Camaradas, desculpem a insistência, prometo q não vou me alongar na procrastinação e depois dessa vou parar de encher a paciência de vcs. Daniel, concordo com o ponto inicial q vc apresenta: pq privar alguém q fez doutorado na área de prestar o concurso? Bem, isso deveria ser perguntado a quem elaborou o edital e confesso q eu não tenho resposta a essa pergunta, mas não acho q deve ter sido medo ou qq coisa assim. Provavelmente, há alguma razão mais material e mais simples para tanto. De toda forma, todo edital explicita certas expectativas e é direito de quem estabelece as expectativas proceder à avaliação conforme. Então, em se tratando do conceito de universidade e de pesquisa científica q eu acho interessante ter em vista, concordo q poderia haver mais abertura disciplinar, nesse sentido q vc e o Aldo falaram, de dar oportunidade a quem for melhor. Agora, discordo de outros pontos. A saber: 1. Licenciatura em qq área não garante nada. A licenciatura tem q ser na área em q a pessoa vai dar aula. Lembrando q licenciatura é ensino superior e como tal deve prover formação superior específica, não existe metodologia universal para dar aula de tudo, o mais próximo disso q consigo imaginar é livre-docência, o q não tem nada que ver com dar aula em qualquer área e de qualquer coisa (na verdade, acho q concordamos a respeito desse ponto, não leio o q vc escreveu em sentido oposto). 2. Discordo de que a etapa da prova pedagógica basta para avaliar capacidade docente. Conheço gente q sabe dar aula e não passou na prova didática de algum concurso por não ter se preparado direito, mas conheço muito mais gente q não sabe e parece nem querer saber de dar aula e mesmo assim passou. É justamente esse o problema q eu levantei antes. 3. O edital da UnB é explícito qto ao q se espera de possíveis candidatos: domínio dos pontos publicados e graduação em filosofia. Não basta só uma coisa ou outra, tem q ter as duas. Os pontos dizem respeito ao teor que se espera que quem passe domine, tendo essa pessoa graduação em filosofia. Não entendo o q há de errado nisso, a formação de hj em dia contempla, a minha não contemplava. Tira oportunidade de muitas pessoas? Sim, tira, mas ao mesmo tempo abre a outras, o que há alguns anos era impensável. Quem não preenche esses requisitos, que não se incomode com esse concurso. Realmente, não entendo pq tanto desconforto com relação a um edital q é explícito no q espera dos possíveis candidatos. Parece q leio a defesa da existência de rábulas ou a admissão na carreira por notório saber - a existência abundante de faculdades de direito garante o respeito aos direitos e a concretização da justiça? Claro q não, diploma algum garante e nem por isso é permitido q graduados em qq área advoguem ou prestem concursos públicos na área do direito. Saudações, cass.
Cassiano Terra Rodrigues Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA Rua Tenente Brigadeiro do ar Paulo Victor da Silva, F0-206 Campus do DCTA São José dos Campos São Paulo, Brasil CEP: 12228-463 Tel. (+55) 12 3305 8438 -- lealdade, humildade, procedimento On Wed, Dec 14, 2022 at 4:42 PM Daniel Durante <durant...@gmail.com> wrote: > Oi Cassiano, João Daniel e Colegas, > > Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que alguém > que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e > demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, então, > de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu? > > Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a oportunidade de > demonstrar sua capacidade. > > Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga dar > aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência deveria > ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O curso de > bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade de seus > alunos. > > Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula em > nível de graduação. Quem não sabe, não passa. > > Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com outra > graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do concurso > são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai trabalhar > em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se mude o > programa do concurso e inclua pontos “filosóficos". > > Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos do > concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo ver > nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência de > graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração > criteriosa do programa do concurso. > > Saudações, > Daniel. > ----- > Departamento de Filosofia - (UFRN) > http://danieldurante.weebly.com > > On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues < > cassiano.te...@gmail.com> wrote: > > Camaradas, bons dias. > Como se trata de dar opinião, vou dar a minha, já q sou graduado e pós > graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em lógica, > pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a disciplina > e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo discente. Estou > falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na UNICAMP era > recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por parte da carga > horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita coisa mudou, > não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade quem está lá. > No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um contexto > mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado" não surgem > do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao concurso da UnB, > o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece incluir licenciatura > e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o edital todo, mas se for > realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em matemática, engenharia ou > direito e licenciatura em filosofia (ou vice-versa) e estaria apta a > prestar o concurso. Se for isso mesmo, não vejo tanto problema na > exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso pq acho q cabe aqui > lembrar q a carreira docente nas universidades brasileiras inclui a > docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade no Brasil é > q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em teologia ou > direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo, reunia as áreas > de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a realidade). Isso > incapacita os professores a priori? Não creio q seja o caso. Mas é um fato > a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram o contexto da > profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é garantia de > conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja abolida > também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q sustenta a > universidade como instituição de produção capitalista de conhecimento > (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição do regime > militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um dado da > natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q temos o q por > no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar a > interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de > capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um > fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da > interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes > áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo, > não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a > interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é > por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras, > deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à > necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar, > filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No > contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada, > parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas > tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são > esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível > filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de > padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta > querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é > filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim > dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai > uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável > escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a > sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas > públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha > avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal > ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos > vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível, > muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de > seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas > pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por razões > psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está > mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma > coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como > documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q o > seja e acho q poderia ser melhor. > Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao ponto > q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em > qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como > professores, detestavam lecionar. Eu tb não gostava tanto assim de ir às > aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é claro, > tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o > compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do > carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único > curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na > pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma > bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos > noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar > aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a > indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da > função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar essa > mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a bel-prazer. > Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem > diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso > de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da > lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da > disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação > pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia > esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência > pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o > bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido, > pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de > fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e as > licenciaturas não dão conta dessa tarefa. > Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois sem > isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q para > concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada baste o > diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja única > formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou quase > isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real, mas sem > imaginar um futuro diferente fica difícil mudar. > > Saudações, > cass. > On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote: > >> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados a >> filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia. >> >> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas >> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi >> levantada por João Ferrari. >> >> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre >> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread >> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual >> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos >> Gonzalez: >> >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ >> >> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos >> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já >> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso >> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me >> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para >> dar continuidade a este diálogo.) >> >> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente sabe >> sobre como fazer filosofia. Independente da graduação. >> >> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso, >> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"? >> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão >> original desta thread.) >> >> []s, JM >> > > -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CALYh6%2BsanZdJiQm%3Dua-PA9PwivWjp7OLuOXPGP3U8%3DQbLN7W5Q%40mail.gmail.com.