, se pretendemos entender os, digamos, alicerces de uma 
possível formulação de um certo domínio do conhecimento (e admito que podem 
haver várias delas, inclusive incompatíveis entre si), o método axiomático é 
sem dúvida útil, mas ele não me parece ser, repito, a salvação da lavoura em 
todas as áreas (talvez nem mesmo valha a pena ser empregado em gravitação 
quântica).
Abraços axiomáticos,
Décio

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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 19/11/2011, às 09:51, jean-yves beziau <[email protected]> escreveu:

> Prezada Maria Francisca
> 
> Nao parece que o conceito de prova tive uma grande evolucao
> ate o nascimento da teoria da prova.
> Alem disso, hoje nas ciencias e mesmo na matematica pessoas tratam antes de
> tudo de sistema fatico,
> nao deduzindo coisas a partir de axiomas.
> Para muita gente o interesso e a possibilidade de axiomatizar nao estao
> muito claro:
> a teoria dos numeros funcionou 2000 anos sem ser axiomatizada e continua a
> funcionar com sistema fatico,
> nao parece que o Andre Weil tarabalhou usando os axiomas de Peano,
> nem o Andrew Wiles.
> 
> Infelizemente os grandes projetos axiomaticos foram deixados de lado.
> Estamos longe do tempo onde Suppes organizou um grande congresso sobre
> axiomatizacao em Berkeley em 1957:
> L. Henkin, P. Suppes, & A. Tarski (Eds.), The Axiomatic Method with Special
> Reference to Geometry and
> Physics.  Proceedings of an international symposium held at the University
> of
> California, Berkeley, December 16, 1957 - January 4, 1958
> 
> Do outro lado, o direito parece uma das ciencias mais facil axiomatizar.
> A dificuldade e qual sistemo logico usar exatamente,
> nao basta acrescentar modalidades deonticas,
> um problemo fundamental e mais liga a transposicao da linguagem ordinaria
> e/ou juridica
> num sistemo propositicional e/ou de primeira ordem qualquer que seja.
> 
> Um abraço,
> Jean-Yves
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