Essa discussão é antiga e tem tantos elementos que acho difícil tratar
desse assunto em e-mails curtinhos. No link que eu postei alguns
e-mails atrás - este aqui,

http://duncankennedy.net/documents/Photo%20articles/Sexual%20Abuse,%20Sexy%20Dressing%20and%20the%20Eroticization%20of%20Domination.pdf

pra um artigo publicado na New England Law Review em 1992 - ou seja,
antes da Camille Paglia virar uma referência canônica! - o trecho
principal sobre esse assunto começa na página 1350 (página 42 do
PDF)...

  [[]], E.

On Tue, 22 Sep 2020 at 19:29, jyb <jyb.logic...@gmail.com> wrote:
>
>  Caro JM
> Enquanto lógico universal certamente aprecio sua vontade de abstrair e 
> sistematizar.
> Mas é sempre bom confrontar o universal ao particular, para não ficar só no 
> "general  abstract nonsense".
> Imagina então uma garotinha bonitinha andando na rua feliz  da vida,
> e ela é estuprada por um gangue de babacas.
> Para se justificar eles dizem: a garota estava andando semi nua na rua nos 
> provocando.
> Será que a moça tem que pedir desculpa?
> Um abraço, JYB
> PS: isso não é a minha ultima  mensagem sobre o assunto, tem que ir até o 
> transfinito para ultrapassar todas as barreiras dos preconceitos  agressivos 
> das pessoas que acham que tem razão.
>
> Le mardi 22 septembre 2020 à 13:49:43 UTC-3, Joao Marcos a écrit :
>>
>> E não é que esta é mesmo uma lista de "discussão"?!
>>
>> O fenômeno todo aqui é bastante ilustrativo da multicolorida 
>> (ir)racionalidade humana.  Sem nenhuma ordem particular:
>>
>> (0) Pessoas crêem que alcançarão seus objetivos usando uma estratégia 
>> questionável ou propositalmente afrontosa.
>>
>> (1) Pessoas da comunidade se irritam porque consideram a forma de 
>> comunicação escolhida por outra pessoa plenamente inaceitável.
>>
>> (2) Pessoas acreditam que podem chamar outras à razão chamando-lhes a 
>> atenção publicamente para isso.
>>
>> (3) Pessoas ficam preocupadas (ou mesmo iradas) porque acreditam 
>> (justificadamente ou não) que a reação gerada contra as atitudes de outrem 
>> respingará na comunidade por eles partilhada.
>>
>> (4) Pessoas estão convencidas de que não precisam se desculpar por terem 
>> (inadvertidamente ou propositalmente) ofendido outras classes de pessoas ao 
>> se expressar ou agir de uma forma que não é presentemente considerada 
>> socialmente aceitável.  (Há muito espaço para questionamento aqui --- um 
>> exemplo disto está na "polêmica" que teria levado Ao recente abandono do 
>> Twitter por parte de John Carlos Baez.)
>>
>> (5) Pessoas que se encontram anteriormente indispostas com outras (ou com a 
>> infeliz situação política mundial), por motivos recentes (bem justificados 
>> ou não) ou tirados do fundo do baú, mostram uma irritação aparentemente 
>> desproporcional a respeito de manifestações destas últimas.
>>
>> (6) Pessoas acusam outras de se posicionarem sobre um determinado assunto de 
>> forma supostamente vaga ou não suficientemente incisiva.
>>
>> (7) Pessoas não se convencem (ou não desejam se convencer) que atraem 
>> antipatia contra si e contra o seu trabalho por motivos completamente 
>> alheios à qualidade científica da sua contribuição.
>>
>> (8) Pessoas movem mundos, propõem abaixo-assinados e escrevem manifestos de 
>> censura com objetivos (aparentemente) primordialmente performativos.
>>
>> (9) Pessoas que preferem se omitir, ou que preferem silenciar, ou que não 
>> têm interesse no diálogo argumentativo (ou simplesmente não levam jeito para 
>> isso), ou que estão dispostas a todo tipo de malabarismo argumentativo.
>>
>> (...)
>>
>> (\aleph) Pessoas emitem suas opiniões de forma interminável, acreditando 
>> serem capazes de identificar o comportamento irracional de _outras_ pessoas.
>>
>> E por aí corre a história, num diálogo de surdos, entre alfinetadas, 
>> ponderações, e ações de cancelamento...  Sem prejuízo ao direito de réplica, 
>> tréplica ou esclarecimento, peço somente aos colegas que não se esforcem 
>> para vestir carapuças --- há provavelmente carapuças suficientes aqui para 
>> quase todos os participantes da discussão (inclusive para mim).  Precisamos 
>> de mais e melhor Filosofia para desenrolar tudo isto!
>>
>> Talvez um raciocínio paraconsistente seja útil para conseguirmos entender 
>> como podemos tantos de nós estarmos certos e errados ao mesmo tempo?
>>
>> Esta é minha última mensagem sobre este assunto.  Saudações,
>> Joao Marcos
>>
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