Caros:
Para mim,  Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e Graduacao,
pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor justificativa
em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha
colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo ---  eh ridiculo.
Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em
Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao,
Antropologia, Historia, etc., etc., etc.
Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar.
O que interessa eh producao academica,  ponto.
Tudo de bom, ---Julio Stern

________________________________
From: logica-l@dimap.ufrn.br <logica-l@dimap.ufrn.br> on behalf of Daniel 
Durante <durant...@gmail.com>
Sent: Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM
To: Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com>
Cc: Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos <botoc...@gmail.com>; 
joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; João Daniel Dantas 
<dantas.joaodan...@gmail.com>
Subject: Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica

Oi Cassiano, João Daniel e Colegas,

Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que alguém que tem 
doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e demonstrou alguma 
competência, já que obteve o título. Qual a razão, então, de privar essa pessoa 
da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu?

Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a oportunidade de 
demonstrar sua capacidade.

Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga dar aula 
de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência deveria ser 
licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O curso de 
bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade de seus alunos.

Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula em nível 
de graduação. Quem não sabe, não passa.

Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com outra 
graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do concurso são 
muito especializados em lógica matemática, e o professor vai trabalhar em um 
departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se mude o programa do 
concurso e inclua pontos “filosóficos".

Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos do 
concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo ver 
nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência de 
graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração 
criteriosa do programa do concurso.

Saudações,
Daniel.
-----
Departamento de Filosofia - (UFRN)
http://danieldurante.weebly.com

On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues 
<cassiano.te...@gmail.com<mailto:cassiano.te...@gmail.com>> wrote:

Camaradas, bons dias.
Como se trata de dar opinião,  vou dar a minha, já q sou graduado e pós 
graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em lógica, pois 
na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a disciplina e muito 
desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo discente. Estou falando da 
década de 1990, qdo a graduação em filosofia na UNICAMP era recém nascida. 
Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por parte da carga horária quanto por 
parte do interesse, e até onde sei muita coisa mudou, não apenas na UNICAMP. da 
qual podem falar com propriedade quem está lá.
No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um contexto mais 
amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado" não surgem do nada e 
não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao concurso da UnB, o edital diz 
"graduação em filosofia", o que me parece incluir licenciatura e bacharelado, 
não? Posso estar enganado, não li o edital todo, mas se for realmente isso, a 
pessoa pode ter bacharelado em matemática, engenharia ou direito e licenciatura 
em filosofia (ou vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso 
mesmo, não vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo 
isso pq acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades 
brasileiras inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a 
realidade no Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são 
formados em teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco 
tempo,  reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a 
realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o caso. 
Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram o contexto 
da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é garantia de 
conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja abolida também a 
estrutura disciplinar, departamental e burocrática q sustenta a universidade 
como instituição de produção capitalista de conhecimento (lembremos q a 
"modernização" departamental foi uma imposição do regime militar, severamente 
criticada à época; hj, é praticamente um dado da natureza, tamanha a falta de 
questionamento). Não me parece q temos o q por no lugar em nenhum país do mundo 
e isso nada tem q ver com recusar a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria 
q no atual estágio de capitalização das universidades no mundo, a 
interdisciplinaridade é um fator desejado para a reprodução do capital. Eu 
mesmo faço um elogio da interdisciplinaridade e sou a favor de concursos 
abertos à diferentes áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação 
ao mesmo tempo, não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois 
a interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é 
por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras, deixem-me 
dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à necessidade de 
recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar, filosofar ou fazer ciência 
são atividades essencialmente comunicativas. No contexto de fragmentação das 
áreas de conhecimento, a filosofia, coitada, parece q perdeu tanto terreno q 
até hoje sofre a perda da identidade, mas tb sofre de falta de respeito por 
parte de outras áreas, q são esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a 
filosofia. Se é possível filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas 
e até donos de padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa 
q basta querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q 
é filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim 
dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai uma 
distância e não me parece q seja possível muito menos desejável escamotear q 
para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a sistematização formal 
do conhecimento (e isso é um direito q as escolas públicas devem garantir aos 
estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha avaliação, o insulamento da área 
de filosofia no Brasil levou a tal ignorância e descolamento da realidade q 
resultaram em elitismos vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o 
insulamento é terrível, muitos sequer reconhecem a importância de estudar com 
um mínimo de seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de 
escolhas pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por 
razões psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está 
mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma 
coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como 
documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q o 
seja e acho q poderia ser melhor.
Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao ponto q o 
faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em qualquer área, 
simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como professores, detestavam 
lecionar.  Eu tb não gostava tanto assim de ir às aulas, então, não faço 
condenações pessoais. E gostar de lecionar, é claro, tampouco garante a 
qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o compromisso com a 
formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do carreirismo pessoal. 
Muitos professores ainda hoje não lecionam um único curso sequer em vários anos 
ou, se conseguem, lecionam apenas na pós-graduação cursos q interessam aos seus 
orientandos (a UNICAMP era uma bolha elitista, naquela época; basta citar q 
havia pouquíssimos cursos noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de 
mais de um colega q dar aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra 
q serve a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar 
da função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar essa 
mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a bel-prazer. 
Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem diferentes, 
e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso de lógica que 
dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da lógica contemporânea, 
não é fácil e exige muito mais q conhecimento da disciplina, exige tanto 
formação em lógica e filosofia quanto formação pedagógica. Nesse sentido, é 
mesmo estranho q nesse edital a filosofia esteja ausente. Mas o q me parece 
ruim mesmo é a falta de exigência pedagógica, o q fica a critério da banca, no 
fim das contas. Mas será q o bacharelado basta e isso pode ser relegado ao 
juízo da banca? Faz sentido, pq, afinal, o último projeto nacional de formação 
de professores foi de fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para 
baixo do Normal) e as licenciaturas não dão conta dessa tarefa.
Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois sem isso 
a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q para concursos 
de instituições regidas pela indissociabilidade citada baste o diploma de 
bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja única formação 
docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou quase isso. Não vejo 
muito outro jeito, pois de temos de partir do real, mas sem imaginar um futuro 
diferente fica difícil mudar.

Saudações,
cass.
On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote:
> Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados a 
> filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia.

Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas
certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi
levantada por João Ferrari.

Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre
que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread
nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual
participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos
Gonzalez:
https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ

Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos
anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já
ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso
durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me
cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para
dar continuidade a este diálogo.)

> O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente sabe sobre 
> como fazer filosofia. Independente da graduação.

E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso,
garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"?
(Esta questão particular está claramente relacionada à questão
original desta thread.)

[]s, JM


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