On Thu, Dec 15, 2022 at 4:14 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote:
Ola, JM! Deixe-me ver se entendo: você está defendendo que a exigência do diploma de > GRADUAÇÃO em Filosofia neste concurso específico (ou qualquer outro?) foi > introduzida como uma questão de política pública? > nao, não defendi isto. eu estou tentando fazer sentido da exigencia. eu lancei uma hipotese. mas eu acho, sim, que um edital, especialmente em uma universidade publica, nao é neutro politicamente, nao. Alias, acho que nao deveria ser neutro, nao. > Mais ainda, está defendendo que esta seja a única alternativa para a > implementação desta medida de política pública particular? > a "única"?? eu sou wittgensteiniano, nunca falaria algo assim. ;-) > (Obviamente que podemos perguntar se ela é SUFICIENTE para assegurar os > objetivos arrolados, certo?) > vc sabe melhor que eu, que não há nada óbvio em filosofia, né, João. Eu acho esta sua alegacao de "obviedade" fruto de uma confusão conceitual e metodológica. Basicamente, eu acredito, e nao estou sozinho nisto, que não há suficiencia em se tratando de fazer previsoes sobre relações complexas e dinamicas em dominios sociais, culturais ou biológicos. Nestes dominios, fazer X vai ser suficiente para Y? Não se pode garantir. Exigir suficiencia não é uma boa estratégia aqui. Por exemplo, a açao afirmativa X vai ser suficiente para remediar a injustica Y? Nao se pode dizer. Mas por que exigir suficiencia aqui? Várias outras medidas podem (e devem) ser implementadas conjuntamente. > > Abraços, JM > Abraço! > > On Thu, Dec 15, 2022, 07:38 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> wrote: > >> >> >> On Thu, Dec 15, 2022 at 3:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: >> >>> Hummm, esta sua contribuição me pareceu perigosamente próxima da falácia >>> do espantalho, Marcos... >>> >> >> okay. por quê? >> >> >>> >>> Você poderia desenvolver melhor o argumento específico que conectaria de >>> forma necessária (ou mesmo suficiente) o *diploma de GRADUAÇÃO na área X* >>> com a existência de *interesse ou competência em problemas da área X* por >>> parte do candidato (eventualmente aprovado pela banca do concurso)? >>> >> >> JM, acho que estamos falando de política academica e não de metafísica. >> >> é irreal se exigir condições de necessidade e suficiência para tratar de >> questões sociais complexas. Me parece claro que não há necessidade e nem >> suficiência ao se tratar de políticas públicas. Eu acho que este tipo de >> exigência abstrata e ideal paralisaria, por exemplo, a implementação de >> ações afirmativas muito importantes. >> >> >>> []s, João Marcos >>> >> >> abraços, >> Marcos >> >> >>> >>> On Thu, Dec 15, 2022, 06:53 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> >>> wrote: >>> >>>> Car@s colegas, >>>> >>>> >>>> aqui vão meus dois centavos de contribuição para esta discussão. >>>> >>>> >>>> Às vezes eu vejo com perplexidade a hegemonia de uma visão liberal e >>>> meritocrática da universidade e da pesquisa acadêmica nesta lista. >>>> >>>> >>>> Me parece legítimo que um departamento de filosofia, e qualquer outro, >>>> possa orientar o perfil desejado de um professor de uma universidade >>>> pública com algumas exigências de formação, sim. Isto não é reserva de >>>> mercado tanto quanto ações afirmativas para pretos não é racismo reverso. >>>> >>>> >>>> >>>> A gente pode querer assegurar, sim, ter um lógico, ou matemático, com >>>> interesse em filosofia num departamento de filosofia e tentar estimular, >>>> sim, que um lógico ou matemático procure ter formação em filosofia tb, se >>>> quiser trabalhar em um departamento de filosofia. >>>> >>>> >>>> Um departamento nao pode intervir para prevenir distorções que podem >>>> ser muito prejudiciais no medio e longo prazo? Como, por exemplo, ter >>>> um docente num departamento de filosofia por 30 anos sem interesse ou >>>> competência em problemas filosóficos? No modelo atual, isto é possível. >>>> Alias, voce vê isto em alguns lugares: lógicos ou matemáticos trabalhando >>>> em um departamento de filosofia com muito pouco ou nenhum interesse em >>>> filosofia. >>>> >>>> >>>> >>>> Não há uma resposta fácil para isto no atual modelo de gestão da >>>> academia. Mas a lógica do “que ganhe o melhor e pronto” nao previne isto. >>>> Ou “são as publicações que contam”. Isto talvez funcione para alguns países >>>> de capitalismo central. Mas para um país periférico como o nosso, cheio de >>>> distorções, assimetrias e desequilíbrios de poder e oportunidades, eu não >>>> sei. A candidata selecionada simplesmente por produtividade vai ter >>>> interesse em conseguir bolsas para os alunos e alunas de filosofia? Vai >>>> procurar recursos para a pos de filosofia? Vai se preocupar em ter uma rede >>>> de pesquisa e diálogo com a área e com outros departamentos de filosofia? >>>> >>>> >>>> Eu acho que "ganha quem tem o melhor currículo” ou “quem publica mais” >>>> reforça uma visão individualista e meritocrática que sufoca e sufocou as >>>> universidades nos últimos anos, está adoecendo muita gente e faz a gente >>>> ficar extremamente vulnerável, por exemplo, a ataques de um governo de >>>> extrema direita. Além disso, esta visão é muito nociva para discentes >>>> periféricos que entram na universidade com muitas deficiências. “Que se >>>> contrate quem publica mais” vai perpetuar as distorções com as quais nós, >>>> infelizmente, já nos acostumamos. >>>> >>>> >>>> Acho importante tentar assegurar que um professor ou professora de um >>>> departamento de filosofia possa orientar alunos e alunas com interesse em >>>> filosofia, possa fomentar e eventualmente defender, sim, a área de >>>> filosofia em um ambiente institucional cada vez mais tecnocrata e hostil às >>>> áreas humanas. Vale sempre lembrar que no Brasil, um professor, num >>>> departamento de filosofia, além de publicar, também deveria ensinar na >>>> filosofia, ter atividade de extensão e projetos na filosofia e ser >>>> eventualmente coordenador da graduação e pos de filosofia. >>>> >>>> >>>> Vale tb pontuar que eu não concordo com a maneira como concursos >>>> públicos para professores do nível superior são feitas no Brasil. Eu acho >>>> extremamente constrangedor, por exemplo, pela incrível artificialidade, que >>>> a gente tenha que fazer uma prova escrita sem consulta por quatro horas de >>>> um tema sorteado. Em oito anos de docência na universidade eu nunca tive >>>> que fazer algo sequer parecido com isto. >>>> >>>> >>>> Mas apesar disso, eu realmente acredito que um departamento de >>>> filosofia, e qualquer outro, deve poder decidir, sim, exigências mínimas de >>>> formação para tentar prevenir estrategicamente distorções possíveis. >>>> >>>> >>>> Abraços, >>>> Marcos >>>> >>>> On Thu, Dec 15, 2022 at 2:44 PM Julio Stern <jmst...