On Thu, Dec 15, 2022 at 4:14 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote:

Ola, JM!

Deixe-me ver se entendo: você está defendendo que a exigência do diploma de
> GRADUAÇÃO em Filosofia neste concurso específico (ou qualquer outro?) foi
> introduzida como uma questão de política pública?
>

nao, não defendi isto. eu estou tentando fazer sentido da exigencia. eu
lancei uma hipotese.
mas eu acho, sim, que um edital, especialmente em uma universidade publica,
nao é neutro politicamente, nao. Alias, acho que nao deveria ser neutro,
nao.


> Mais ainda, está defendendo que esta seja a única alternativa para a
> implementação desta medida de política pública particular?
>

a "única"?? eu sou wittgensteiniano, nunca falaria algo assim. ;-)


> (Obviamente que podemos perguntar se ela é SUFICIENTE para assegurar os
> objetivos arrolados, certo?)
>

vc sabe melhor que eu, que não há nada óbvio em filosofia, né, João. Eu
acho esta sua alegacao de "obviedade" fruto de uma confusão conceitual e
metodológica. Basicamente, eu acredito, e nao estou sozinho nisto, que não
há suficiencia em se tratando de fazer previsoes sobre relações complexas
e dinamicas em dominios sociais, culturais ou biológicos. Nestes dominios,
fazer X vai ser suficiente para Y? Não se pode garantir. Exigir
suficiencia não é uma boa estratégia aqui. Por exemplo, a açao afirmativa X
vai ser suficiente para remediar a injustica Y? Nao se pode dizer. Mas por
que exigir suficiencia aqui? Várias outras medidas podem (e devem) ser
implementadas conjuntamente.


>
> Abraços, JM
>

Abraço!


