A possibilidade de reformar a ortografia inglesa foi discutida algumas vezes publicamente no passado e ainda hoje há quem a defenda. Mas esta tese não é levada a sério dada a mentalidade inglesa de que só vale a pena mexer numa coisa se o custo de não mexer for obviamente maior do que a possibilidade de se mexer e ficar pior ou na mesma. Orwell tem um texto interessante em que caçoa da ortografia inglesa, que nenhuma relação funcional tem com a fonética.
Do meu ponto de vista qualquer reforma ortográfica é baseada na ilusão de que o princípio fonético é aplicável. Isto só pode fazer-se escolhendo arbitrariamente uma dada maneira de falar e depois espelhar essa maneira de falar numa certa ortografia. Caso isso não se faça, teremos de multiplicar ortografias para lá do que seria sensato, para espelhar diferentes maneiras de falar a mesma palavra. Em Portugal dizemos económico e daí o acento agudo, mas no Brasil diz-se econômico e esta diferença acabou consagrada ortograficamente, o que dá origem a duas ortografias distintas. O inglês tem na verdade mais de uma dezena de variantes ortográficas, ao passo que há apenas duas variantes ortográficas da língua portuguesa. Deveria haver mais e é inevitável que venham a existir mais, à medida que os países africanos de expressão portuguesa começaram e fazer as suas próprias normas linguísticas, ao invés de seguirem a norma de Portugal. Um abraço, Desidério _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
