Oi Eduardo.

Obrigado pelo post.

Acho que é discussão agora não deve se fixar sobre se o que ele fala está
correto ou errado. Provavelmente o último, muitas vezes.

Mas passar a ser: porque é que o que ele fala está fazendo tanto sucesso
entre um grupo cada vez maior de pessoas e está adquirindo relevância.

O texto que você postou vai nessa direção.

Abraços


On Mon, Oct 29, 2018 at 9:42 AM Eduardo Ochs <eduardoo...@gmail.com> wrote:

> Saiu um artigo no Intercept sobre o Olavo e o olavismo...
>
> https://theintercept.com/2018/10/28/novo-brasil-esculpido-olavo-de-carvalho/
>
>   [[]] =\,
>     Eduardo
>
>
> On Thu, Oct 25, 2018 at 8:02 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote:
>
>> Obrigado por compartilhar o "polêmico" texto, Manuel.  Não comentarei
>> a respeito do "5o princípio de Euclides", com o qual não tenho
>> qualquer compromisso.  Seguem críticas simples que poderiam ser
>> formuladas por qualquer um de nós (isto é, pelas "pessoas que não
>> sabem ler" que são membros desta lista):
>>
>> 1 - A "crença" no infinito atual não é necessária ao citado resultado
>> de Cantor; os conjuntos em questão são recursivos e a bijeção pode ser
>> definida recursivamente.
>>
>> 2 - A bijeção pode ser estabelecida tanto entre os signos (numerais)
>> quanto entre suas denotações (números).  São duas demonstrações
>> distintas, claro, e qualquer uma das duas leva ao mesmo "assombro".
>>
>> 3 - A definição da bijeção não precisa depender de uma ordem imposta
>> sobre os conjuntos subjacentes.
>>
>> 4 - Os pares podem ser facilmente definidos usando os naturais (ou
>> mais propriamente os inteiros), tanto recursivamente quanto em forma
>> fechada; reciprocamente, os naturais também podem ser "definidos", se
>> alguém preferir como "as metades dos pares"; a escolha de quem é o
>> domínio e de quem é o contra-domínio da bijeção é uma mera questão de
>> conveniência, que não faz nenhuma diferença do ponto de vista do
>> resultado e da teoria cantoriana.
>>
>> 5 - O "problema da parte e do todo" pode ser evitado reformulando a
>> demonstração como uma bijeção que é apresentada, digamos, entre os
>> números naturais e os números racionais da forma n/2, com n natural;
>> nenhum dos dois conjuntos é uma "parte" do outro.  Ao terminar a
>> demonstração, se quiser, você pode trocar todas as ocorrências de n/2
>> por ocorrências de 2n.  Voilà.
>>
>> Para o benefício do alegado filósofo, não estou aqui apresentando
>> "demonstrações" (nem muito menos "refutações"), mas apenas sugestões
>> de estudo para que ele possa eliminar suas confusões, que são de fato
>> bastante simples.  Se o Olavo não entender esta matemática "profunda",
>> contudo, sempre pode pedir a seu irmão matemático para lhe ajudar a
>> entender.
>>
>> Joao Marcos
>> On Thu, Oct 25, 2018 at 8:22 PM Manuel Doria <manueldo...@gmail.com>
>> wrote:
>> >
>> > Prezado João Marcos,
>> >
>> > Segue aqui o trecho onde Olavo alega ter revelado raciocínios
>> falaciosos por parte de Georg Cantor:
>> >
>> > Só para dar um exemplo: O célebre Georg Cantor acreditou poder refutar
>> o 5º princípio de Euclides ( de que o todo é maior que a parte ) pelo
>> argumento de que o conjunto dos números pares, embora sendo parte do
>> conjunto dos números inteiros, pode ser posto em correspondência biunívoca
>> com ele, de modo que os dois con- juntos teriam o mesmo número de elementos
>> e, assim, a parte seria igual ao todo: 1, 2, 3, 4..... n 2, 4, 6, 8..... 2n
>> = n Com esta demonstração, Cantor e seus epígonos acreditavam estar
>> derrubando, junto com um princípio da geometria antiga, também uma crença
>> estabelecida do senso comum e um dos pilares da lógica clássica,
>> descortinando assim os horizontes de uma nova era do pensamento humano.
>> Esse raciocínio baseia-se na suposição de que tanto o conjunto dos números
>> inteiros como o dos pares são conjuntos infinitos atuais, e ele pode
>> portanto ser re- jeitado por quem acredite, com Aristóteles, que o infinito
>> quantitativo é só potencial, nunca atual. Mas, mesmo aceitando-se o
>> pressuposto dos infinitos atuais, a demons- tração de Cantor é apenas um
>> jogo de palavras, e bem pouco engenhoso no fundo. Em primeiro lugar, é
>> verdade que, se representarmos os números inteiros cada um por um signo (
>> ou cifra ), teremos aí um conjunto ( infinito ) de signos ou cifras; e
>> se,nesse conjunto, quisermos destacar por signos ou cifras especiais os
>> números que representem pares, então teremos um “segundo” conjunto que será
>> parte do primeiro; e, sendo ambos infinitos, os dois conjuntos terão o
>> mesmo número de ele- mentos, confirmando o argumento de Cantor. Mas isso é
>> confundir os números com seus meros signos, fazendo injustificada abstração
>> das propriedades matemáticas que definem e diferenciam os números entre si
