Prezados (as),

Prezado Gustavo,

Quem define a estratégia de uma empresa é a sua diretoria (board). O papel do 
CSO é ser na prática um facilitador para consolidar as iniciativas e permitir 
que a diretoria acompanhe e monitore a execução das inciativas. Nenhuma empresa 
(ou apenas algumas poucas) define a sua estratégia pela cabeça de uma única 
pessoa, por isto o CSO tem este papel de facilitador. 

São raros os CIOs que participam da definição da estratégia no Brasil, muito em 
função dos resultados alcaçados por TI. No entanto os que conquistaram lugar no 
board todos participam da definição, acompanhamento e monitação da estratégia. 
É preciso tomar cuidado com o conceito pois fiquei com a impressão que tens a 
expectativa que o CSO defina sozinho a estratégia da empresa. Em empresas de 
médio e grande é sempre um colegiado que faz isto. Em geral este papel é 
exercido pelo conselho de administração nas empresas com governança avançada.

A questão para desbancar COO ou CEO não passa pelo método. É puro e simples 
resultado agregado ao negócio. Se o CIO conseguir resultados ricos com a sua 
gestão ele desbanca. Se os resultados forem pobres ele sequer consegue se 
manter no board. Para o CEO e acionistas o método não importa. O importante é 
alcançar o resultado prometido.

O que eu não discuto em fórum público é a explicitação da minha parte de nomes 
de empresas. O assunto modelo de serviços de tic eu discuto sim.

Gustavo, se o capital intelectual fosse adequado existiria no Brasil uma maior 
quantidade de bases de conhecimento que não são mera cópias do que foi 
publicado na internet e o catálogo de serviço estaria definido de forma 
correta. São raros os casos de SLAs adequadamente definidos e medidos. Por 
favor observe que capital intelectual não é sinônimo de inteligência.

Novamente eu reforço a questão que eu não cito nomes de empresas de fórum 
público. Se quiser faço em private. Creio que não fui bem entendido por vc. Eu 
discuto sim o assunto em fórum público. Só não cito nomes e nem avanço no tema 
específico "Mas fica mais complicado na medida em que as premissas existentes 
no modelo se tornam inválidas" em fórum público. Não entenda como falta de boa 
vontade para compartilhar conhecimento com a comunidade. Espero que entenda que 
para entrar neste ítem em particular é preciso falar de forma clara nomes e 
fatos.
 
Cordialmente
Ricardo Mansur
  ----- Original Message ----- 
  From: Gustavo Tavares 
  To: [email protected] 
  Sent: Wednesday, June 24, 2009 5:47 PM
  Subject: Re: [itsm_br] Re: ITIL v3 - Service Model / Modelo de Serviço





  Mansur,

  Acho que não me expressei bem. Quando eu disse que não vejo os CIOs 
conduzindo a estratégia da empresa eu não disse que eles não fazem parte do 
board. Eu estou certo que existem nos EUA, na Europa, na India e no Brasil 
empresas que contam com CIO no board. Eu conheço pessoalmente alguns CIOs que 
fazem parte do board das organizações onde desempenham suas funções aqui no 
Brasil. O que eu estava tentando dizer é: Os CIOs não fazem o papel de CSO 
(Chief Strategy Officer). E o ITIL v3 foi escrito, na minha visão, com a 
premissa de que o CIO desempenha também o papel de CSO.

  É apenas um detalhe. Mas é um detalhe importante que se resume na seguinte 
pergunta: O CIO vai conseguir direcionar todo o processo de geração da 
estratégia da organização de acordo com os princípios do ITIL v3? Ele vai 
conseguir desbancar o CEO ou o COO e dizer: "Tenho um método de geração da 
estratégia melhor do que o seu, vamos usá-lo!!" Veja que não estou falando em 
seguir fielmente o ITIL v3 para gerar a estratégia. Estou falando em levantar 
as abstrações por ele apresentadas como Business Assets, Service Assets e 
Customer Assets e outras.

