Resposta: isso nao tem NADA a ver com a Lista, e, apesar de divertido, acaba cansando...
Walter Em 28/04/2013 12:46, "Eduardo Ochs" <[email protected]> escreveu: > Décio, > > deixa eu te contar uma historinha. > > Em 2006 eu trabalhava como programador na Vivo, e eu tinha acabado de > ser realocado pra "sede principal", ou algo assim, da Vivo no Rio, que > era um prédio enorme, muito chique, na Barra da Tijuca. Esse > prédio era muito mais longe pra mim que o anterior, e eu levava > duas horas pra chegar lá. Além disso o grupo de programadores de > lá com o qual eu deveria me entrosar MUITO bem era socialmente > dominado por vários pós-adolescentes vândalos homofóbicos, > e eu ganhava bem pouco. > > A gente trabalhava numa sala muito grande, com umas 200 ou 300 > pessoas, e divisórias baixas entres as baias. Certos projetos > importantes tinham deadlines estourando, os grupos que cuidavam deles > fizeram trabalhos de equipe maravilhosos, e a partir daí muitas > pessoas desses grupos passaram a se comportar como as engrenagens > principais de uma máquina bem azeitada, e a falarem muito alto, > como se fossem os personagens principais de um filme, e como se tudo > que eles pensassem e dissessem fosse muito importante pra todos > nós. > > As pessoas "secundárias" nesses projetos rapidamente se tornarem > quietas de novo, mas os líderes dos projetos não. E a tensão > do trabalho diminuiu e eles começaram a cuidar de outras coisas. > > Um deles passou dias falando do GPS que ele ia comprar pro carro que > ele ia alugar pra uma viagem pros Estados Unidos, e depois dias entre > histérico, decepcionado e amargurado, passando literalmente _horas_ > lá no trabalho a cada dia tentando reclamar com o fabricante (e com > os colegas). > > Outro, que já tinha sido professor de sei lá que faculdade > privada, e que falava MUITO alto e MUITO devagar, passou um dia > inteiro brigando com o cara que tinha montado um super-servidor com > mil garantias e certificações, e que aí conseguiu > forçá-lo - ou seja, forçar a Vivo - a pagar cem mil reais por > um pente de memória RAM com o selinho certo pro servidor, porque se > a Vivo tentasse aumentar a memória do servidor com peças não > certificadas as garantias iriam pro brejo. Até aí tudo bem, mas > num outro dia esse cara passou horas no telefone, com a mesma voz - e > ele ficava só a uns 20 metros de mim, eu não tinha como perder > um fonema do que ele falava, nem quando eu tentava ouvir música bem > alto nos headphones -, falando com a amante, e depois mais várias > horas tentando acalmar a esposa, e depois, num outro dia, umas duas > horas tentando convencer um professor da UERJ a aprová-lo numa > matéria, porque era a última que ele precisava pra terminar a > graduação, e afinal qual era a importância daquela > matéria, o objetivo do curso não é encaixar as pessoas no > mercado de trabalho? Porque ele já tem um empregão etc etc... > > A historinha era essa. Ou melhor, este é o lado visível dela. O > lado invisível é que eu queria, e precisava, me concentrar no > meu trabalho lá na Vivo mas comecei a não conseguir. Não > tenho nem como resumir o que essa situação me fazia pensar, mas > posso dar alguns exemplos: 1) porque é que aquelas pessoas se davam > ao direito de falar tão alto, 2) se alguém mais se incomodava, > 3) que o profissional perfeito se concentra só no seu trabalho e > portanto eu não era o profissional perfeito, 4) porque é que > ninguém fazia nada, 5) se havia algo que alguém que não fosse > os chefões poderia fazer, 6) se os caras que falavam alto > ridicularizariam qualquer um que viesse conversar com eles, 7) que > sociedade era aquela - aquele ambiente de 200 ou 300 pessoas da Vivo, > 8) que os meus poucos colegas de trabalho que não eram grossos > pareciam profundamente infelizes, 9) que o "mercado" para > programadores no Brasil devia ser praticamente todo feito de ambientes > daquele tipo ou piores, 10) que se eu não fazia nada a respeito, > nem sequer conversar com os meus colegas, eu estava sendo cúmplice, > 11) o que quereria dizer crescer naquele trabalho? Será que era eu > um dia poder ser o cara que fala alto? 12) como era o "mundo exterior" > que fazia com que esse tipo de ambiente fosse normal, 