Isso Rodrigo. Abalou as estruturas do nosso paroquialismo tupiniquim.
Interessante ver (não ler) o *silêncio ensurdecedor* dos sempre boquirrotos
desta lista.
Mas saiba:não será convidado para o chazinho da inoxidável Academia. Não
perderá muita coisa.


Em 28 de abril de 2013 15:50, Rodrigo Podiacki <[email protected]>escreveu:

> Não tem a ver com o assunto da lista, mas tem a ver com a forma como esta
> tem funcionado. Para mim, foi pertinente a comparação com as pessoas que
> falam alto. E o pior: alardeando méritos que efetivamente não têm.
> Felizmente, isso está ficando claro para todo mundo, o que me faz acreditar
> que minha intervenção valeu a pena.
>
>
> Em 28 de abril de 2013 13:05, Walter Carnielli
> <[email protected]>escreveu:
>
> > Resposta: isso nao tem NADA a ver com a Lista, e, apesar de divertido,
> > acaba cansando...
> >
> > Walter
> > Em 28/04/2013 12:46, "Eduardo Ochs" <[email protected]> escreveu:
> >
> > Décio,
> >>
> >> deixa eu te contar uma historinha.
> >>
> >> Em 2006 eu trabalhava como programador na Vivo, e eu tinha acabado de
> >> ser realocado pra "sede principal", ou algo assim, da Vivo no Rio, que
> >> era um prédio enorme, muito chique, na Barra da Tijuca. Esse
> >> prédio era muito mais longe pra mim que o anterior, e eu levava
> >> duas horas pra chegar lá. Além disso o grupo de programadores de
> >> lá com o qual eu deveria me entrosar MUITO bem era socialmente
> >> dominado por vários pós-adolescentes vândalos homofóbicos,
> >> e eu ganhava bem pouco.
> >>
> >> A gente trabalhava numa sala muito grande, com umas 200 ou 300
> >> pessoas, e divisórias baixas entres as baias. Certos projetos
> >> importantes tinham deadlines estourando, os grupos que cuidavam deles
> >> fizeram trabalhos de equipe maravilhosos, e a partir daí muitas
> >> pessoas desses grupos passaram a se comportar como as engrenagens
> >> principais de uma máquina bem azeitada, e a falarem muito alto,
> >> como se fossem os personagens principais de um filme, e como se tudo
> >> que eles pensassem e dissessem fosse muito importante pra todos
> >> nós.
> >>
> >> As pessoas "secundárias" nesses projetos rapidamente se tornarem
> >> quietas de novo, mas os líderes dos projetos não. E a tensão
> >> do trabalho diminuiu e eles começaram a cuidar de outras coisas.
> >>
> >> Um deles passou dias falando do GPS que ele ia comprar pro carro que
> >> ele ia alugar pra uma viagem pros Estados Unidos, e depois dias entre
> >> histérico, decepcionado e amargurado, passando literalmente _horas_
> >> lá no trabalho a cada dia tentando reclamar com o fabricante (e com
> >> os colegas).
> >>
> >> Outro, que já tinha sido professor de sei lá que faculdade
> >> privada, e que falava MUITO alto e MUITO devagar, passou um dia
> >> inteiro brigando com o cara que tinha montado um super-servidor com
> >> mil garantias e certificações, e que aí conseguiu
> >> forçá-lo - ou seja, forçar a Vivo - a pagar cem mil reais por
> >> um pente de memória RAM com o selinho certo pro servidor, porque se
> >> a Vivo tentasse aumentar a memória do servidor com peças não
> >> certificadas as garantias iriam pro brejo. Até aí tudo bem, mas
> >> num outro dia esse cara passou horas no telefone, com a mesma voz - e
> >> ele ficava só a uns 20 metros de mim, eu não tinha como perder
> >> um fonema do que ele falava, nem quando eu tentava ouvir música bem
> >> alto nos headphones -, falando com a amante, e depois mais várias
> >> horas tentando acalmar a esposa, e depois, num outro dia, umas duas
> >> horas tentando convencer um professor da UERJ a aprová-lo numa
> >> matéria, porque era a última que ele precisava pra terminar a
> >> graduação, e afinal qual era a importância daquela
> >> matéria, o objetivo do curso não é encaixar as pessoas no
> >> mercado de trabalho? Porque ele já tem um empregão etc etc...
> >>
> >> A historinha era essa. Ou melhor, este é o lado visível dela. O
> >> lado invisível é que eu queria, e precisava, me concentrar no
> >> meu trabalho lá na Vivo mas comecei a não conseguir. Não
> >> tenho nem como resumir o que essa situação me fazia pensar, mas
> >> posso dar alguns exemplos: 1) porque é que aquelas pessoas se davam
> >> ao direito de falar tão alto, 2) se alguém mais se incomodava,
> >> 3) que o profissional perfeito se concentra só no seu trabalho e
> >> portanto eu não era o profissional perfeito, 4) porque é que
> >> ninguém fazia nada, 5) se havia algo que alguém que não fosse
> >> os chefões poderia fazer, 6) se os caras que falavam alto
> >> ridicularizariam qualquer um que viesse conversar com eles, 7) que
> >> sociedade era aquela - aquele ambiente de 200 ou 300 pessoas da Vivo,
> >> 8) que os meus poucos colegas de trabalho que não eram grossos
> >> pareciam profundamente infelizes, 9) que o "mercado" para
> >> programadores no Brasil devia ser praticamente todo feito de ambientes
> >> daquele tipo ou piores, 10) que se eu não fazia nada a respeito,
> >> nem sequer conversar com os meus colegas, eu estava sendo cúmplice,
> >> 11) o que quereria dizer crescer naquele trabalho? Será que era eu
> >> um dia poder ser o cara que fala alto? 12) como era o "mundo exterior"
> >> que fazia com que esse tipo de ambiente fosse normal, 13) que eu era
> >> contratado pra dedicar toda a energia possível, durante 8 horas por
> >> dia, à empresa, ou aos projetos (técnicos) sob minha
> >> responsabilidade, algo assim - então como é que eu poderia fazer
> >> isso sem sentir que eu estava traindo tudo o que eu acreditava, isto
> >> é, sem apoiar uma sociedade doente?
