A discussão sobre a palestra do Newton é secundária, caro Júlio. Quanto a
questão inicial, esta sim, importante, o Rodrigo pos os pingos nos i ´s e
cortou todos os t´s. O que ocorre é que, no Brasil, muita gente quer falar
alto sem conhecimento de causa. Nestas terras, vejo filósofos se auto
intitularem *filósofos da matemática* mas ignoram noções básicas na área da
matemática. Igualmente, vemos *filosofos da ciencia* a falarem tontices
sobre física, por exemplo, mas não são do ramo. Prefiro um físico teórico.
A menos que seja academicamente desonesto, o que duvido, julgará estas
linhas improcedentes.

Beginning to end.

Obrigado Rodrigo, onde estão mesmo os boquirrotos?
Obrigado Eduardo.
A paróquia se assanhou. Com a palavra, as carpideiras...


Em 28 de abril de 2013 22:36, Julio Stern <[email protected]> escreveu:

> Caros:  (1) Criticas ao Newton (e a quem quer que seja) sao sempre
> validas, pois ninguem esta acima delas.                              (2)
> Argumento de autoridade, e argumentos Ad Hominem em geral (em oposicao a
> argumentos Ad Res) sao sempre idiotas,  ultimo recurso de batalha para quem
> sabe que ja perdeu a guerra.                     (3) Isto dito, acho que
> devemos tratar com respeito quem deu sua contribuicao aa ciencia. O Newton
> da palestras muito boas aos 80 e tantos anos de idade, depois de uma
> carreira em que produziu ciencia da mais alta qualidade em um tempo em que
> o Brasil so contribuia para a ciencia e tecnologia da farinha de mandioca.
>                        Se um dia o Newton der uma palestra nao tao boa, eu
> aplaudirei igual, da mesma forma como eu aplaudia  com entusiasmo as
> palestras do Mario Schenberg...               Acho que valorizar nossos
> herois (sao os meus herois pelo menos) faz parte de um "Ego Nacional"
> saudavel. Tem gente que sai por ai com a camisa da selecao durante a copa e
> se sente muito bem. Eu me sinto bem homeageando aqueles que muito fizeram
> pela ciancia Brasileira nos (ainda mais) dificeis dias de seus primordios.
>                         ---Julio Stern                    PS: Nos USA, os
> argumentos do Sheldon esculhambando o Einstein sao piadas na serie de TV
> Big Bang Theory.    Todavia, se ambos fossem brasileiros, garanto que
> haveriam varios Sheldons de carne e osso soltando argumentos deste tipo por
> ai, e muitos mais  intelectuais de botiquim a lhes fazer coro...
>
> > From: [email protected]
> > Date: Sun, 28 Apr 2013 19:25:02 -0400
> > CC: [email protected]
> > Subject: Re: [Logica-l] 11 dreams for the publishing debate,  by Peter
> Krautzberger
> >
> > Caros.
> >
> > Críticas ao Newton são benvindas, e nunca devem ser censuradas e podem
> > ser respondidas, igualmente sem censura.  Gostaria mais se viessem de
> > FORA de nossa comunidade, pois isso indicaria maior difusão das ideias
> > do Newton.
> >
> > A minha opinião sobre esta disucussão toda: ela me lembrou um diálogo
> > num seriado de TV, o Big Bang Theory:
> >
> > Sheldon: Cientistas que praticam relações sexuais fazem ciência de
> > baixa qualidade.
> > Leonard: Mas é sabido que Einstein era bastante assíduo nestas práticas.
> > Sheldon: É por isso que ele nunca gerou uma teoria da unificação das
> > forças físicas!  Essa sua observação sobre Einstein só vem me dar
> > razão sobre os efeitos das relações sexuais.  Mais uma vez v vem me
> > dar razão.
> >
> > Abraços
> >
> > Marcelo
> >
> > 2013/4/28 Francisco Gomes Martins <[email protected]>:
> > > Isso Rodrigo. Abalou as estruturas do nosso paroquialismo tupiniquim.
> > > Interessante ver (não ler) o *silêncio ensurdecedor* dos sempre
> boquirrotos
> > > desta lista.
> > > Mas saiba:não será convidado para o chazinho da inoxidável Academia.
> Não
> > > perderá muita coisa.
