Caro Eduardo, é apenas uma pequena história, uma metáfora, para transmitir um sentimento, mas não deve ser levada ao pé da letra. Tampouco quero desmerecer o trabalho de ninguém, e certamente muitos pesquisadores desta lista fazem trabalhos relevantes dentro de suas propostas.
O que tenho questionado é a totalidade da pesquisa acadêmica quanto aos seus presentes limites e suas enormes parcialidades. Tais parcialidades dizem respeito a critérios do que é ou não encampado pelas universidades e onde o dinheiro público é utilizado. Muitas práticas válidas são deixadas de lado por critérios que nada têm de científicos, mas tão somente refletem um espírito corporativista das classes de "médicos", "filósofos" e outras. O objetivo meu é provocar reflexão e questionamentos para aqueles que assim se sintam sacudidos. Como esta é uma lista de discussão de Lógica e assuntos afins, é exatamente este o espaço certo para tais questionamentos, não deveríamos apenas nos ater ao que é previsível, mas buscar sempre o novo, sob pena de nos reduzirmos à tal "cabra" da referida história. a) Arthur Buchsbaum PS: Desculpem o nome da Marcia no campo dos destinatários explícitos. Deveria ter constado no campo dos destinatários ocultos. Ela é Presidente do Sindicato dos Terapeutas de Santa Catarina, daí uma das formadoras de opinião. -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Eduardo Ochs Enviada em: sexta-feira, 31 de julho de 2009 05:32 Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LÓGICA; Marcia Pimenta Assunto: Re: [Logica-l] A Cabra, a Campina e a Corda Oi Arthur (e oi Márcia), você acha que a lista de Lógica é composta principalmente por estes intelectuais-cabras? Como você a compararia com os outros grupos com quais você tem contato? Outra coisa: você acha que essa sua mensagem vai ser eficaz pra fazer com que nós vejamos as cordas nos nossos pescoços e comecemos a roê-las? O seu objetivo é fazer com que nós nos libertemos - e viremos pessoas melhores, menos amarguradas, e que daí vão ter menos motivos pra brigar entre si e com você, etc - ou você mandou a mensagem só pra descarregar e pra desabafar?... [[]], Eduardo Ochs [email protected] http://angg.twu.net/ 2009/7/31 Arthur Buchsbaum <[email protected]>: > Era uma vez uma cabra que viveu toda a vida sozinha, em uma grande campina, > repleta de capim, flores e pequenas plantas. Desde pequena esta cabra, logo > após desmamada, viveu atada, por uma corda, a uma estaca profundamente > fincada na terra. > > A corda era razoavelmente comprida, de forma que esta cabra alcançava uma > boa extensão do terreno, e daí tinha acesso a uma boa porção de plantas > comestíveis, e havia tempo para os tocos restantes das plantas consumidas se > recuperarem até a cabra voltar a se alimentar das mesmas. > > Assim viveu a cabra toda a sua vida nesta área delimitada pelo comprimento > da corda presa à dita estaca. Havia um número bem grande de plantas > comestíveis de outras variedades nesta campina, mas além do alcance da > cabra. > > Esta sequer deu-se ao trabalho de libertar-se da corda, e até poderia > fazê-lo, se quisesse, mas, como viveu, quase a vida toda, pelo menos até > onde a sua memória pessoal alcançava, presa por aquela corda, ela julgava > que a própria corda e a estaca faziam parte de seu organismo. > > O mundo no qual a cabra vivia era muitíssimo mais vasto, quase infinito, > perante o diminuto terreno no qual a cabra vivia, as experiências que esta > poderia ter poderiam ser muitíssimo mais ricas e vastas, mas a cabra julgava > que a extensão de seu universo limitava-se só ao terreno que ela alcançava. > > Com o tempo, a cabra não mais enxergava o terreno além da corda, via apenas > a extensão circular que ela podia alcançar, que passou a ser para ela a > totalidade da existência. > > E assim ela viveu e morreu, neste diminuto terreno, e encontrou nele toda a > nutrição, satisfação e água necessárias, sem sequer suspeitar que ela > poderia ter vivido uma existência infinitamente mais rica. > > > > +++++++++++++++++++++++++++++++++ > > > > Assim vivem e agem a maioria dos ditos intelectuais de hoje, que pululam > nas universidades e academias, perfazendo suas diminutas especulações > intelectuais, mas nunca ultrapassando uma pequena área de exame, pois julgam > que a totalidade da existência circunscreve-se às suas bem limitadas > manobras e jogos intelectuais. > > > > a) Arthur Buchsbaum > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
