Oi Paulo e demais colegas.

Complementando a mensagem anterior, imaginei  um argumento mais
intuitivo para suportar a afirmação dos autores citados, que  poderia ser  o
seguinte.
Suponhamos uma seqüência binária infinita zeros e uns.  A partir dela,
podemos gerar um conjunto de outras seqüências jogando sucessivamente uma
moeda honesta de modo a manter o digito ou trocá-lo, conforme o resultado
for cara ou coroa. Resultará o processo em um número infinito de cadeias de
comprimento infinito, geradas por processo puramente randomico. Na verdade
um número transfinito, pois as seqüências assim geradas terão a
cardinalidade do contínuo, pela relação 2^N_o. Por outro lado tais
sequencias representarão a totalidade dos reais.
Agora, algumas dessas cadeias apresentarão regularidades estatisticas e,
portanto poderiam ser descritas por um algoritmo de comprimento finito. Tais
seqüências correspondem aos números computáveis e serão alocadas a um  conjunto
de mesmo nome. Como foram geradas por algoritmos finitos, o conjunto delas
será enumerável.

As demais não apresentam nenhuma regularidade e, portanto, não poderão ser
descritas por nenhum programa finito. Serão, portanto não computáveis, e
como forma geradas por processo aleatório serão também números aleatórios, o
que confirmaria a identificação. Além do mais possuem a cardinalidade dos
reais, pois resultam de um conjunto com esta cardinalidade do qual foi
segregado um conjunto enumerável.
Assim o conjunto *R *ficaria dividido em dois subconjuntos disjuntos, os
reais computáveis, enumerável; e os reais não computáveis, ou aleatórios,
com a cardinalidade do contínuo.

Sds

Fernando A Candeias





Em 16/01/08, Paulo Santa Rita <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Ola Fernando e demais
> colegas desta lista ... OBM-L,
> ( escreverei sem acentos )
>
> A ideía, a priori, e muito boa : e relativamente comum na historia da
> Matematica que a conjuncao harmoniosa de conceitos oriundos de areas
> aparentementes distantes estabelece uma ponte "muito frutifera" para
> grandes trabalhos posteriores...
>
> Eu nao li e nao conheco este trabalho ao qual voce se refere. Havendo
> tempo, vou dar uma lida e manifestar a minha opiniao.
>
> Ocorre que muitas questoes dificeis na Matematica assim sao
> simplesmente porque nos insistimos em fazer as perguntas erradas, ou
> seja, a conceituacao com que a tradicao moldou moldou a questao induz
> alguns caminhos obvios que sao em verdade labirintos que conduzem a
> nada, ate que alguem olhe para os objetos da forma correta, quando
> entao a luz da alvorada esclarece tudo e tudo se unifica.
>
> Aqui me parece que se situa o verdadeiro talento matematico, vale
> dizer, ele esta nao na inteligencia do raciocinio em bases bem
> estabelecidas mas sim na capacidade de perceber os conceitos atuais
> como visoes ou aproximacoes de aspectos mais gerais que podem ser
> ligados ou unificados a outros aspectos gerais de outros ramos,
> formando uma visao unica. A estas coisas so a intuicao tem acesso.
>
> Os objetos fisicos que tem uma aleatoriedade intrinseca, tal como um
> eletron, nao permitem uma computacao plena de todas as suas
> propriedades. Nos podemos determinar com rigor satisfatorio uma delas,
> mas a outra ficara proporcionalmente indeterminada, vale dizer, com um
> grau alto de aleatoriedade. Talvez pudessemos pensar assim ... os
> numeros computaveis seriam o analogo matematico da propriedade que
> decidimos calcular com alta precisao, sendo os nao-computaveis  o
> analogo matematico da propriedade que vai ficando sucessivamente
> indeterminada.
>
> Na fisica existe uma relacao simples que liga estas coisas, isto e, o
> produto da incertezas deve ser maior que um valor conhecido : haveria
> uma relacao matematica analoga a incerteza fisica ?
>
> Um Abracao a Todos
> Paulo Santa Rita
> 4,1132,100108
>
>
> Em 16/01/08, Fernando A Candeias<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> >
> >
> >
> > Caros colegas de lista.
> >
> >
> >
> > "Seriam os números aleatórios os principais responsáveis pela não
> > enumerabilidade do conjunto dos números reais?"
> >
> >
> >
> > Em agosto do ano passado coloquei essa pergunta na lista, formulada de
> modo
> > um pouco diferente, mas em essência, a mesma. O assunto despertou a
> atenção
> > de alguns colegas, e as sugestões de leitura que recebi do Santa Rita e
> do
> > Nicolau, quanto aos números não computáveis, números de Cantor, normais
> e
> > outros temas se revelaram de grande utilidade.
> >
> > Quando formulei a questão tinha a impressão de que a resposta seria
> > positiva, mas no decorrer da troca de mensagens mudei de opinião.
> >
> > Entretanto outros argumentos a que tive acesso no decorrer de minha
> busca
> > parecem indicar que as seqüências aleatórias infinitas são, não só os
> > principais atores, mas na verdade os únicos responsáveis pela
> cardinalidade
> > do conjunto dos reais.
> >
> > Submeto ao crivo dos colegas um estudo denominado "Teorias da
> Aleatoriedade"
> > de Carlos A.P. Campani e Paulo Baluth Menezes, da UFRGS que pode ser
> > localizado na rede em:
> >
> > http://www.inf.ufrgs.br/~revista/docs/rita11/rita_v11_n2_p75a98.pdf.
> > O trabalho, que foi financiado pelo CNPq, FINEP e CAPES; se estende por
> 95
> > páginas e está no formato PDF.
> >
> > Logo no início os autores afirmam:
> >
> >
> >
> > "Veremos que este trabalho apresenta uma (surpreendente para muitos)
> > identificação entre aleatoriedade e computabilidade, ambas apresentadas
> a
> > partir de definições matemáticas.
> >
> > Ou seja, veremos que uma string aleatória é aquela que não pode ser
> > computada por uma máquina de Türing. E esta é a grande motivação do
> texto,
> > ao resgatar na área de ciência da computação um problema clássico, que
> > motivou em parte o desenvolvimento da teoria da computabilidade, e que
> > muitas vezes passa despercebido aos pesquisadores e estudantes da área.
> >
> > Além disto, embora originalmente proposta para resolver o problema de
> > definir "aleatoriedade", a teoria apresentada nos anos sessenta, de
> forma
> > independente, por Kolmogorov, Solomonoff e Chaitin [26], acabou sendo
> > aplicada em uma vasta gama de outras aplicações e áreas tais como:
> > inteligência artificial, complexidade computacional, biotecnologia, etc.
> > (Pag 2)"
> >
> >
> >
> > O conjunto R, afinal , poderia ser particionado em dois subconjuntos: o
> dos
> > números computáveis e o dos números não computáveis, esses últimos agora
> > identificados como aleatórios.
> >
> >
> >
> > Que acham?
> >
> >
> >
> > Sds
> >
> >
> >
> > Fernando A Candeias.
> >
> >
> > --
> > Fernando A Candeias
>
> =========================================================================
> Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
> http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
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Fernando A Candeias

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