Saiu um artigo no Intercept sobre o Olavo e o olavismo... https://theintercept.com/2018/10/28/novo-brasil-esculpido-olavo-de-carvalho/
[[]] =\, Eduardo On Thu, Oct 25, 2018 at 8:02 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: > Obrigado por compartilhar o "polêmico" texto, Manuel. Não comentarei > a respeito do "5o princípio de Euclides", com o qual não tenho > qualquer compromisso. Seguem críticas simples que poderiam ser > formuladas por qualquer um de nós (isto é, pelas "pessoas que não > sabem ler" que são membros desta lista): > > 1 - A "crença" no infinito atual não é necessária ao citado resultado > de Cantor; os conjuntos em questão são recursivos e a bijeção pode ser > definida recursivamente. > > 2 - A bijeção pode ser estabelecida tanto entre os signos (numerais) > quanto entre suas denotações (números). São duas demonstrações > distintas, claro, e qualquer uma das duas leva ao mesmo "assombro". > > 3 - A definição da bijeção não precisa depender de uma ordem imposta > sobre os conjuntos subjacentes. > > 4 - Os pares podem ser facilmente definidos usando os naturais (ou > mais propriamente os inteiros), tanto recursivamente quanto em forma > fechada; reciprocamente, os naturais também podem ser "definidos", se > alguém preferir como "as metades dos pares"; a escolha de quem é o > domínio e de quem é o contra-domínio da bijeção é uma mera questão de > conveniência, que não faz nenhuma diferença do ponto de vista do > resultado e da teoria cantoriana. > > 5 - O "problema da parte e do todo" pode ser evitado reformulando a > demonstração como uma bijeção que é apresentada, digamos, entre os > números naturais e os números racionais da forma n/2, com n natural; > nenhum dos dois conjuntos é uma "parte" do outro. Ao terminar a > demonstração, se quiser, você pode trocar todas as ocorrências de n/2 > por ocorrências de 2n. Voilà. > > Para o benefício do alegado filósofo, não estou aqui apresentando > "demonstrações" (nem muito menos "refutações"), mas apenas sugestões > de estudo para que ele possa eliminar suas confusões, que são de fato > bastante simples. Se o Olavo não entender esta matemática "profunda", > contudo, sempre pode pedir a seu irmão matemático para lhe ajudar a > entender. > > Joao Marcos > On Thu, Oct 25, 2018 at 8:22 PM Manuel Doria <manueldo...@gmail.com> > wrote: > > > > Prezado João Marcos, > > > > Segue aqui o trecho onde Olavo alega ter revelado raciocínios falaciosos > por parte de Georg Cantor: > > > > Só para dar um exemplo: O célebre Georg Cantor acreditou poder refutar o > 5º princípio de Euclides ( de que o todo é maior que a parte ) pelo > argumento de que o conjunto dos números pares, embora sendo parte do > conjunto dos números inteiros, pode ser posto em correspondência biunívoca > com ele, de modo que os dois con- juntos teriam o mesmo número de elementos > e, assim, a parte seria igual ao todo: 1, 2, 3, 4..... n 2, 4, 6, 8..... 2n > = n Com esta demonstração, Cantor e seus epígonos acreditavam estar > derrubando, junto com um princípio da geometria antiga, também uma crença > estabelecida do senso comum e um dos pilares da lógica clássica, > descortinando assim os horizontes de uma nova era do pensamento humano. > Esse raciocínio baseia-se na suposição de que tanto o conjunto dos números > inteiros como o dos pares são conjuntos infinitos atuais, e ele pode > portanto ser re- jeitado por quem acredite, com Aristóteles, que o infinito > quantitativo é só potencial, nunca atual. Mas, mesmo aceitando-se o > pressuposto dos infinitos atuais, a demons- tração de Cantor é apenas um > jogo de palavras, e bem pouco engenhoso no fundo. Em primeiro lugar, é > verdade que, se representarmos os números inteiros cada um por um signo ( > ou cifra ), teremos aí um conjunto ( infinito ) de signos ou cifras; e > se,nesse conjunto, quisermos destacar por signos ou cifras especiais os > números que representem pares, então teremos um “segundo” conjunto que será > parte do primeiro; e, sendo ambos infinitos, os dois conjuntos terão o > mesmo número de ele- mentos, confirmando o argumento de Cantor. Mas isso é > confundir os números com seus meros signos, fazendo injustificada abstração > das propriedades matemáticas que definem e diferenciam os números entre si > e, portanto, abolindo implicitamente também a distinção mesma entre pares e > ímpares, na qual se baseia o pretenso ar- gumento. “4” é um signo, “2” é um > signo, mas não é o signo “4” que é o dobro de 2, e sim a quantidade 4, seja > ela representada por esse signo ou por quatro bolinhas. O conjunto dos > números inteiros pode conter mais signos numéricos do que o con- junto dos > números pares— já que abrange os signos de pares e os de ímpares—, mas não > uma maior quantidade de unidades do que a contida na série dos pares. A > tese de Cantor escorrega para fora dessa obviedade mediante o expediente de > jogar com um duplo sentido da palavra “número”, ora usando-a para designar > uma quantidade definida com propriedades determinadas ( entre as quais a de > ocupar um certo lugar na série dos números e a de poder ser par ou ímpar ), > ora para