Era uma vez uma cabra que viveu toda a vida sozinha, em uma grande campina, repleta de capim, flores e pequenas plantas. Desde pequena esta cabra, logo após desmamada, viveu atada, por uma corda, a uma estaca profundamente fincada na terra.
A corda era razoavelmente comprida, de forma que esta cabra alcançava uma boa extensão do terreno, e daí tinha acesso a uma boa porção de plantas comestíveis, e havia tempo para os tocos restantes das plantas consumidas se recuperarem até a cabra voltar a se alimentar das mesmas. Assim viveu a cabra toda a sua vida nesta área delimitada pelo comprimento da corda presa à dita estaca. Havia um número bem grande de plantas comestíveis de outras variedades nesta campina, mas além do alcance da cabra. Esta sequer deu-se ao trabalho de libertar-se da corda, e até poderia fazê-lo, se quisesse, mas, como viveu, quase a vida toda, pelo menos até onde a sua memória pessoal alcançava, presa por aquela corda, ela julgava que a própria corda e a estaca faziam parte de seu organismo. O mundo no qual a cabra vivia era muitíssimo mais vasto, quase infinito, perante o diminuto terreno no qual a cabra vivia, as experiências que esta poderia ter poderiam ser muitíssimo mais ricas e vastas, mas a cabra julgava que a extensão de seu universo limitava-se só ao terreno que ela alcançava. Com o tempo, a cabra não mais enxergava o terreno além da corda, via apenas a extensão circular que ela podia alcançar, que passou a ser para ela a totalidade da existência. E assim ela viveu e morreu, neste diminuto terreno, e encontrou nele toda a nutrição, satisfação e água necessárias, sem sequer suspeitar que ela poderia ter vivido uma existência infinitamente mais rica. +++++++++++++++++++++++++++++++++ Assim vivem e agem a maioria dos ditos intelectuais de hoje, que pululam nas universidades e academias, perfazendo suas diminutas especulações intelectuais, mas nunca ultrapassando uma pequena área de exame, pois julgam que a totalidade da existência circunscreve-se às suas bem limitadas manobras e jogos intelectuais. a) Arthur Buchsbaum
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