>> e, portanto, abolindo implicitamente também a distinção mesma entre pares e
>> ímpares, na qual se baseia o pretenso ar- gumento. “4” é um signo, “2” é um
>> signo, mas não é o signo “4” que é o dobro de 2, e sim a quantidade 4, seja
>> ela representada por esse signo ou por quatro bolinhas. O conjunto dos
>> números inteiros pode conter mais signos numéricos do que o con- junto dos
>> números pares— já que abrange os signos de pares e os de ímpares—, mas não
>> uma maior quantidade de unidades do que a contida na série dos pares. A
>> tese de Cantor escorrega para fora dessa obviedade mediante o expediente de
>> jogar com um duplo sentido da palavra “número”, ora usando-a para designar
>> uma quantidade definida com propriedades determinadas ( entre as quais a de
>> ocupar um certo lugar na série dos números e a de poder ser par ou ímpar ),
>> ora para designar o mero signo de número, ou seja, a cifra. A série dos
>> números pares só é composta de pares porque é contada de dois em dois, isto
>> é, saltando-se uma unidade entre cada dois números; se não fosse con- tada
>> assim, os números não seriam pares. De nada adianta aqui recorrer ao
>> subter- fúgio de que Cantor se refere ao mero “conjunto” e não à “série
>> ordenada”; pois o conjunto dos números pares não seria de pares se seus
>> elementos não pudessem ser ordenados de dois em dois numa série ascendente
>> ininterrupta que progride pelo acréscimo de 2, nunca de 1; e nenhum número
>> poderia ser considerado par se pudesse livremente trocar de lugar com
>> qualquer outro na série dos inteiros. “Pari- dade” e “lugar na série” são
>> conceitos inseparáveis: se n é par, é porque tanto n+1 como n-1 são
>> ímpares. Nesse sentido, é unicamente a soma implícita das unidades não
>> mencionadas que faz com que a série de pares seja de pares. Portanto— e eis
>> aqui a falácia de Cantor—, não há aqui duas séries de números, mas uma
>> única, contada de duas maneiras: a série dos números pares não é realmente
>> parte da série dos números inteiros, mas é a própria série dos números
>> inteiros, contada ou nomeada de uma determinada maneira. A noção de
>> “conjunto” é que, desta- cada abusivamente da noção de “série”, produz todo
>> esse samba-do-alemão-doido, dando a aparência de que os números pares podem
>> constituir um “conjunto” inde- pendentemente do lugar de cada um na série,
>> quando o fato é que, abstraída a posi- ção na série, não há mais paridade
>> ou imparidade nenhuma. Se a série dos números inteiros pode ser
>> representada por dois conjuntos de signos, um só de pares, outro de pares
>> mais ímpares, isto não significa que se trata de duas séries realmente
>> distin- tas. A confusão que existe aí é entre “elemento” e “unidade”. Um
>> conjunto dex uni-dades contém certamente o mesmo número de “elementos” que
>> um conjunto dex pares, mas não o mesmo número de unidades. O que Cantor faz
>> é, no fundo, substancializar ou mesmo hipostasiar a noção de “par” ou
>> “paridade”, supondo que um número qualquer possa ser par “em si”, inde-
>> pendentemente de seu lugar na série e de sua relação com todos os demais
>> números (inclusive, é claro, com sua própria metade), e que os pares possam
>> ser contados como coisas e não como meras posições intercaladas na série
>> dos números inteiros. No seu “argumento”, não se trata de uma verdadeira
>> distinção entre todo e par- te, mas sim de uma comparação meramente verbal
>> entre um todo e o mesmo todo, diversamente denominado. Não se tratando de
>> um verdadeiro todo e de uma verda- deira parte, não se pode falar então de
>> uma igualdade de elementos entre todo e parte, nem, portanto, de uma
>> refutação do 5º princípio de Euclides. Cantor erra o alvo por muitos metros.
>> >
>> > Em qui, 25 de out de 2018 17:46, Joao Marcos <botoc...@gmail.com>
>> escreveu:
>> >>
>> >> Como este assunto em princípio nada tem a ver com o "Dia Internacional
>> >> da Lógica"
>> >>
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msg/logica-l/lKvBQm5eOg8/JXqHZkv0BgAJ
>> >> inicio outra thread para os interessados.
>> >>
>> >> On Thu, Oct 25, 2018 at 4:45 PM A***** N*** wrote:
>> >> >
>> >> > Acho que a questão é ignorar o Olavo (concordo com tudo que disseram
>> acima dele).
>> >>
>> >> A*****, aí bem pertinho de você, em SC, uma advogada eleita deputada
>> >> federal há três semanas com mais de 100 mil votos fez toda sua
>> >> campanha se auto-descrevendo como "aluna do Olavo de Carvalho desde
>> >> 2006".  Não dá para ignorar.
>> >>
>> >> * * *
>> >>
>> >> O alegado filósofo já é discutido ---e desmontado--- na LOGICA-L ao
>> >> menos desde 2012 (discussão comentada aparentemente com cinco anos de
>> >> atraso pelo Olavo no video que o Yuri enviou).  Exemplo:
>> >>
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msg/logica-l/QFRRpcVLPnc/bA9vvh7Jer0J
>> >> Também outros colegas nossos já dispenderam seu tempo com boçalidades