>
> On Thu, Dec 15, 2022, 07:38 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> wrote:
>
>>
>>
>> On Thu, Dec 15, 2022 at 3:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote:
>>
>>> Hummm, esta sua contribuição me pareceu perigosamente próxima da falácia
>>> do espantalho, Marcos...
>>>
>>
>> okay. por quê?
>>
>>
>>>
>>> Você poderia desenvolver melhor o argumento específico que conectaria de
>>> forma necessária (ou mesmo suficiente) o *diploma de GRADUAÇÃO na área X*
>>> com a existência de *interesse ou competência em problemas da área X* por
>>> parte do candidato (eventualmente aprovado pela banca do concurso)?
>>>
>>
>> JM, acho que estamos falando de política academica e não de metafísica.
>>
>> é irreal se exigir condições de necessidade e suficiência para tratar de
>> questões sociais complexas. Me parece claro que não há necessidade e nem
>> suficiência ao se tratar de políticas públicas. Eu acho que este tipo de
>> exigência abstrata e ideal paralisaria, por exemplo, a implementação de
>> ações afirmativas muito importantes.
>>
>>
>>> []s, João Marcos
>>>
>>
>> abraços,
>> Marcos
>>
>>
>>>
>>> On Thu, Dec 15, 2022, 06:53 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com>
>>> wrote:
>>>
>>>> Car@s colegas,
>>>>
>>>>
>>>> aqui vão meus dois centavos de contribuição para esta discussão.
>>>>
>>>>
>>>> Às vezes eu vejo com perplexidade a hegemonia de uma visão liberal e
>>>> meritocrática da universidade e da pesquisa acadêmica nesta lista.
>>>>
>>>>
>>>> Me parece legítimo que um departamento de filosofia, e qualquer outro,
>>>> possa orientar o perfil desejado de um professor de uma universidade
>>>> pública com algumas exigências de formação, sim. Isto não é reserva de
>>>> mercado tanto quanto ações afirmativas para pretos não é racismo reverso.
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> A gente pode querer assegurar, sim, ter um lógico, ou matemático, com
>>>> interesse em filosofia num departamento de filosofia e tentar estimular,
>>>> sim, que um lógico ou matemático procure ter formação em filosofia tb, se
>>>> quiser trabalhar em um departamento de filosofia.
>>>>
>>>>
>>>> Um departamento nao pode intervir para prevenir distorções que podem
>>>> ser muito prejudiciais no medio e longo prazo?  Como, por exemplo, ter
>>>> um docente num departamento de filosofia por 30 anos sem interesse ou
>>>> competência em problemas filosóficos? No modelo atual, isto é possível.
>>>> Alias, voce vê isto em alguns lugares: lógicos ou matemáticos trabalhando
>>>> em um departamento de filosofia com muito pouco ou nenhum interesse em
>>>> filosofia.
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> Não há uma resposta fácil para isto no atual modelo de gestão da
>>>> academia. Mas a lógica do “que ganhe o melhor e pronto” nao previne isto.
>>>> Ou “são as publicações que contam”. Isto talvez funcione para alguns países
>>>> de capitalismo central. Mas para um país periférico como o nosso, cheio de
>>>> distorções, assimetrias e desequilíbrios de poder e oportunidades, eu não
>>>> sei. A candidata selecionada simplesmente por produtividade vai ter
>>>> interesse em conseguir bolsas para os alunos e alunas de filosofia? Vai
>>>> procurar recursos para a pos de filosofia? Vai se preocupar em ter uma rede
>>>> de pesquisa e diálogo com a área e com outros departamentos de filosofia?
>>>>
>>>>
>>>> Eu acho que "ganha quem tem o melhor currículo” ou “quem publica mais”
>>>> reforça uma visão individualista e meritocrática que sufoca e sufocou as
>>>> universidades nos últimos anos, está adoecendo muita gente e faz a gente
>>>> ficar extremamente vulnerável, por exemplo, a ataques de um governo de
>>>> extrema direita. Além disso, esta visão é muito nociva para discentes
>>>> periféricos que entram na universidade com muitas deficiências. “Que se
>>>> contrate quem publica mais” vai perpetuar as distorções com as quais nós,
>>>> infelizmente, já nos acostumamos.
>>>>
>>>>
>>>> Acho importante tentar assegurar que um professor ou professora de um
>>>> departamento de filosofia possa orientar alunos e alunas com interesse em
>>>> filosofia, possa fomentar e eventualmente defender, sim, a área de
>>>> filosofia em um ambiente institucional cada vez mais tecnocrata e hostil às
>>>> áreas humanas. Vale sempre lembrar que no Brasil, um professor, num
>>>> departamento de filosofia, além de publicar, também deveria ensinar na
>>>> filosofia, ter atividade de extensão e projetos na filosofia e ser
>>>> eventualmente coordenador da graduação e pos de filosofia.
>>>>
>>>>
>>>> Vale tb pontuar que eu não concordo com a maneira como concursos
>>>> públicos para professores do nível superior são feitas no Brasil. Eu acho
>>>> extremamente constrangedor, por exemplo, pela incrível artificialidade, que
>>>> a gente tenha que fazer uma prova escrita sem consulta por quatro horas de
>>>> um tema sorteado. Em oito anos de docência na universidade eu nunca tive
>>>> que fazer algo sequer parecido com isto.
>>>>
>>>>
>>>> Mas apesar disso, eu realmente acredito que um departamento de
>>>> filosofia, e qualquer outro, deve poder decidir, sim, exigências mínimas de
>>>> formação para tentar prevenir estrategicamente distorções possíveis.
>>>>
>>>>
>>>> Abraços,
>>>> Marcos
>>>>
>>>> On Thu, Dec 15, 2022 at 2:44 PM Julio Stern <jmst...@hotmail.com>
>>>> wrote:
>>>>
>>>>> Caro Cassiano:
>>>>> Bom dia.
>>>>> Creio que eh Muito importante em um concurso aferir a capacidade do
>>>>> candidato para atuar em funcoes que sejam importantes para a instituicao
>>>>> que o esta potencialmente contratando.
>>>>> Em uma universidade, isto inclui, necessariamente,  >>> (P) Pesquisa
>>>>> + (E) Ensino + (X) Extensao.
>>>>>
>>>>> Como voce me perguntou especificamente sobre o Ensino, faco a respeito
>>>>> alguns comentarios adicionais.
>>>>> Creio que o professor que ministra uma disciplina de graduacao ou pos
>>>>> em uma universidade deva ser capaz orientar seus alunos na area.
>>>>> De preferencia, ser capaz de orientar uma tese no assunto ou, ao menos
>>>>> de fornecer boas ideias sobre futuros assuntos de pesquisa, sobre 
>>>>> possiveis
>>>>> orientadores de tese, etc.
>>>>> Ou seja, ter feito ele mesmo uma disciplina de graduacao no assunto,
>>>>> no Jardim de Infancia, no Colegio Tecnico, ou na Graduacao em Filosofia,
>>>>> pouco ou nada contribui para capacita-lo a ensinar Filosofia em uma
>>>>> universidade.
>>>>>
>>>>> Esclareco ainda que estes comentarios nada tem de especial em relacao
>>>>> a area de Filosofia.
>>>>> Sou Professor Titular do IME-USP , o Instituto de Matematica e
>>>>> Estatistica da USP.
>>>>> Tenho Graduacao em Fisica, um Mestrado em Fisica Matematica, outro
>>>>> Mestrado em Engenharia Industrial, um Ph.D. em Pesquisa Operacional, e uma
>>>>> Livre Docencia em Computacao.  ...
>>>>> Voce acha que  Pode?   Poderia?   Deveria ser possivel uma carreira
>>>>> assim?
>>>>> Na minha carreira, isto nunca foi impedimento.
>>>>>
>>>>> As instituicoes onde trabalhei queriam saber da minha capacidade de:
>>>>> (P) Produzir Pesquisa de boa qualidade em Algumas de suas areas de
>>>>> interesse (ressalto que Algumas, Nao Todas, pois isto seria
>>>>> impossivel para a maioria dos mortais);
>>>>> (E) Ensinar com propriedade -- enquanto pesquisador nestas areas --
>>>>> disciplinas de interesse na instituicao;
