Oi, Artur:

Fiz alguns comentários (abaixo) sobre os 3 problemas que você mencionou.

[]s,
Claudio.

2018-08-01 15:48 GMT-03:00 Artur Steiner <[email protected]>:

> Pelo que já vi, a esmagadora maioria dos alunos do ensino médio teria
> muita dificuldade e nenhum interesse nesses problemas mais elaborados. O
> fato é que pouquíssimas pessoas apreciam matemática. A maioria odeia.
>
> É difícil apreciar algo que você nunca aprendeu direito e o máximo que fez
foi memorizar algumas fórmulas e alguns procedimentos que teve que
regurgitar numa prova.
A meu ver, um dos grandes problemas da matemática escolar é que os
professores raramente explicam o porquê das coisas, não mencionam que
problema prático as fórmulas e procedimentos foram criados pra resolver (o
que seria, a meu ver, a forma correta de contextualizar a matemática) e nem
como o criador da fórmula chegou até ela (muito provavelmente
experimentando, analisando casos particulares, raciocinando por analogia,
procurando invariantes, analisando situações extremas, etc - justamente as
técnicas que são ensinadas em cursos preparatórios pra olimpíadas).

Vou dar 3 problemas bem mais  simples do que os que vc deu e que quase todo
> mundo erra. Já vi bons engenheiros errando. E muitos teimam em suas
> respostas erradas.
> 1. Suponha que a Terra seja uma esfera perfeita e que ao redor dela seja
> passado um fio de espessura desprezível formando um círculo concêntrico com
> a Terra. Se o comprimento do fio exceder de 1 m a circunferência da Terra,
> dê exemplo de um animal que passaria sob o fio sem tocá- lo. Muitos dizem,
> ora talvez um micróbio.  Um pardal certamente não passaria. O fio está
> praticamente colado no solo.
>
> No entanto, acho que boa parte dos alunos de EM e certamente dos
engenheiros conhece a fórmula do comprimento da circunferência em função do
raio (C = 2*Pi*r).
O que falta é conseguir raciocinar com base nesta fórmula a fim de resolver
este problema.


> 2., Um ônibus percorreu a1a metade de seu trajeto com velocidade média de
> 80 km/h. Na segunda metade, o trânsito estava ruim e a velocidade média foi
> de apenas 20 km/h. Pode-se então afirmar que a velocidade média ao longo de
> todo o trajeto foi de ......
>
> A maioria diz 50 km/h.
>
> Mais uma vez estamos diante de um caso de falta de raciocínio. Quem
responde 50 km/h simplesmente olha pros números 80 e 20, pra palavra
"média" e daí, automaticamente calcula a média aritmética de 80 e 20. Pode
ser um caso de "resposta automática indevida" (um fenômeno bastante
estudado pelo Daniel Kahneman). No entanto, se a pessoa pensar um pouco
sobre o significado de "velocidade" (ok, a pessoa tem que memorizar algumas
definições) vai conseguir entender porque 50 km/h não é a resposta correta.
Também é interessante que muita gente sabe que velocidade =
distância/tempo, mas a maioria acha estranho (e, de fato, nem pensa em)
escrever tempo = distância/velocidade, que é a mesma coisa.


> 3. 99% da massa de uma melancia de 1 kg é composta por água. A melancia é
> exposta ao sol e, devido à evaporação, a água passa a representar 98% da
> massa total. Qual a nova massa da melancia? Muitos dão um valor muito
> próximo de 1kg e teimam.
>
> Outro problema que as pessoas erram por preguiça de raciocinar.
Se 99% da massa é água, então a massa seca é de 1% de 1kg ou 10 g. Este é o
INVARIANTE do problema.
Depois da evaporação, a massa seca (que permanece em 10g) passa a ser 2% da
massa total. Logo, a nova massa total é 10/0,02 = 500 g.

Os 3 problemas que você mencionou envolvem, de uma forma ou outra, a
importante noção de proporcionalidade, que é muito enfatizada no currículo
do Ensino Fundamental e também na prova do Enem. Obviamente não está sendo
bem ensinada.

E tem aquilo que se fazia quando eu era garoto e impressionava muitos, como
> mágica: Pense um número e não o diga. Multiplique por  2. Some 10. Divida a
> soma por 2. Desta soma, deduza o número que vc pensou. Pronto? Sim! Deu 5.
> É mesmo! Vc adivinhou meu número?
>
>

> Artur Costa Steiner
>
> Em qua, 1 de ago de 2018 12:38, Claudio Buffara <[email protected]>
> escreveu:
>
>> Um dos atrativos da matemática (pelo menos pra mim) é a existência de
>> problemas que estão em aberto há décadas (ou séculos) mas cujos enunciados
>> podem ser facilmente compreendidos por alunos de ensino fundamental. Três
>> exemplos são a conjectura de Goldbach, a conjectura de que existe uma
>> infinidade de primos gêmeos, e a conjectura de Collatz.
>>
>> É interessante que existem 3 problemas elementares cujos enunciados são
>> parecidos com os das conjecturas acima:
>> 1) Prove que todo número natural maior do que 11 pode ser escrito como a
>> soma de dois números compostos;
>> 2) Encontre todos os “primos trigêmeos” (trios de números primos que
>> diferem por 2, tais como 3, 5 e 7);
>> 3) O primeiro termo de uma sequência é 10. Cada termo seguinte é igual à
>> metade do termo anterior, se este for par, ou 7 unidades maior do que o
>> termo anterior, se este for ímpar. Qual o 2018º termo da sequência?
>>
>> Como vocês podem verificar, os três problemas são fáceis, ainda que, pra
>> resolvê-los, sejam necessários um mínimo de raciocínio e alguma
>> experimentação.
>>
>> Mas o que eu quero saber é se um aluno normal de 7o ou 8o ano (de 12 a 14
>> anos de idade, em média) seria capaz de resolver tais problemas.
>> O que vocês acham?
>>
>> E será que um aluno de 6o ano (11-12 anos) seria capaz de explicar porque
>> a soma de dois números primos consecutivos não pode ser igual ao dobro de
>> um número primo?
>>
>> OBS: Todos estes problemas envolvem apenas conceitos que são vistos antes
>> do 6o ano: operações com números naturais e números pares, ímpares, primos
>> e compostos.
>>
>> []s,
>> Claudio.
>>
>>
>> --
>> Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antivírus e
>> acredita-se estar livre de perigo.
>
>
> --
> Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antivírus e
> acredita-se estar livre de perigo.
>

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Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antiv�rus e
 acredita-se estar livre de perigo.

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