> > >
> > >
> > > Em 28 de abril de 2013 15:50, Rodrigo Podiacki <[email protected]
> >escreveu:
> > >
> > >> Não tem a ver com o assunto da lista, mas tem a ver com a forma como
> esta
> > >> tem funcionado. Para mim, foi pertinente a comparação com as pessoas
> que
> > >> falam alto. E o pior: alardeando méritos que efetivamente não têm.
> > >> Felizmente, isso está ficando claro para todo mundo, o que me faz
> acreditar
> > >> que minha intervenção valeu a pena.
> > >>
> > >>
> > >> Em 28 de abril de 2013 13:05, Walter Carnielli
> > >> <[email protected]>escreveu:
> > >>
> > >> > Resposta: isso nao tem NADA a ver com a Lista, e, apesar de
> divertido,
> > >> > acaba cansando...
> > >> >
> > >> > Walter
> > >> > Em 28/04/2013 12:46, "Eduardo Ochs" <[email protected]>
> escreveu:
> > >> >
> > >> > Décio,
> > >> >>
> > >> >> deixa eu te contar uma historinha.
> > >> >>
> > >> >> Em 2006 eu trabalhava como programador na Vivo, e eu tinha acabado
> de
> > >> >> ser realocado pra "sede principal", ou algo assim, da Vivo no Rio,
> que
> > >> >> era um prédio enorme, muito chique, na Barra da Tijuca. Esse
> > >> >> prédio era muito mais longe pra mim que o anterior, e eu levava
> > >> >> duas horas pra chegar lá. Além disso o grupo de programadores de
> > >> >> lá com o qual eu deveria me entrosar MUITO bem era socialmente
> > >> >> dominado por vários pós-adolescentes vândalos homofóbicos,
> > >> >> e eu ganhava bem pouco.
> > >> >>
> > >> >> A gente trabalhava numa sala muito grande, com umas 200 ou 300
> > >> >> pessoas, e divisórias baixas entres as baias. Certos projetos
> > >> >> importantes tinham deadlines estourando, os grupos que cuidavam
> deles
> > >> >> fizeram trabalhos de equipe maravilhosos, e a partir daí muitas
> > >> >> pessoas desses grupos passaram a se comportar como as engrenagens
> > >> >> principais de uma máquina bem azeitada, e a falarem muito alto,
> > >> >> como se fossem os personagens principais de um filme, e como se
> tudo
> > >> >> que eles pensassem e dissessem fosse muito importante pra todos
> > >> >> nós.
> > >> >>
> > >> >> As pessoas "secundárias" nesses projetos rapidamente se tornarem
> > >> >> quietas de novo, mas os líderes dos projetos não. E a tensão
> > >> >> do trabalho diminuiu e eles começaram a cuidar de outras coisas.
> > >> >>
> > >> >> Um deles passou dias falando do GPS que ele ia comprar pro carro
> que
> > >> >> ele ia alugar pra uma viagem pros Estados Unidos, e depois dias
> entre
> > >> >> histérico, decepcionado e amargurado, passando literalmente _horas_
> > >> >> lá no trabalho a cada dia tentando reclamar com o fabricante (e com
> > >> >> os colegas).
> > >> >>
> > >> >> Outro, que já tinha sido professor de sei lá que faculdade
> > >> >> privada, e que falava MUITO alto e MUITO devagar, passou um dia
> > >> >> inteiro brigando com o cara que tinha montado um super-servidor com
> > >> >> mil garantias e certificações, e que aí conseguiu
> > >> >> forçá-lo - ou seja, forçar a Vivo - a pagar cem mil reais por
> > >> >> um pente de memória RAM com o selinho certo pro servidor, porque se
> > >> >> a Vivo tentasse aumentar a memória do servidor com peças não
> > >> >> certificadas as garantias iriam pro brejo. Até aí tudo bem, mas
> > >> >> num outro dia esse cara passou horas no telefone, com a mesma voz
> - e
> > >> >> ele ficava só a uns 20 metros de mim, eu não tinha como perder
> > >> >> um fonema do que ele falava, nem quando eu tentava ouvir música bem
> > >> >> alto nos headphones -, falando com a amante, e depois mais várias
> > >> >> horas tentando acalmar a esposa, e depois, num outro dia, umas duas
> > >> >> horas tentando convencer um professor da UERJ a aprová-lo numa
> > >> >> matéria, porque era a última que ele precisava pra terminar a
> > >> >> graduação, e afinal qual era a importância daquela
> > >> >> matéria, o objetivo do curso não é encaixar as pessoas no
> > >> >> mercado de trabalho? Porque ele já tem um empregão etc etc...