>>>>> (X) Fazer ou participar  -- enquanto pesquisador nestas areas -- de 
>>>>> Assessorias,
>>>>> Consultorias, ou outras formas relevantes de Extensao.
>>>>> Sem falsa modestia, acho que nao as decepcionei, mesmo sem ter diploma
>>>>> ``bem casado''  (que eh o nome de um docinho muito acucarado e
>>>>> enjoativo).
>>>>>
>>>>> Tudo de bom,  ---Julio
>>>>>
>>>>> ------------------------------
>>>>> *From:* Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com>
>>>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 10:38 PM
>>>>> *To:* Aldo Figallo-Orellano <aldofiga...@gmail.com>
>>>>> *Cc:* Julio Stern <jmst...@hotmail.com>; Daniel Durante <
>>>>> durant...@gmail.com>; Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao
>>>>> Marcos <botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>;
>>>>> João Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com>
>>>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica
>>>>>
>>>>> Julio, nessa produção, vc inclui tb docência para o jardim da infância
>>>>> e adolescência ou isso é desprezível?
>>>>> Se for desprezível, discordo veementemente. Acho q deveria contar e
>>>>> muito nos concursos, ao contrário do habitual.
>>>>> Abraços,
>>>>> cass.
>>>>>
>>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:37, Aldo Figallo-Orellano <
>>>>> aldofiga...@gmail.com> escreveu:
>>>>>
>>>>> Concordo plenamente com o professor Stern.
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:31, Julio Stern <jmst...@hotmail.com>
>>>>> escreveu:
>>>>>
>>>>> Caros:
>>>>> Para mim,  Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e
>>>>> Graduacao,
>>>>> pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor
>>>>> justificativa
>>>>> em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha
>>>>> colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo ---  eh ridiculo.
>>>>> Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em
>>>>> Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao,
>>>>> Antropologia, Historia, etc., etc., etc.
>>>>> Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar.
>>>>> O que interessa eh producao academica,  ponto.
>>>>> Tudo de bom, ---Julio Stern
>>>>>
>>>>> ------------------------------
>>>>> *From:* logica-l@dimap.ufrn.br <logica-l@dimap.ufrn.br> on behalf of
>>>>> Daniel Durante <durant...@gmail.com>
>>>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM
>>>>> *To:* Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com>
>>>>> *Cc:* Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos <
>>>>> botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; João
>>>>> Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com>
>>>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica
>>>>>
>>>>> Oi Cassiano, João Daniel e Colegas,
>>>>>
>>>>> Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que
>>>>> alguém que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e
>>>>> demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, 
>>>>> então,
>>>>> de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu?
>>>>>
>>>>> Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a
>>>>> oportunidade de demonstrar sua capacidade.
>>>>>
>>>>> Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga
>>>>> dar aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência
>>>>> deveria ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O
>>>>> curso de bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade
>>>>> de seus alunos.
>>>>>
>>>>> Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula
>>>>> em nível de graduação. Quem não sabe, não passa.
>>>>>
>>>>> Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com
>>>>> outra graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do
>>>>> concurso são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai
>>>>> trabalhar em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se
>>>>> mude o programa do concurso e inclua pontos “filosóficos".
>>>>>
>>>>> Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos
>>>>> do concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo 
>>>>> ver
>>>>> nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência 
>>>>> de
>>>>> graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração
>>>>> criteriosa do programa do concurso.
>>>>>
>>>>> Saudações,
>>>>> Daniel.
>>>>> -----
>>>>> Departamento de Filosofia - (UFRN)
>>>>> http://danieldurante.weebly.com
>>>>>
>>>>> On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues <
>>>>> cassiano.te...@gmail.com> wrote:
>>>>>
>>>>> Camaradas, bons dias.
>>>>> Como se trata de dar opinião,  vou dar a minha, já q sou graduado e
>>>>> pós graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em
>>>>> lógica, pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a
>>>>> disciplina e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo
>>>>> discente. Estou falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na
>>>>> UNICAMP era recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por
>>>>> parte da carga horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita
>>>>> coisa mudou, não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade
>>>>> quem está lá.
>>>>> No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um
>>>>> contexto mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado"
>>>>> não surgem do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao
>>>>> concurso da UnB, o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece
>>>>> incluir licenciatura e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o
>>>>> edital todo, mas se for realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em
>>>>> matemática, engenharia ou direito e licenciatura em filosofia (ou
>>>>> vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso mesmo, não
>>>>> vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso 
>>>>> pq
>>>>> acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades 
>>>>> brasileiras
>>>>> inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade 
>>>>> no
>>>>> Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em
>>>>> teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo,
>>>>>  reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a
>>>>> realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o
>>>>> caso. Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram
>>>>> o contexto da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é
>>>>> garantia de conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja
>>>>> abolida também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q
>>>>> sustenta a universidade como instituição de produção capitalista de
>>>>> conhecimento (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição
>>>>> do regime militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um
>>>>> dado da natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q 
>>>>> temos
>>>>> o q por no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar
>>>>> a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de
>>>>> capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um
>>>>> fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da
>>>>> interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes
>>>>> áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo,
>>>>> não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a
