Ola Silvio,

embora esta  minha  intervenção  não tenha a menor relevância sobre o
tema em discussão  e nem sobre temas da Lista,  e aproveitando que
Deus saiu da pauta,  não posso deixar de  mencionar o que a própria
Hilda Hilst, me disse   (ela  morava numa chácara em  Campinas e a
visitei muitas vezes)  sobre a  historia de ser  "poeta" e não
"poetisa".  Algo assim:  se existisse "poeto", ela seria  "poeta".
Como os  idiotas dos académicos  inventaram mal o termo, eles
que...#*$..  e ela continuaria a ser  "poeta: da mesma maneira... Uma
espécie de demonstração não-construtiva da apropriabilidade (epa!) do
termo.

Abraços,

Walter


> João:
>
> Guimarães Rosa nãocriou neologismos: ele, em suas prolongadas viagens de
> pesquisa pelo interior de Minas  anotou os diversos falares, as deturpações
> da lingua em função exatamente da falta de continuidade por formas
> literárias ou educativas, das formas eruditas dos vocábulos.
>
> Até a falta de dentes em grande parte do pessoal do interior contribuiu pra
> isso.....
>
> Exemplo atroz é o uso indevido de "estória" que hoje é corriqueiro e é um
> despudor, um ambicismo quedesonra a cultura de quem o utiliza.
> Por sua própria etmologia, é uma palatra que descreve algo  que
> antiriormente não era conhecido. Exemplo: kardecismo: "Doutrina religiosa de
> Allan Kardec (1804-1869), pensador espírita francês". Esse vocábulo,
> obviamente, não existia antes da existânaia do criador do espiritismo.
> Usar a deformação viciosa como o caso do "estória" não é neologismo, é vício
> de linguagem.
> Qualquer pessoa só deve escrever dentro dos parâmetros das regras cultas,
> uma delas é usar vocábulos existentes no VOLP: uma curiosidade é o fato de
> famosa poetisa brasileira (por motivos que não revelou), arvorar-se em
> "poeta", não aceitando o título de poetisa conforme nos ensina a gramática:
> e diversas senhoras, por modismo, para se diferenciarem ou mostra uma
> cultura que é falsa, arvoram-se em "poetas" o que desqualifica toda sua
> obra.
> Autores consagrados - é o caso de guimarães Rosa e o grande poeta lusitano
> Fernando Pessoa ousam alterar a formatação dos vocábulos tanto para mostrar
> sua erudição como para aprimorar o sentido do texto, o que não os incorpora
> oficialmente à língua: são apenas detalhes artísticos.
>
> Deve haver algum trabalho de qualidade sobre isso: se alguém tiver, que o
> traga à luz:  Rabelais até criou um povo denominado "Nefelibata" em
> homenagem aos criadores de neologismos...".
>
> Copiei na ewikipedia:
>
> "Termo utilizado para classificar uma palavra nova que surge numa língua
> devido à necessidade de designar novas realidades - novos conhecimentos
> técnicos, objectos gerados pelo progresso científico (neologismos técnicos e
> científicos) e até por questões estilísticas e literárias, tornando a língua
> mais expressiva e rica (neologismos literários).
>
> O que sucede quando precisamos de atribuir um novo nome para designar uma
> ideia ou objecto novos é escolher uma destas opções: formar uma palavra nova
> a partir de elementos que já existam; adoptar um termo de uma outra língua;
> alterar o significado de uma palavra já antiga. Daí que os neologismos
> criados possam possuir diferentes processos de formação: por derivação
> (ficcionismo, metaficção), por composição (astronauta, homeopatia), por
> imitação de outras palavras já existentes na língua (eurocrata), por
> transferência de vocábulos pertencentes a outras línguas (clicar, inputar,
> scannear), ou palavras completamente novas que são criadas. Neste último
> grupo, incluem-se os neologismos literário-estilísticos que são criados para
> se conseguir um efeito único, especial, ou tornar uma frase mais maleável,
> concentrando uma expressão numa palavra, de modo a tornar o sentido mais
> explícito, por exemplo: «trotamundos» (forma como Walter, uma das
> personagens de O Vale da Paixão é referida várias vezes, pelo pai, por não
> permanecer muito tempo no mesmo local) e o substantivo seu derivado".
>
>
>
> uma boa noite,
>
> silvio.

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Walter Carnielli
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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