Boa tarde João,

Em anexo envio-te a versão portuguesa do meu case study. Desculpa o trabalho 
que tiveste a traduzi-lo...


Abraço!
Pedro





----- Original Message -----
From: Jonny_forest_GIS

Boas,

Pessoal já nos pudemos "sentar" a discutir os termos e começar a rever o
texto ;).

Pedia aos contribuidores de artigos presentes no site, se podiam ser eles a
rever a tradução para português se esta bem ou precisa de ser alterado de
outra forma.



Abraços
João



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que a usam frequentemente" [Carlyle, Thomas]

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QGIS e Cartografia de Perigosidade e Risco de Incêndio Florestal em Portugal


Todos os anos, centenas de incêndios consomem vastas áreas de floresta e mato 
em Portugal, traduzindo-se esta realidade em enormes perdas económicas, 
sociais e ambientais.

Para fazer face a este risco, o governo português, através da Autoridade 
Florestal Nacional (AFN), decidiu criar gabinetes técnicos nas autarquias 
locais com a finalidade de, entre outras atribuições, elaborar Planos 
Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios e Planos Operacionais 
Municipais.

A AFN desenvolveu uma metodologia para calcular e cartografar a perigosidade e 
o risco de incêndio florestal, que permite identificar as áreas mais 
susceptíveis ao fenómeno e as áreas com maior potencial de perda, e criou 
guias técnicos para apoiar na elaboração dos planos municipais. Para além 
disso, disponibilizou um tutorial em vídeo, onde apresenta essa metodologia, 
utilizando software proprietário. Contudo, os custos de aquisição e 
licenciamento desse software são incomportáveis para a maioria das autarquias 
de pequena dimensão. 

Assim, decidiu criar-se e disponibilizar-se um guia com uma metodologia para a 
produção de cartografia de Perigosidade e Risco de Incêndio Florestal com 
recurso, em exclusivo, a software livre e de código aberto [1], nomeadamente: 
QGIS, GRASS GIS, gvSIG e bibliotecas GDAL/OGR. O guia descreve todas as tarefas 
de geoprocessamento necessárias à elaboração do Plano Operacional 
Municipal, segundo a metodologia da AFN.

Grande parte das tarefas foram levadas a efeito com o QGIS, tendo-se utilizado 
o GRASS para as rotinas de análise espacial no modelo raster. O gvSIG foi 
utilizado essencialmente para o cálculo de tempos de deslocação e análise 
de redes, por intermédio da sua extensão Network Analysis, e as bibliotecas 
GDAL/OGR permitiram fazer transformações entre diversos sistemas de 
referência.

Após um vasto conjunto de testes à metodologia, e de três anos de 
aplicação real à elaboração do Plano Operacional Municipal do concelho de 
Pinhel, pode dizer-se que as alternativas propostas permitem substituir, com 
muitas vantagens, os softwares proprietários que geralmente são utilizados 
para essa tarefa.
A validação dos resultados tem permitido concluir que, apesar da relativa 
simplicidade do modelo conceptual, a metodologia possui uma capacidade 
preditiva bastante boa, e que a sua implementação em software Open Source 
não interfere de forma negativa com os resultados obtidos, bem pelo 
contrário. 


Numa segunda fase, procurou agilizar-se este processo, através da sua 
automatização, com recurso a modelos que estabelecem um fluxo de trabalho e 
que executam um vasto conjunto de tarefas, praticamente sem necessidade de 
intervenção humana.
Esta segunda fase consistiu, essencialmente, na automatização de todo o 
processo descrito no guia prático que resultou da primeira fase. Esta 
automatização poderá significar a redução de várias horas de intenso 
trabalho por parte do técnico que pretende elaborar anualmente o Plano 
Operacional Municipal, para apenas alguns minutos, nos quais a intervenção 
humana se resume à selecção dos dados de entrada e à indicação do local 
onde se pretendem guardar os dados de saída.