> >>
> >>
> >> O que isto tem a ver com a Lista de Lógica
> >> ==========================================
> >> Então: esta pergunta é irrespondível. Quem vai dar a resposta
> >> definitiva? Eu? Você? A maioria? Deus? Um teorema? Um teste
> >> duplo-cego randomizado? Um comitê especialmente designado? A
> >> decisão do comitê é soberana? Cabe recurso?
> >>
> >> Qualquer um pode dizer que nada tem a ver com nada. Mas ACHO que
> >> não é por aí. Acho que quem der argumentos interessantes vai
> >> ser ouvido por alguns dos demais, mesmo que alguma autoridade já
> >> tenha dito "não há nada pra discutir" e "assunto encerrado".
> >>
> >>
> >> O que eu quero ser quando eu crescer
> >> ====================================
> >> Quando eu comentei sobre a palestra do Newton alguns dos assuntos que
> >> eu pensei que apareceriam era: como nós damos as nossas palestras
> >> agora, o que a gente faz pra que cada pessoa da platéia aprenda
> >> algo interessante, e como a gente se planeja pra continuarmos a ser
> >> palestrantes interessantes, aliás se possível ainda melhores,
> >> daqui a décadas... mas o subtexto que eu vi em algumas respostas
> >> foi "prove grandes teoremas (e aí você vai poder fazer o que
> >> quiser)". Mas isto me parece muito primário.
> >>
> >>
> >> O que é a Lista de Lógica
> >> =========================
> >> Pra muitos de nós que participamos dela ela é um dos ambientes
> >> nos quais a gente vive - mesmo que passemos só poucos minutos por
> >> dia nela - e é uma das nossas referências de um lugar no qual
> >> deveria ser possível argumentar de forma interessante.
> >>
> >> As "pessoas que falam alto" da lista, como os líderes de projeto da
> >> minha história, incomodam bastante. Aliás, corrijo: incomodam
> >> aos que não são os "profissionais perfeitos", que se concentram
> >> só nos seus trabalhos. Vou pegar um exemplo default: o Dória. A
> >> gente fica pensando porque é que o Dória posta as coisas que
> >> posta; a gente sabe que não adianta perguntar pra ele nem pedir pra
> >> ele mudar, então a gente usa o Dória como ponto de partida pra
> >> pensar sobre mil outras coisas.
> >>
> >> Eu apostaria R$20 que as pessoas que se incomodam com os posts do
> >> Dória A) não são tão poucas (chute: são mais de 10) e
> >> B) acharam o post do Rodrigo sobre a briga Dória / Moniz Bandeira
> >> interessante pras suas próprias teorias doriológicas, e pra
> >> pensarem - por associação livre, mesmo - sobre outras
> >> questões de outros ambientes em torno de nós.
> >>
> >> Oops, vou ter que interromper e sair, vou postar assim mesmo.
> >>
> >>   Abraços,
> >>     Eduardo Ostra
> >>     [email protected]
> >>     http://angg.twu.net/
> >>     http://angg.twu.net/quadradinho/quadradinho-a5.pdf
> >>
> >>
> >>
> >> 2013/4/27 Rodrigo Podiacki <[email protected]>
> >>
> >> > Décio,
> >> >
> >> > Acho que você está pegando frases isoladas, que somente podem ser
> >> > > entendidas dentro  de um contexto.
> >> > >
> >> >
> >> > O contexto está bem claro nos* links*. Isolei as frases que achei mais
> >> > significativas. Os interessados podem abrir os* links* e ter acesso ao
> >> > contexto.
> >> >
> >> >
> >> > > Eu me lembro mais ou menos dessa discussão de Newton+Doria com o
> >> Solovay,
> >> > > mas para não cairmos no argumento da autoridade, você deveria
> >> analisar o
> >> > > trabalho deles por si mesmo.
> >> > >
> >> >
> >> > Não houve discussão. Ela foi encerrada da maneira padrão, como
> descrevi
> >> > anteriormente. Estou me valendo do mesmo expediente utilizado pela
> >> pessoa
> >> > que critico (com referências mais concretas).
> >> >
> >> >
> >> > > Puxa, Rodrigo, que tal falar de outras coisas na lista?
> >> > >
> >> >
> >> > Falaremos de outras coisas quando o assunto se esgotar. Eu não peço
> para
> >> > falar de outras coisas quando o assunto é tomar um vinho em Paris ou
> uma
> >> > sinfonia de Beethoven, ou o PT. As pessoas são livres para falar
> sobre o
> >> > que quiserem, e, dado o retorno particular que estou tendo, outros
> >> > gostariam de dizer o que eu disse.
> >> >
> >> > Um abraço
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