> > >> >>
> > >> >> A historinha era essa. Ou melhor, este é o lado visível dela. O
> > >> >> lado invisível é que eu queria, e precisava, me concentrar no
> > >> >> meu trabalho lá na Vivo mas comecei a não conseguir. Não
> > >> >> tenho nem como resumir o que essa situação me fazia pensar, mas
> > >> >> posso dar alguns exemplos: 1) porque é que aquelas pessoas se davam
> > >> >> ao direito de falar tão alto, 2) se alguém mais se incomodava,
> > >> >> 3) que o profissional perfeito se concentra só no seu trabalho e
> > >> >> portanto eu não era o profissional perfeito, 4) porque é que
> > >> >> ninguém fazia nada, 5) se havia algo que alguém que não fosse
> > >> >> os chefões poderia fazer, 6) se os caras que falavam alto
> > >> >> ridicularizariam qualquer um que viesse conversar com eles, 7) que
> > >> >> sociedade era aquela - aquele ambiente de 200 ou 300 pessoas da
> Vivo,
> > >> >> 8) que os meus poucos colegas de trabalho que não eram grossos
> > >> >> pareciam profundamente infelizes, 9) que o "mercado" para
> > >> >> programadores no Brasil devia ser praticamente todo feito de
> ambientes
> > >> >> daquele tipo ou piores, 10) que se eu não fazia nada a respeito,
> > >> >> nem sequer conversar com os meus colegas, eu estava sendo cúmplice,
> > >> >> 11) o que quereria dizer crescer naquele trabalho? Será que era eu
> > >> >> um dia poder ser o cara que fala alto? 12) como era o "mundo
> exterior"
> > >> >> que fazia com que esse tipo de ambiente fosse normal, 13) que eu
> era
> > >> >> contratado pra dedicar toda a energia possível, durante 8 horas por
> > >> >> dia, à empresa, ou aos projetos (técnicos) sob minha
> > >> >> responsabilidade, algo assim - então como é que eu poderia fazer
> > >> >> isso sem sentir que eu estava traindo tudo o que eu acreditava,
> isto
> > >> >> é, sem apoiar uma sociedade doente?
> > >> >>
> > >> >>
> > >> >> O que isto tem a ver com a Lista de Lógica
> > >> >> ==========================================
> > >> >> Então: esta pergunta é irrespondível. Quem vai dar a resposta
> > >> >> definitiva? Eu? Você? A maioria? Deus? Um teorema? Um teste
> > >> >> duplo-cego randomizado? Um comitê especialmente designado? A
> > >> >> decisão do comitê é soberana? Cabe recurso?
> > >> >>
> > >> >> Qualquer um pode dizer que nada tem a ver com nada. Mas ACHO que
> > >> >> não é por aí. Acho que quem der argumentos interessantes vai
> > >> >> ser ouvido por alguns dos demais, mesmo que alguma autoridade já
> > >> >> tenha dito "não há nada pra discutir" e "assunto encerrado".
> > >> >>
> > >> >>
> > >> >> O que eu quero ser quando eu crescer
> > >> >> ====================================
> > >> >> Quando eu comentei sobre a palestra do Newton alguns dos assuntos
> que
> > >> >> eu pensei que apareceriam era: como nós damos as nossas palestras
> > >> >> agora, o que a gente faz pra que cada pessoa da platéia aprenda
> > >> >> algo interessante, e como a gente se planeja pra continuarmos a ser
> > >> >> palestrantes interessantes, aliás se possível ainda melhores,
> > >> >> daqui a décadas... mas o subtexto que eu vi em algumas respostas
> > >> >> foi "prove grandes teoremas (e aí você vai poder fazer o que
> > >> >> quiser)". Mas isto me parece muito primário.
> > >> >>
> > >> >>
> > >> >> O que é a Lista de Lógica
> > >> >> =========================
> > >> >> Pra muitos de nós que participamos dela ela é um dos ambientes
> > >> >> nos quais a gente vive - mesmo que passemos só poucos minutos por
> > >> >> dia nela - e é uma das nossas referências de um lugar no qual
> > >> >> deveria ser possível argumentar de forma interessante.