13) que eu era > contratado pra dedicar toda a energia possível, durante 8 horas por > dia, à empresa, ou aos projetos (técnicos) sob minha > responsabilidade, algo assim - então como é que eu poderia fazer > isso sem sentir que eu estava traindo tudo o que eu acreditava, isto > é, sem apoiar uma sociedade doente? > > > O que isto tem a ver com a Lista de Lógica > ========================================== > Então: esta pergunta é irrespondível. Quem vai dar a resposta > definitiva? Eu? Você? A maioria? Deus? Um teorema? Um teste > duplo-cego randomizado? Um comitê especialmente designado? A > decisão do comitê é soberana? Cabe recurso? > > Qualquer um pode dizer que nada tem a ver com nada. Mas ACHO que > não é por aí. Acho que quem der argumentos interessantes vai > ser ouvido por alguns dos demais, mesmo que alguma autoridade já > tenha dito "não há nada pra discutir" e "assunto encerrado". > > > O que eu quero ser quando eu crescer > ==================================== > Quando eu comentei sobre a palestra do Newton alguns dos assuntos que > eu pensei que apareceriam era: como nós damos as nossas palestras > agora, o que a gente faz pra que cada pessoa da platéia aprenda > algo interessante, e como a gente se planeja pra continuarmos a ser > palestrantes interessantes, aliás se possível ainda melhores, > daqui a décadas... mas o subtexto que eu vi em algumas respostas > foi "prove grandes teoremas (e aí você vai poder fazer o que > quiser)". Mas isto me parece muito primário. > > > O que é a Lista de Lógica > ========================= > Pra muitos de nós que participamos dela ela é um dos ambientes > nos quais a gente vive - mesmo que passemos só poucos minutos por > dia nela - e é uma das nossas referências de um lugar no qual > deveria ser possível argumentar de forma interessante. > > As "pessoas que falam alto" da lista, como os líderes de projeto da > minha história, incomodam bastante. Aliás, corrijo: incomodam > aos que não são os "profissionais perfeitos", que se concentram > só nos seus trabalhos. Vou pegar um exemplo default: o Dória. A > gente fica pensando porque é que o Dória posta as coisas que > posta; a gente sabe que não adianta perguntar pra ele nem pedir pra > ele mudar, então a gente usa o Dória como ponto de partida pra > pensar sobre mil outras coisas. > > Eu apostaria R$20 que as pessoas que se incomodam com os posts do > Dória A) não são tão poucas (chute: são mais de 10) e > B) acharam o post do Rodrigo sobre a briga Dória / Moniz Bandeira > interessante pras suas próprias teorias doriológicas, e pra > pensarem - por associação livre, mesmo - sobre outras > questões de outros ambientes em torno de nós. > > Oops, vou ter que interromper e sair, vou postar assim mesmo. > > Abraços, > Eduardo Ostra > [email protected] > http://angg.twu.net/ > http://angg.twu.net/quadradinho/quadradinho-a5.pdf > > > > 2013/4/27 Rodrigo Podiacki <[email protected]> > > > Décio, > > > > Acho que você está pegando frases isoladas, que somente podem ser > > > entendidas dentro de um contexto. > > > > > > > O contexto está bem claro nos* links*. Isolei as frases que achei mais > > significativas. Os interessados podem abrir os* links* e ter acesso ao > > contexto. > > > > > > > Eu me lembro mais ou menos dessa discussão de Newton+Doria com o > Solovay, > > > mas para não cairmos no argumento da autoridade, você deveria analisar > o > > > trabalho deles por si mesmo. > > > > > > > Não houve discussão. Ela foi encerrada da maneira padrão, como descrevi > > anteriormente. Estou me valendo do mesmo expediente utilizado pela pessoa > > que critico (com referências mais concretas). > > > > > > > Puxa, Rodrigo, que tal falar de outras coisas na lista? > > > > > > > Falaremos de outras coisas quando o assunto se esgotar. Eu não peço para > > falar de outras coisas quando o assunto é tomar um vinho em Paris ou uma > > sinfonia de Beethoven, ou o PT. As pessoas são livres para falar sobre o > > que quiserem, e, dado o retorno particular que estou tendo, outros > > gostariam de dizer o que eu disse. > > > > Um abraço > > _______________________________________________ > > Logica-l mailing list > > [email protected] > > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
