Jean-Ives, 

Em contagem mundial, o Brasil é o quinto país com a maior quantidade de mortes 
violentas de mulheres (segundo o alto comissariado da ONU para direitos 
humanos). Em 2016, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no país. 
Segundo o Forum Brasileiro de Segurança  Pública, 503 meninas de até 16 anos 
são violentadas a cada hora.  E isso é a ponta do iceberg. E ainda nem 
começamos direito a fazer pesquisas empíricas na academia para saber o tamanho 
do nosso problema no que diz respeito ao acesso (dada a cultura de 
inferiorização de negros e mulheres) e as possibilidades de desenvolvimento 
acadêmico de “maiorias” historicamente invisibilizadas. 

Não é engraçado, não é uma questão de “politicamente correto”, nem de estética 
e muito menos de arte. Também não é sobre capacidade de interpretação de 
sutilezas e nem sobre quem sabe mais lógica ou tem currículo mais grandioso.

  É sobre política pública, ensino superior e direitos. 

Nastassja Pugliese
Universidade Federal do Rio de Janeiro

> On 20 Sep 2020, at 19:55, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote:
> 
> É, mas já que você mencionou o Umberto Eco, vale também recordar o
> problemão que a sua teoria do riso traz em "O Nome da Rosa"...
> 
> Bom saber que não foi apenas o assunto do suicídio que lhe interessou
> em Schopenhauer, Jean-Yves.
> 
> Mantenha-se saudável, e faça por favor a sua parte para que os outros
> possam se manter saudáveis também!
> Joao Marcos
> 
> 
>> On Sun, Sep 20, 2020 at 7:45 PM jyb <jyb.logic...@gmail.com> wrote:
>> 
>> Caro JM   Uma coisa importante é ser capaz de rir de se mesmo, por exemplo 
>> vendo uma caricatura de se e achar engraçado.  O ano passado, dei um curso 
>> de pos-graduação sobre o riso. Um assunto que acho bem interessante porque 
>> tem uma ligação forte entre o riso e a razão. Aristóteles tinha apontado que 
>> tanto o riso que a razão são caracteristicas do ser humano diferenciando ele 
>> de outros animais. E o Schopenhauer até falou que o riso é o unico traço 
>> divino do ser humano. Meu artigo esta disponivel aqui:
>> http://www.jyb-logic.org/RIRE
>> Um abraço, JY
>>> Le dimanche 20 septembre 2020 à 19:23:26 UTC-3, Joao Marcos a écrit :
>>> 
>>> Hummm... e se...
>>> 
>>> ... e se a gente decidisse, como sociedade, *dar prioridade* à luta
>>> para desfazer o que está errado e para substituir por algo mais
>>> saudável, para ontem, o que já não consideramos aceitável, _antes_ de
>>> dar-nos ao luxo de nos entregarmos ao humor livre, de qualquer ordem?
>>> 
>>> ... e se a gente até aceitasse _abdicar_ de algumas coisas que tanto
>>> "nos divertem" para podermos tentar garantir outras, que possam
>>> permitir que _mais gente_ se divirta?
>>> 
>>> Bem, ao tomarmos tais decisões, seguirá *como consequência* que se o
>>> humor puder _ajudar_ na luta, ele poderá ser ainda mais divertido!
>>> 
>>> Quem sabe não conseguiremos assim até manter o respeito pelos nossos
>>> colegas e ainda darmos boas e inteligentes risadas juntos? Não é
>>> piada, não!
>>> JM
>>> 
>>> PS: Este conceito *anti-numérico* de "minoria" fica realmente entalado
>>> na garganta.
>>> 
>>> 
>>> On Sun, Sep 20, 2020 at 6:56 PM jyb <jyb.lo...@gmail.com> wrote:
>>>> 
>>>> Não é bem assim, Nastassja. Tem pessoas que so entendem a lógica de 
>>>> primeira ordem, e não a lógica de segundo ordem, e isso não é porque a 
>>>> lógica de segundo ordem não funciona.
>>>> O humor que estou usando não é o humor ao qual voce esta se referindo, é 
>>>> uma dubla crítica do sexismo e do politicamente correto.
>>>> Bom também anotar que tem pessoas que entendem humor nenhum, que acham que 
>>>> qualquer piada é uma ofensa, da mesma forma que tem pessoas que não 
>>>> entendem lógica nenhuma.
>>>> 
>>>> Le dimanche 20 septembre 2020 à 18:32:48 UTC-3, nastassj...@gmail.com a 
>>>> écrit :
>>>>> 
>>>>> Tem certas coisas que dizem muito mais sobre quem as enuncia do que a 
>>>>> quem se direcionam.
>>>>> 
>>>>> Corre que dá para melhorar com terapia.
>>>>> 
>>>>> Se humor precisa ser explicado é porque não deu certo, né? Chamo essas 
>>>>> piadas de tiozão dos anos 80 de sexismo recreativo (tem também o racismo 
>>>>> recreativo, para saber mais, vejam a tese de Adilson Moreira). Sexismo e 
>>>>> racismo recreativos não eram para terem entrado na moda nunca, mas já 
>>>>> estiveram no auge. Ainda bem que hoje em dia estão em decadência.
>>>>> 
>>>>> Fico feliz de ver reações contrárias nesta lista e parabenizo a nota de 
>>>>> repúdio da SBL.
>>>>> 
>>>>> É assim que a gente melhora o clima na academia. Obrigada, Cesar Mortari 
>>>>> e colegas.
>>>>> 
>>>>> A luta é por permanência na universidade, combate à evasão, paridade de 
>>>>> acesso à posições mais altas na carreira e... saúde mental e física das 
>>>>> “minorias oprimidas”.
>>>>> 
>>>>> Nastassja Pugliese
>>>>> Universidade Federal do Rio de Janeiro
> 
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