> > >> >>
> > >> >> As "pessoas que falam alto" da lista, como os líderes de projeto da
> > >> >> minha história, incomodam bastante. Aliás, corrijo: incomodam
> > >> >> aos que não são os "profissionais perfeitos", que se concentram
> > >> >> só nos seus trabalhos. Vou pegar um exemplo default: o Dória. A
> > >> >> gente fica pensando porque é que o Dória posta as coisas que
> > >> >> posta; a gente sabe que não adianta perguntar pra ele nem pedir pra
> > >> >> ele mudar, então a gente usa o Dória como ponto de partida pra
> > >> >> pensar sobre mil outras coisas.
> > >> >>
> > >> >> Eu apostaria R$20 que as pessoas que se incomodam com os posts do
> > >> >> Dória A) não são tão poucas (chute: são mais de 10) e
> > >> >> B) acharam o post do Rodrigo sobre a briga Dória / Moniz Bandeira
> > >> >> interessante pras suas próprias teorias doriológicas, e pra
> > >> >> pensarem - por associação livre, mesmo - sobre outras
> > >> >> questões de outros ambientes em torno de nós.
> > >> >>
> > >> >> Oops, vou ter que interromper e sair, vou postar assim mesmo.
> > >> >>
> > >> >>   Abraços,
> > >> >>     Eduardo Ostra
> > >> >>     [email protected]
> > >> >>     http://angg.twu.net/
> > >> >>     http://angg.twu.net/quadradinho/quadradinho-a5.pdf
> > >> >>
> > >> >>
> > >> >>
> > >> >> 2013/4/27 Rodrigo Podiacki <[email protected]>
> > >> >>
> > >> >> > Décio,
> > >> >> >
> > >> >> > Acho que você está pegando frases isoladas, que somente podem ser
> > >> >> > > entendidas dentro  de um contexto.
> > >> >> > >
> > >> >> >
> > >> >> > O contexto está bem claro nos* links*. Isolei as frases que
> achei mais
> > >> >> > significativas. Os interessados podem abrir os* links* e ter
> acesso ao
> > >> >> > contexto.
> > >> >> >
> > >> >> >
> > >> >> > > Eu me lembro mais ou menos dessa discussão de Newton+Doria com
> o
> > >> >> Solovay,
> > >> >> > > mas para não cairmos no argumento da autoridade, você deveria
> > >> >> analisar o
> > >> >> > > trabalho deles por si mesmo.
> > >> >> > >
> > >> >> >
> > >> >> > Não houve discussão. Ela foi encerrada da maneira padrão, como
> > >> descrevi
> > >> >> > anteriormente. Estou me valendo do mesmo expediente utilizado
> pela
> > >> >> pessoa
> > >> >> > que critico (com referências mais concretas).
> > >> >> >
> > >> >> >
> > >> >> > > Puxa, Rodrigo, que tal falar de outras coisas na lista?
> > >> >> > >
> > >> >> >
> > >> >> > Falaremos de outras coisas quando o assunto se esgotar. Eu não
> peço
> > >> para
> > >> >> > falar de outras coisas quando o assunto é tomar um vinho em
> Paris ou
> > >> uma
> > >> >> > sinfonia de Beethoven, ou o PT. As pessoas são livres para falar
> > >> sobre o
> > >> >> > que quiserem, e, dado o retorno particular que estou tendo,
> outros
> > >> >> > gostariam de dizer o que eu disse.
> > >> >> >
> > >> >> > Um abraço
> > >> >> > _______________________________________________
> > >> >> > Logica-l mailing list
> > >> >> > [email protected]
> > >> >> > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
> > >> >> >
> > >> >> _______________________________________________
> > >> >> Logica-l mailing list
> > >> >> [email protected]
> > >> >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
> > >> >>
> > >> >
> > >> _______________________________________________
> > >> Logica-l mailing list
> > >> [email protected]
> > >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
> > >>
> > > _______________________________________________
> > > Logica-l mailing list
> > > [email protected]
> > > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
> > >
> >
> >
> >
> > --
> > Marcelo Finger
> > Department of Computer Science, Cornell University
> >
> > on leave from:
> >  Departament of Computer Science, IME
> >  University of Sao Paulo
> >  http://www.ime.usp.br/~mfinger
> > _______________________________________________
> > Logica-l mailing list
> > [email protected]
> > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
>
> _______________________________________________
> Logica-l mailing list
> [email protected]
> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
>
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a