Arthur
Eu concordo com a hstória da cabra, e acho que ela deveria mesmo se
soltar, mas não tomar alucinógenos para pensar que está fora de seus
limites permitidos e imaginar que o mundo é diferente do que
realmente é. Ela não investiga o mundo desse jeito.
Em todo caso, como eu sugeri citando um amigo, cada um cai de boca no
que melhor lhe apetece. Por exemplo, falaram em Deus. Eu, quanto entro
em uma igreja (aqui não faço isso porque em geral elas são feias), e
fazia muito isso em Florença, não ia rezar, mas ficar num ambiente
calmo, bonito e agradável. Agora pense em você concentrado e rezando
num fôlego só:
"painossoqueestasnoceusantificadosejaovossonomevenhaanosdovossoreino
...". Não te parece os yogues fazendo "ahummmmmmm..."? Para mim é a
mesma coisa. Isso dá conforto, e pode ser usado. Sair de uma missa é
como sair e uma sessão de yoga. Agora, crer é coisa pessoal, assim
como se sentir bem com uma paranga ou com uma cerveja ou com um chá.
Tudo vale. Sejamos felizes sem sermos cabras (exceto se for da peste).
Abraço,
Décio
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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
"People complain that our generation has no philosophers. Quite
unjustly: it is merely that today's philosophers sit in another
department, their names are Planck and Einstein." (C. Seelig, 1952,
apud E. Scheibe 2001).
Em 31/07/2009, às 05:09, Arthur Buchsbaum escreveu:
Era uma vez uma cabra que viveu toda a vida sozinha, em uma grande
campina, repleta de capim, flores e pequenas plantas. Desde pequena
esta cabra, logo após desmamada, viveu atada, por uma corda, a uma
estaca profundamente fincada na terra.
A corda era razoavelmente comprida, de forma que esta cabra
alcançava uma boa extensão do terreno, e daí tinha acesso a uma boa
porção de plantas comestíveis, e havia tempo para os tocos restantes
das plantas consumidas se recuperarem até a cabra voltar a se
alimentar das mesmas.
Assim viveu a cabra toda a sua vida nesta área delimitada pelo
comprimento da corda presa à dita estaca. Havia um número bem grande
de plantas comestíveis de outras variedades nesta campina, mas além
do alcance da cabra.
Esta sequer deu-se ao trabalho de libertar-se da corda, e até
poderia fazê-lo, se quisesse, mas, como viveu, quase a vida toda,
pelo menos até onde a sua memória pessoal alcançava, presa por
aquela corda, ela julgava que a própria corda e a estaca faziam
parte de seu organismo.
O mundo no qual a cabra vivia era muitíssimo mais vasto, quase
infinito, perante o diminuto terreno no qual a cabra vivia, as
experiências que esta poderia ter poderiam ser muitíssimo mais ricas
e vastas, mas a cabra julgava que a extensão de seu universo
limitava-se só ao terreno que ela alcançava.
Com o tempo, a cabra não mais enxergava o terreno além da corda, via
apenas a extensão circular que ela podia alcançar, que passou a ser
para ela a totalidade da existência.
E assim ela viveu e morreu, neste diminuto terreno, e encontrou nele
toda a nutrição, satisfação e água necessárias, sem sequer suspeitar
que ela poderia ter vivido uma existência infinitamente mais rica.
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Assim vivem e agem a maioria dos ditos “intelectuais” de hoje, que
pululam nas universidades e academias, perfazendo suas diminutas
especulações intelectuais, mas nunca ultrapassando uma pequena área
de exame, pois julgam que a totalidade da existência circunscreve-se
às suas bem limitadas manobras e jogos intelectuais.
a) Arthur Buchsbaum
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