>>>>> interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é
>>>>> por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras,
>>>>> deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à
>>>>> necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar,
>>>>> filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No
>>>>> contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada,
>>>>> parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas
>>>>> tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são
>>>>> esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível
>>>>> filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de
>>>>> padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta
>>>>> querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é
>>>>> filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim
>>>>> dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai
>>>>> uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável
>>>>> escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a
>>>>> sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas
>>>>> públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha
>>>>> avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal
>>>>> ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos
>>>>> vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível,
>>>>> muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de
>>>>> seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas
>>>>> pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por 
>>>>> razões
>>>>> psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está
>>>>> mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma
>>>>> coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como
>>>>> documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q 
>>>>> o
>>>>> seja e acho q poderia ser melhor.
>>>>> Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao
>>>>> ponto q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em
>>>>> qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como
>>>>> professores, detestavam lecionar.  Eu tb não gostava tanto assim de ir às
>>>>> aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é 
>>>>> claro,
>>>>> tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o
>>>>> compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do
>>>>> carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único
>>>>> curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na
>>>>> pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma
>>>>> bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos
>>>>> noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar
>>>>> aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a
>>>>> indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da
>>>>> função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar 
>>>>> essa
>>>>> mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a 
>>>>> bel-prazer.
>>>>> Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem
>>>>> diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso
>>>>> de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da
>>>>> lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da
>>>>> disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação
>>>>> pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia
>>>>> esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência
>>>>> pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o
>>>>> bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido,
>>>>> pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de
>>>>> fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e 
>>>>> as
>>>>> licenciaturas não dão conta dessa tarefa.
>>>>> Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois
>>>>> sem isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q
>>>>> para concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada 
>>>>> baste
>>>>> o diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja
>>>>> única formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou
>>>>> quase isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real,
>>>>> mas sem imaginar um futuro diferente fica difícil mudar.
>>>>>
>>>>> Saudações,
>>>>> cass.
>>>>> On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote:
>>>>>
>>>>> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados
>>>>> a filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia.
>>>>>
>>>>> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas
>>>>> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi
>>>>> levantada por João Ferrari.
>>>>>
>>>>> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre
>>>>> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread
>>>>> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual
>>>>> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos
>>>>> Gonzalez:
>>>>>
>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ
>>>>>
>>>>> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos
>>>>> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já
>>>>> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso
>>>>> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me
>>>>> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para
>>>>> dar continuidade a este diálogo.)
>>>>>
>>>>> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente
>>>>> sabe sobre como fazer filosofia. Independente da graduação.
>>>>>
>>>>> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso,
>>>>> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"?
>>>>> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão
>>>>> original desta thread.)
>>>>>
>>>>> []s, JM
>>>>>
>>>>>
>>>>> --
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>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
>>>>> Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>
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>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>>>>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse
>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com
>>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
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>>>> Marcos Silva (UFPE/CNPq)
>>>> Philosophy Department
>>>> Federal University of Pernambuco, Brazil
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>>>> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>)
>>>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica
>>>> <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica>
>>>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy
>>>> "amar e mudar as coisas me interessa mais"
>>>>
>>>
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>> Marcos Silva (UFPE/CNPq)
>> Philosophy Department
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>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE
>> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>)
>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica
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>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy
>> "amar e mudar as coisas me interessa mais"
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Marcos Silva (UFPE/CNPq)
Philosophy Department
Federal University of Pernambuco, Brazil
Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE
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