Prezado Gustavo,

Não apenas acredito, como já é realidade em diversos países. Por norma pessoal 
eu não cito nomes e empresas, mas se procurar nos EUA vc encontrará centenas de 
exemplos. Estou falando de empresas que não são fornecedoras de tecnologia. As 
que são já fazem isto há algum tempo.

Algumas empresas que citou, o CIO faz parte do board de decisão da estratégia 
nos Estados Unidos. No Brasil são raros os profissionais que conseguem falar de 
tecnologia e negócio, por isto a grande quantidade de executivos de negócio 
assumindo posições de TI. Procure reportagens na computerworld e infocorporate, 
informationweek e CIO que vc encontrará centenas de casos de gente no Brasil da 
área de negócios assumindo a gestão de TI.

Existe um erro conceitual quando as pessoas falam de ITIL, COBIT e outras 
ferramentas de governança de TI. Ferramentas são apenas ferramentas. Ser 
aderente ao ITIL não significa que a empresa consegue gerenciar o negócio com 
visão de mercado. Eu conheço raros service catalog cujos serviços falam do 
negócio. A coisa mais comum que encontro é aparecer como serviço de TI acesso à 
rede ou pesquisa de satisfação. Este tipo de definição simplesmente impede 
qualquer tipo de participação do CIO na estratégia. O motivo é bem simples. Foi 
jogado dinheiro no lixo. O CIO economizou na contratação de um real 
profissional de ITIL e gerou apenas e tão somente nada. Quem faz isto não entra 
no board de uma empresa e fica sempre como centro de custos.

Não gosto de citar nomes como falei anteriormente, mas recomendo que veja o 
caso da empresa chamada INFONET. Vai encontrar um empresa de telecom vendendo 
serviços de TI com base na estratégia, qualidade e capacidade. Outro nome para 
ter em mente é o caso do CIO das casas Bahia. Ele não era de TI. Parei de fazer 
propaganda de graça....Sorry. Mas te afirmo são centenas os exemplos no mercado.

Discordo sobre a sua afirmação "Mas fica mais complicado na medida em que as 
premissas existentes no modelo se tornam inválidas.". Não pretendo entrar à 
fundo neste assunto em fórum público, mas em função do que tenho visto em 
execução no mercado nacional eu diria que o problema é da alçada de modelo de 
negócio completamente furado, capital intelectual de menos e problemas de 
entendimento. 

Cordialmente
Ricardo Mansur
  ----- Original Message ----- 
  From: Gustavo Tavares 
  To: [email protected] 
  Sent: Tuesday, June 23, 2009 6:17 PM
  Subject: Re: [itsm_br] Re: ITIL v3 - Service Model / Modelo de Serviço





  Mansur,

  Vc acredita mesmo que o CIO possa vir a conduzir a criação da estratégia de 
uma organização? Veja bem, conduzir é diferente de influenciar, é diferente de 
se envolver. Conduzir é dar as linhas mestras. É dar o direcionamento e 
recolocar a discussão nos trilhos quando os objetivos estiverem divergindo. Até 
entendo que organizações que se estruturem no conceito de eBusiness possam ter 
um direcionamento baseado no ITIL. Mas mesmo organizações baseadas no modelo 
eBusiness são difíceis de se encontrar.

  Nem as organizações provedoras de serviços de TI não são criadas e geridas 
com estratégias baseadas na TI. Grandes empresas de serviços de TI (eu 
trabalhei em uma grande multinacional de TI durante alguns anos) costumam 
desprezar totalmente a tecnologia na sua estratégia. Pegue o exemplo de IBM, 
EDS, Accenture, TATA e até mesmo as nacionais TOTVS. Você diria que elas 
baseiam suas estratégias em serviços de TI ou mesmo em ativos de TI. Isto 
porque nestas organizações ITIL é quase um requisito básico para os 
profissionais. Nem mesmo as organizações de telecom (trabalhei com consultoria 
em uma durante um ano) que são totalmente dependentes dos ativos de TI montam 
sua estratégia considerando suas capacidades de TI. Só conheço o exemplo de 
duas organizações do mercado de TI que implementaram uma grande mudança e 
geraram vantagens estratégicas por meio da TI. A CISCO e a DELL. E nem sei bem 
se poderiamos dizer que estas são organizações de TI (acredito que não). Mas 
enfim, não é porque eu não conheço que não existam. Na verdade eu não 
arriscaria dizer que não existem empresas de TI com a estratégia baseada nas 
suas competências de TI. Disse anteriormente que não sou lá uma fonte muito 
confiável. Continuo não sendo.

  Mas o meu ponto é: o ITIL v3 se baseia em uma premissa: a capacidade da TI 
conduzir a definição da estratégia, que acredito ser muito difícil existir no 
mundo real. E isto acaba por deixar o modelo um pouco manco. Como disse o 
Marcus, o velho ITIL ainda está lá, é verdade. Ele ainda consegue ser aplicado 
nas organizações internas e até mesmo nas provedoras de serviço. Consegue ser 
adaptado é verdade. Mas fica mais complicado na medida em que as premissas 
existentes no modelo se tornam inválidas.

  Reforçando uma questão que foi colocada anteriormente, este é um 
"conversartion starter". Nenhuma destas opiniões ainda estão consolidadas. Mas 
por enquanto elas me parecem as mais críveis.

  Abraços,

  Gustavo Tavares
  Lkdin: www.linkedin.com/in/gustavares
  Via6: www.via6.com/gustavares




  2009/6/23 MansurR <[email protected]>





    Prezado Gustavo,

    Acho que um exemplo vai ajudar.

    Um serviço de negócio é por exemplo transporte. Um exemplo de processos de 
negócio é vendas. Os serviços de TI habilitam os processos de negócio à 
entregar os serviços de negócio.