>> >> que tinham a mesma origem, noutros lugares:
>> >> http://adonaisantanna.blogspot.com/2015/02/olavo-de-carvalho.html
>> >>
>> >> Aparentemente o principal argumento apresentado por Olavo no dito
>> >> video para se defender é de que "todos os membros da lista, um por um"
>> >> são "pessoas incultas e incapazes de lidar com os problemas da
>> >> realidade", pessoas que "não têm domínio da gramática do seu idioma" e
>> >> que por isso "não têm o sentido da linguagem", e não são capazes de
>> >> realizar uma "formalização lógica" por terem falhado em aprender antes
>> >> a boa "formalização gramatical".  Afirma ali Olavo: "o uso
>> >> inapropriado da linguagem comum e corrente expressa uma deficiência de
>> >> percepção".
>> >>
>> >> Olavo afirma "se as pessoas estudam Lógica, é evidente que a ocupação
>> >> delas diz respeito a provas e refutações", e sustenta que "ao longo da
>> >> tradição filosófica [as provas e refutações] sempre significaram muito
>> >> pouca coisa".  Em particular, no video, Olavo dá a impressão de
>> >> reconhecer que _não_ teria tentado *refutar* a teoria dos Conjuntos
>> >> Transfinitos de Cantor, "ao ter escrito apenas uma página e meia sobre
>> >> o assunto em um livro de quatrocentas páginas" [alguém poderia postar
>> >> aqui este trecho completo?], e diz que de fato não pode ter tentado
>> >> refutar a teoria de Cantor, pois, segundo ele, qualquer "refutação
>> >> cabal" demanda _centenas de páginas_, e consiste em "um trabalho muito
>> >> mais sistemático e muito mais meticuloso".
>> >>
>> >> Por fim, no video o descrédito completo dos participantes da
>> >> discussão, neste fórum (e de "todos os representantes da classe
>> >> universitária brasileira", pessoas que são "despreparadas [...] mas
>> >> não têm cultura"), se dá ao apontar que:
>> >> "nenhum deles é autor de algum trabalho monumental nesta coisa [a
>> >> Lógica], nenhum deles tá na altura, sei lá, do Newton da Costa ou do
>> >> Alexandre Costa-Leite".
>> >>
>> >> * * *
>> >>
>> >> Joao Marcos
>> >>
>> >> --
>> >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo
>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
>> >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
>> >> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br.
>> >> Visite este grupo em
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
>> >> Para ver esta discussão na web, acesse
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LiXGDTr5dCOJ%2BeZZ1K72eomrBkh23o3Svt8F%3D%2BBwN5Lbw%40mail.gmail.com
>> .
>> >
>> > --
>> > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos
>> Grupos do Google.
>> > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
>> > Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br.
>> > Acesse esse grupo em
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
>> > Para ver essa discussão na Web, acesse
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAD7xiBPprybp85hTpTM%2Bv0MEbwtarCTB2uk3H0aNoC5juL6aWg%40mail.gmail.com
>> .
>>
>>
>>
>> --
>> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
>>
>> --
>> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L"
>> dos Grupos do Google.
>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>> envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
>> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br.
>> Visite este grupo em
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
>> Para ver esta discussão na web, acesse
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Lhc-cXdezKFL2eo5ct2pxGdryNhEKphy0MABDvwURp0yA%40mail.gmail.com
>> .
>>
> --
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie
> um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
> Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br.
> Acesse esse grupo em
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
> Para ver essa discussão na Web, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CADs%2B%2B6h8qT8NmQJpH15mJwDMspM%2BnN-6UeBd%3DUYoLMaqnuOmkQ%40mail.gmail.com
> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CADs%2B%2B6h8qT8NmQJpH15mJwDMspM%2BnN-6UeBd%3DUYoLMaqnuOmkQ%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
> .
>


-- 
 Marcelo Finger
 Departament of Computer Science, IME
 University of Sao Paulo
 http://www.ime.usp.br/~mfinger
 ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1391-1175
 ResearcherID: A-4670-2009

-- 
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos 
Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um 
e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br.
Visite este grupo em https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
Para ver esta discussão na web, acesse 
https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CABqmzx1J_n6xQbiM0dZQDHj%3DPWMSyf%3DjxWh_kVsazwH2odek1A%40mail.gmail.com.

Responder a