Para a prossecução desta segunda fase, recorreu-se à versão Python do 
software Sextante, que funciona integrado no QGIS e que agrega um vasto 
conjunto de aplicações independentes (GRASS GIS, SAGA GIS, OTB, R, GDAL/OGR, 
Pymorph, LASTools, scrips Python, etc.) numa interface única, constituindo uma 
enorme "caixa de ferramentas" de geoprocessamento para o QGIS. Para além da 
integração dessas aplicações no QGIS, o Sextante tem uma ferramenta que 
permite criar modelos, tirando partido dos módulos disponibilizados por 
quaisquer daqueles softwares que agrega.
Assim, criou-se um modelo que permite automatizar o processo de produção de 
cartografia de Perigosidade e Risco de Incêndio Florestal, utilizando 
ferramentas do GRASS, SAGA, fTools e MMQGIS.

Os resultados conseguidos até ao momento são bastante promissores, na medida 
em que já se consegue chegar, de forma automática, à criação das cartas 
finais de Perigosidade e Risco [2]. 
Tendo em conta que a versão Python do Sextante é ainda muito recente e se 
encontra em fase de desenvolvimento, exitem alguns problemas que necessitam de 
ser corrigidos para que os modelos sejam concluídos, o que certamente 
acontecerá muito em breve, dada a vitalidade do projecto Sextante.

Como trabalho futuro, pretende aplicar-se, também de forma automática, a 
respectiva simbologia aos resultados, bem como disponibilizar os layouts finais 
no Composer do QGIS, prontos para exportação e/ou impressão.
Após a conclusão desta segunda fase e da realização de um conjunto 
suficiente de testes que permitam validar os resultados obtidos, pretende 
disponibilizar-se o modelo de forma gratuita e aberta.


Conclusões

As alternativas estudadas revelaram-se de enorme qualidade, permitindo realizar 
todas as operações recomendadas nos Guias Técnicos da AFN, em muitos pontos, 
de forma até mais eficiente do que com softwares proprietários. 
Em termos de facilidade de utilização constatou-se, também, que este tipo de 
software não é, de forma nenhuma, mais complexo que o proprietário, exigindo 
apenas mais conhecimentos técnicos dos modelos e algoritmos implementados que, 
contudo, permitem um grau de liberdade muito superior, possibilitando explorar 
e afinar os modelos a cada situação em particular.
O processo de produção de cartografia de Perigosidade e Risco de Incêndio 
Florestal com recurso, em exclusivo, a software Open Source está perfeitamente 
consolidado, após vários anos de testes e aplicação na elaboração do 
Plano Operacional Municipal de Pinhel.

O facto do software Open Source se basear em standards e de suportar a maioria 
dos formatos de dados, permite uma completa interoperabilidade entre softwares, 
possibilitando optar pelo que mais convier ao utilizador em cada momento. 
Apesar da proposta apontar um conjunto específico de softwares, nada impede 
que sejam substituídos por quaisquer alternativas existentes no vasto leque de 
propostas de software de código aberto para Sistemas de Informação 
Geográfica. Contudo, o QGIS apresenta-se cada vez mais como a solução de 
código aberto para SIG mais completa, estável e fácil de usar, e cujo 
projecto é mais dinâmico, com uma rápida correção de erros e uma 
implementação quase diária de novos plugins que adicionam funcionalidades 
específicas para as mais diversas áreas de actuação.


Pedro Venâncio, Licenciado em Geologia, Pós-graduado em Software Livre e 
Mestre em Sistemas de Informação Geográfica. Foi investigador no Centro de 
Geofísica da Universidade de Coimbra, no Laboratório Nacional de Engenharia 
Civil e é actualmente responsável pelo Serviço de Cartografia e Sistemas de 
Informação Geográfica do Município de Pinhel.



Figura 1 - Mapas de Perigosidade e Risco de Incêndio Florestal do concelho de 
Pinhel, elaborados com software de código aberto.

Figura 2 - Interface do modelo do Sextante para calcular a Probabilidade de 
Incêndio Florestal.

Figura 3 - Parte do modelo desenvolvido para a automatização do processo de 
produção de cartografia de Perigosidade e Risco de Incêndio Florestal.
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