    Em resumo business assets representa ativos mais amplos do que apenas 
ativos de TI. Não existe separação. 

    Não deveria existir um serviço não relacionado ao negócio, mas eles existem 
e muitas vezes representam as ineficiências e desperdícios da empresa.

    Sobre o vosso comentário, no momento que TIC tornar-se o negócio da empresa 
ela assume o CIO assume o papel de parte ativa da estratégia.

    Diversas empresas que não são de TI estão transformando-se em empresas de 
negócio TI. 


    Cordialmente
    Ricardo Mansur
      ----- Original Message ----- 
      From: Gustavo Tavares 
      To: [email protected] 
      Sent: Tuesday, June 23, 2009 11:02 AM
      Subject: Re: [itsm_br] Re: ITIL v3 - Service Model / Modelo de Serviço


      OLá Marcus,

      Com relação à localização do termo Business Assets, realmente ele não 
consta na seção 7.2.1 do livro. Ele na verdade está em outras seções, mas 
orientadas justamente ao direcionamento do provedor de serviços ao market 
space. Eu o coloquei na mesma pergunta pois acho que faciliaria muito o meu 
entendimento fazer um paralelo entre o que seriam: service assets, customer 
assets e business assets.

      Olá Mansur,

      Entendi a distinção que vc fez com relação aos business assets, service 
assets e customer assets. Mas ainda existem algumas pulgas atrás da minha 
orelha. Você fala que business assets são relacionados aos requisitos e 
processos de negócio. Ok. Mas qual o sentido de existir esta distinção? Falo 
isto porque no meu entender é um conceito redundante visto que não existe 
sentido em possuir service assets que não estejam atendendo aos requisitos e 
processos de negócio. Podemos até dividir os service assets em ativos primários 
e ativos de suporte, mas dizer que alguns ativos estão relacionados ao negócio 
e outros estão relacionados ao serviço para mim é um equívoco. Tudo deve estar 
relacionado ao negócio !! O que não está relacionado ao negócio não precisa 
existir. Você concorda comigo? Ou ainda falta alguma coisa no meu raciocínio?

      Com relação à todas as respostas:

      Alguns aspectos colocados nas respostas parecem reforçar uma impressão 
que estou tendo durante a leitura do livro Service Strategy. Ele está se 
direcionando mais e mais a organizações especializadas em prover serviços de TI 
para o mercado. Ele até referencia organizações internas de TI mas sua ênfase é 
claramente identificada em organizações fornecedoras de serviços de TI. 
Mercadologicamente é como se ele estivesse se posicionando como um concorrente 
da metodologia eSCM-SP. É como se ele estivesse atuando para atender a um 
"market space" específico.

      Agora uma opinião para ser criticada:

      Se é isto mesmo me parece que a evolução do ITIL vai acabar afastando-o 
do mercado original e no qual ele se consolidou (ao menos no Brasil). Tá certo 
que existe a recomendação de que: a biblioteca deve ser avaliada criticamente e 
adequada à cada realidade. Mas a integração das diversas fases do ciclo de vida 
(strategy, design, transition, operation e CSI) acaba por limitar esta 
adequação. Hoje por exemplo as iniciativas de melhoria contínua estão 
totalmente relacionadas às definições de estratégia de serviços. Até é possível 
aplicar algumas das técnicas de CSI sem se relacionar à estratégia definida. 
Mas estas técnicas não são originárias do ITIL. Foram apenas compiladas de 
outras iniciativas (TQM, Lean, Six-Sigma, etc). Ou seja, de novo mesmo o ITIL 
v3 trouxe apenas a integração de tudo isto em um ciclo de vida comum.

      Um outro aspecto que o distancia das organizações internas de TI é a 
abordagem para criação da estratégia. Ele direciona, como bem pontuou o Marcus, 
para a criação de estratégias para atender às necessidades gerais do mercado 
(market space). Entretanto isto só seria válido em uma organização onde a TI 
fosse o driver exclusivo da geração da estratégia organizacional. Ou seja, os 
conceitos do service strategy parecem somente ser aplicáveis se a organização é 
criada um função das suas capacidades técnológicas (service assets). 
Teoricamente isto é possível, mas pergunto a vocês: Em qual organização 
Brasileira ou Mundial a definição do posicionamento estratégico se dá a partir 
da avaliação dos service assets? Em outras palavras: Em qual organização do 
Brasil ou do Mundo o CIO/Diretor de TI é o executivo principal no processo de 
criação da estratégia?

      Até existe um artigo famoso de Hendersen e Venkatraman (Strategic 
Alignment: Leveraging Information Technology For Transforming Organizations) 
publicado no volume 32 do IBM Systems Journal no ano de 1993, que fala sobre a 
estratégia de TI direcionando a estratégia da organização. Mas nos termos do 
artigo isto só acontece quando a organização não possui uma estratégia 
claramente definida. Só acontece em organizações imaturas onde a TI acaba 
criando restrições e impondo comportamentos desejados às outras áreas da 
organização. É a criação de uma estratégia organizacional emergente, baseada 
nos direcionamentos da estratégia de TI. Totalmente diferente da visão de 
estratégia deliberada, criada a partir de decisões racionais que envolvem 
avaliação do mercado e negociação com as áreas internas pregada pelo ITIL v3.

      O que acham? Esta á uma opinião minha que ainda não está fechada. São uma 
série de sentimentos a respeito do ITIL v3 que precisam ser questionados e 
colocados a prova. Gostaria da ajuda de vocês para rebater estes meus 
argumentos ou até mesmo concordar com eles.

      Abraços,

      Gustavo Tavares
      Lkdin: www.linkedin.com/in/gustavares
      Via6: www.via6.com/gustavares


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