  Eu respeito sua posição de não querer discutir isto em um fórum público. Mas 
eu discordo do seu diagnóstico com relação a falta de capital intelectual do 
mercado nacional. Embora concorde com a questão do modelo de negócio furado, 
acho que isto acontece mais em virtude da falta de discussão a respeito das 
"melhores práticas" importadas. A "falta de entedimento", como você bem 
colocou, acontece porque ao ler o que é "a mais nova moda" vinda "dos 
estrangero" os profissionais não se preocupam em avaliar se as práticas desta 
nova moda são aplicáveis à sua realidade. Eles não se preocupam em questionar o 
que foi pregado pelos "experts". One size fits all.

  Discordando de vc eu acredito que este seja um bom fórum para levantar estas 
questões e discutí-las em profundidade. Não conheço todos, mas conheço 
pessoalmente algumas poucas pessoas que dele participam e, honestamente, estas 
pessoas contam com a minha admiração profissional. São pessoas as quais eu 
procuro ouvir atentamente, principalmente quando vão criticar as minhas 
opiniões. 

  E infelizmente este é um assunto que não comporta discussões superficiais. As 
discussões superficiais acabam com "tá escrito assim", "é o que diz o ITIL" (by 
the way, eu tive um líder de projeto que sempre encerrava as discussões assim). 
Esta discussão envolve avaliar o que está escrito e dizer: será?? sei não 
heim!!! Envolve tirar o ITIL do pedestal que ele se encontra e questionar seus 
dogmas. Envolve avaliar o que ele prega e entender a sua aplicação no contexto 
das empresas. Até mesmo para dizer: Putz !! Esta é mesmo a melhor solução. Mas 
como disse anteriormente, eu respeito a sua decisão de não querer discutir o 
assunto em profundidade.

  Cordialmente,
  Gustavo Tavares




  2009/6/24 MansurR <[email protected]>


    Prezado Gustavo,

    Não apenas acredito, como já é realidade em diversos países. Por norma 
pessoal eu não cito nomes e empresas, mas se procurar nos EUA vc encontrará 
centenas de exemplos. Estou falando de empresas que não são fornecedoras de 
tecnologia. As que são já fazem isto há algum tempo.

    Algumas empresas que citou, o CIO faz parte do board de decisão da 
estratégia nos Estados Unidos. No Brasil são raros os profissionais que 
conseguem falar de tecnologia e negócio, por isto a grande quantidade de 
executivos de negócio assumindo posições de TI. Procure reportagens na 
computerworld e infocorporate, informationweek e CIO que vc encontrará centenas 
de casos de gente no Brasil da área de negócios assumindo a gestão de TI.

    Existe um erro conceitual quando as pessoas falam de ITIL, COBIT e outras 
ferramentas de governança de TI. Ferramentas são apenas ferramentas. Ser 
aderente ao ITIL não significa que a empresa consegue gerenciar o negócio com 
visão de mercado. Eu conheço raros service catalog cujos serviços falam do 
negócio. A coisa mais comum que encontro é aparecer como serviço de TI acesso à 
rede ou pesquisa de satisfação. Este tipo de definição simplesmente impede 
qualquer tipo de participação do CIO na estratégia. O motivo é bem simples. Foi 
jogado dinheiro no lixo. O CIO economizou na contratação de um real 
profissional de ITIL e gerou apenas e tão somente nada. Quem faz isto não entra 
no board de uma empresa e fica sempre como centro de custos.

    Não gosto de citar nomes como falei anteriormente, mas recomendo que veja o 
caso da empresa chamada INFONET. Vai encontrar um empresa de telecom vendendo 
serviços de TI com base na estratégia, qualidade e capacidade. Outro nome para 
ter em mente é o caso do CIO das casas Bahia. Ele não era de TI. Parei de fazer 
propaganda de graça....Sorry. Mas te afirmo são centenas os exemplos no mercado.

    Discordo sobre a sua afirmação "Mas fica mais complicado na medida em que 
as premissas existentes no modelo se tornam inválidas.". Não pretendo entrar à 
fundo neste assunto em fórum público, mas em função do que tenho visto em 
execução no mercado nacional eu diria que o problema é da alçada de modelo de 
negócio completamente furado, capital intelectual de menos e problemas de 
entendimento. 

    Cordialmente
    Ricardo Mansur



  

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