@hotmail.com> >>>> wrote: >>>> >>>>> Caro Cassiano: >>>>> Bom dia. >>>>> Creio que eh Muito importante em um concurso aferir a capacidade do >>>>> candidato para atuar em funcoes que sejam importantes para a instituicao >>>>> que o esta potencialmente contratando. >>>>> Em uma universidade, isto inclui, necessariamente, >>> (P) Pesquisa >>>>> + (E) Ensino + (X) Extensao. >>>>> >>>>> Como voce me perguntou especificamente sobre o Ensino, faco a respeito >>>>> alguns comentarios adicionais. >>>>> Creio que o professor que ministra uma disciplina de graduacao ou pos >>>>> em uma universidade deva ser capaz orientar seus alunos na area. >>>>> De preferencia, ser capaz de orientar uma tese no assunto ou, ao menos >>>>> de fornecer boas ideias sobre futuros assuntos de pesquisa, sobre >>>>> possiveis >>>>> orientadores de tese, etc. >>>>> Ou seja, ter feito ele mesmo uma disciplina de graduacao no assunto, >>>>> no Jardim de Infancia, no Colegio Tecnico, ou na Graduacao em Filosofia, >>>>> pouco ou nada contribui para capacita-lo a ensinar Filosofia em uma >>>>> universidade. >>>>> >>>>> Esclareco ainda que estes comentarios nada tem de especial em relacao >>>>> a area de Filosofia. >>>>> Sou Professor Titular do IME-USP , o Instituto de Matematica e >>>>> Estatistica da USP. >>>>> Tenho Graduacao em Fisica, um Mestrado em Fisica Matematica, outro >>>>> Mestrado em Engenharia Industrial, um Ph.D. em Pesquisa Operacional, e uma >>>>> Livre Docencia em Computacao. ... >>>>> Voce acha que Pode? Poderia? Deveria ser possivel uma carreira >>>>> assim? >>>>> Na minha carreira, isto nunca foi impedimento. >>>>> >>>>> As instituicoes onde trabalhei queriam saber da minha capacidade de: >>>>> (P) Produzir Pesquisa de boa qualidade em Algumas de suas areas de >>>>> interesse (ressalto que Algumas, Nao Todas, pois isto seria >>>>> impossivel para a maioria dos mortais); >>>>> (E) Ensinar com propriedade -- enquanto pesquisador nestas areas -- >>>>> disciplinas de interesse na instituicao; >>>>> (X) Fazer ou participar -- enquanto pesquisador nestas areas -- de >>>>> Assessorias, >>>>> Consultorias, ou outras formas relevantes de Extensao. >>>>> Sem falsa modestia, acho que nao as decepcionei, mesmo sem ter diploma >>>>> ``bem casado'' (que eh o nome de um docinho muito acucarado e >>>>> enjoativo). >>>>> >>>>> Tudo de bom, ---Julio >>>>> >>>>> ------------------------------ >>>>> *From:* Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com> >>>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 10:38 PM >>>>> *To:* Aldo Figallo-Orellano <aldofiga...@gmail.com> >>>>> *Cc:* Julio Stern <jmst...@hotmail.com>; Daniel Durante < >>>>> durant...@gmail.com>; Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao >>>>> Marcos <botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; >>>>> João Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com> >>>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica >>>>> >>>>> Julio, nessa produção, vc inclui tb docência para o jardim da infância >>>>> e adolescência ou isso é desprezível? >>>>> Se for desprezível, discordo veementemente. Acho q deveria contar e >>>>> muito nos concursos, ao contrário do habitual. >>>>> Abraços, >>>>> cass. >>>>> >>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:37, Aldo Figallo-Orellano < >>>>> aldofiga...@gmail.com> escreveu: >>>>> >>>>> Concordo plenamente com o professor Stern. >>>>> >>>>> >>>>> >>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:31, Julio Stern <jmst...@hotmail.com> >>>>> escreveu: >>>>> >>>>> Caros: >>>>> Para mim, Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e >>>>> Graduacao, >>>>> pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor >>>>> justificativa >>>>> em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha >>>>> colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo --- eh ridiculo. >>>>> Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em >>>>> Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao, >>>>> Antropologia, Historia, etc., etc., etc. >>>>> Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar. >>>>> O que interessa eh producao academica, ponto. >>>>> Tudo de bom, ---Julio Stern >>>>> >>>>> ------------------------------ >>>>> *From:* logica-l@dimap.ufrn.br <logica-l@dimap.ufrn.br> on behalf of >>>>> Daniel Durante <durant...@gmail.com> >>>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM >>>>> *To:* Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com> >>>>> *Cc:* Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos < >>>>> botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; João >>>>> Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com> >>>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica >>>>> >>>>> Oi Cassiano, João Daniel e Colegas, >>>>> >>>>> Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que >>>>> alguém que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e >>>>> demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, >>>>> então, >>>>> de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu? >>>>> >>>>> Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a >>>>> oportunidade de demonstrar sua capacidade. >>>>> >>>>> Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga >>>>> dar aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência >>>>> deveria ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O >>>>> curso de bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade >>>>> de seus alunos. >>>>> >>>>> Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula >>>>> em nível de graduação. Quem não sabe, não passa. >>>>> >>>>> Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com >>>>> outra graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do >>>>> concurso são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai >>>>> trabalhar em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se >>>>> mude o programa do concurso e inclua pontos “filosóficos". >>>>> >>>>> Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos >>>>> do concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo >>>>> ver >>>>> nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência >>>>> de >>>>> graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração >>>>> criteriosa do programa do concurso. >>>>> >>>>> Saudações, >>>>> Daniel. >>>>> ----- >>>>> Departamento de Filosofia - (UFRN) >>>>> http://danieldurante.weebly.com >>>>> >>>>> On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues < >>>>> cassiano.te...@gmail.com> wrote: >>>>> >>>>> Camaradas, bons dias. >>>>> Como se trata de dar opinião, vou dar a minha, já q sou graduado e >>>>> pós graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em >>>>> lógica, pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a >>>>> disciplina e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo >>>>> discente. Estou falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na >>>>> UNICAMP era recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por >>>>> parte da carga horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita >>>>> coisa mudou, não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade >>>>> quem está lá. >>>>> No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um >>>>> contexto mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado" >>>>> não surgem do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao >>>>> concurso da UnB, o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece >>>>> incluir licenciatura e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o >>>>> edital todo, mas se for realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em >>>>> matemática, engenharia ou direito e licenciatura em filosofia (ou >>>>> vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso mesmo, não >>>>> vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso >>>>> pq >>>>> acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades >>>>> brasileiras >>>>> inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade >>>>> no >>>>> Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em >>>>> teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo, >>>>> reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a >>>>> realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o >>>>> caso. Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram >>>>> o contexto da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é >>>>> garantia de conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja >>>>> abolida também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q >>>>> sustenta a universidade como instituição de produção capitalista de >>>>> conhecimento (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição >>>>> do regime militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um >>>>> dado da natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q >>>>> temos >>>>> o q por no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar >>>>> a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de >>>>> capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um >>>>> fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da >>>>> interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes >>>>> áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo, >>>>> não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a >>>>> interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é >>>>> por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras, >>>>> deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à >>>>> necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar, >>>>> filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No >>>>> contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada, >>>>> parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas >>>>> tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são >>>>> esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível >>>>> filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de >>>>> padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta >>>>> querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é >>>>> filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim >>>>> dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai >>>>> uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável >>>>> escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a >>>>> sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas >>>>> públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha >>>>> avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal >>>>> ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos >>>>> vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível, >>>>> muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de >>>>> seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas >>>>> pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por >>>>> razões >>>>> psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está >>>>> mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma >>>>> coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como >>>>> documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q >>>>> o >>>>> seja e acho q poderia ser melhor. >>>>> Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao >>>>> ponto q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em >>>>> qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como >>>>> professores, detestavam lecionar. Eu tb não gostava tanto assim de ir às >>>>> aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é >>>>> claro, >>>>> tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o >>>>> compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do >>>>> carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único >>>>> curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na >>>>> pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma >>>>> bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos >>>>> noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar >>>>> aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a >>>>> indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da >>>>> função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar >>>>> essa >>>>> mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a >>>>> bel-prazer. >>>>> Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem >>>>> diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso >>>>> de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da >>>>> lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da >>>>> disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação >>>>> pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia >>>>> esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência >>>>> pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o >>>>> bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido, >>>>> pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de >>>>> fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e >>>>> as >>>>> licenciaturas não dão conta dessa tarefa. >>>>> Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois >>>>> sem isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q >>>>> para concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada >>>>> baste >>>>> o diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja >>>>> única formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou >>>>> quase isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real, >>>>> mas sem imaginar um futuro diferente fica difícil mudar. >>>>> >>>>> Saudações, >>>>> cass. >>>>> On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote: >>>>> >>>>> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados >>>>> a filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia. >>>>> >>>>> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas >>>>> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi >>>>> levantada por João Ferrari. >>>>> >>>>> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre >>>>> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread >>>>> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual >>>>> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos >>>>> Gonzalez: >>>>> >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ >>>>> >>>>> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos >>>>> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já >>>>> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso >>>>> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me >>>>> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para >>>>> dar continuidade a este diálogo.) >>>>> >>>>> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente >>>>> sabe sobre como fazer filosofia. Independente da graduação. >>>>> >>>>> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso, >>>>> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"? >>>>> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão >>>>> original desta thread.) >>>>> >>>>> []s, JM >>>>> >>>>> >>>>> -- >>>>> LOGICA-L >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>>> Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> >>>>> --- >>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>> dos Grupos do Google. >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com >>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>>> . >>>>> >>>>> -- >>>>> LOGICA-L >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>>> Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> >>>>> --- >>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>> dos Grupos do Google. >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143156332549DF573A906F9FB6E09%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM >>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143156332549DF573A906F9FB6E09%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>>> . >>>>> >>>>> -- >>>>> LOGICA-L >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>>> Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> >>>>> --- >>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>> dos Grupos do Google. >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. >>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143122D397D8556BB1E59681B6E19%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM >>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143122D397D8556BB1E59681B6E19%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>>> . >>>>> >>>> >>>> >>>> -- >>>> Marcos Silva (UFPE/CNPq) >>>> Philosophy Department >>>> Federal University of Pernambuco, Brazil >>>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE >>>> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) >>>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica >>>> <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> >>>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy >>>> "amar e mudar as coisas me interessa mais" >>>> >>> >> >> -- >> Marcos Silva (UFPE/CNPq) >> Philosophy Department >> Federal University of Pernambuco, Brazil >> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE >> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) >> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica >> <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> >> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy >> "amar e mudar as coisas me interessa mais" >> > -- Marcos Silva (UFPE/CNPq) Philosophy Department Federal University of Pernambuco, Brazil Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy "amar e mudar as coisas me interessa mais" -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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