designar o mero signo de número, ou seja, a cifra. A série dos > números pares só é composta de pares porque é contada de dois em dois, isto > é, saltando-se uma unidade entre cada dois números; se não fosse con- tada > assim, os números não seriam pares. De nada adianta aqui recorrer ao > subter- fúgio de que Cantor se refere ao mero “conjunto” e não à “série > ordenada”; pois o conjunto dos números pares não seria de pares se seus > elementos não pudessem ser ordenados de dois em dois numa série ascendente > ininterrupta que progride pelo acréscimo de 2, nunca de 1; e nenhum número > poderia ser considerado par se pudesse livremente trocar de lugar com > qualquer outro na série dos inteiros. “Pari- dade” e “lugar na série” são > conceitos inseparáveis: se n é par, é porque tanto n+1 como n-1 são > ímpares. Nesse sentido, é unicamente a soma implícita das unidades não > mencionadas que faz com que a série de pares seja de pares. Portanto— e eis > aqui a falácia de Cantor—, não há aqui duas séries de números, mas uma > única, contada de duas maneiras: a série dos números pares não é realmente > parte da série dos números inteiros, mas é a própria série dos números > inteiros, contada ou nomeada de uma determinada maneira. A noção de > “conjunto” é que, desta- cada abusivamente da noção de “série”, produz todo > esse samba-do-alemão-doido, dando a aparência de que os números pares podem > constituir um “conjunto” inde- pendentemente do lugar de cada um na série, > quando o fato é que, abstraída a posi- ção na série, não há mais paridade > ou imparidade nenhuma. Se a série dos números inteiros pode ser > representada por dois conjuntos de signos, um só de pares, outro de pares > mais ímpares, isto não significa que se trata de duas séries realmente > distin- tas. A confusão que existe aí é entre “elemento” e “unidade”. Um > conjunto dex uni-dades contém certamente o mesmo número de “elementos” que > um conjunto dex pares, mas não o mesmo número de unidades. O que Cantor faz > é, no fundo, substancializar ou mesmo hipostasiar a noção de “par” ou > “paridade”, supondo que um número qualquer possa ser par “em si”, inde- > pendentemente de seu lugar na série e de sua relação com todos os demais > números (inclusive, é claro, com sua própria metade), e que os pares possam > ser contados como coisas e não como meras posições intercaladas na série > dos números inteiros. No seu “argumento”, não se trata de uma verdadeira > distinção entre todo e par- te, mas sim de uma comparação meramente verbal > entre um todo e o mesmo todo, diversamente denominado. Não se tratando de > um verdadeiro todo e de uma verda- deira parte, não se pode falar então de > uma igualdade de elementos entre todo e parte, nem, portanto, de uma > refutação do 5º princípio de Euclides. Cantor erra o alvo por muitos metros. > > > > Em qui, 25 de out de 2018 17:46, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> > escreveu: > >> > >> Como este assunto em princípio nada tem a ver com o "Dia Internacional > >> da Lógica" > >> > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msg/logica-l/lKvBQm5eOg8/JXqHZkv0BgAJ > >> inicio outra thread para os interessados. > >> > >> On Thu, Oct 25, 2018 at 4:45 PM A***** N*** wrote: > >> > > >> > Acho que a questão é ignorar o Olavo (concordo com tudo que disseram > acima dele). > >> > >> A*****, aí bem pertinho de você, em SC, uma advogada eleita deputada > >> federal há três semanas com mais de 100 mil votos fez toda sua > >> campanha se auto-descrevendo como "aluna do Olavo de Carvalho desde > >> 2006". Não dá para ignorar. > >> > >> * * * > >> > >> O alegado filósofo já é discutido ---e desmontado--- na LOGICA-L ao > >> menos desde 2012 (discussão comentada aparentemente com cinco anos de > >> atraso pelo Olavo no video que o Yuri enviou). Exemplo: > >> > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msg/logica-l/QFRRpcVLPnc/bA9vvh7Jer0J > >> Também outros colegas nossos já dispenderam seu tempo com boçalidades > >> que tinham a mesma origem, noutros lugares: > >> http://adonaisantanna.blogspot.com/2015/02/olavo-de-carvalho.html > >> > >> Aparentemente o principal argumento apresentado por Olavo no dito > >> video para se defender é de que "todos os membros da lista, um por um" > >> são "pessoas incultas e incapazes de lidar com os problemas da > >> realidade", pessoas que "não têm domínio da gramática do seu idioma" e > >> que por isso "não têm o sentido da linguagem", e não são capazes de > >> realizar uma "formalização lógica" por terem falhado em aprender antes > >> a boa "formalização gramatical". Afirma ali Olavo: "o uso > >> inapropriado da linguagem comum e corrente expressa uma deficiência de > >> percepção". > >> > >> Olavo afirma "se as pessoas estudam Lógica, é evidente que a ocupação > >> delas diz respeito a provas e refutações", e sustenta que "ao longo da > >> tradição filosófica [as provas e refutações] sempre significaram muito > >> pouca coisa". Em particular, no video, Olavo dá a impressão de > >> reconhecer que _não_ teria tentado *refutar* a teoria dos Conjuntos > >> Transfinitos de Cantor, "ao ter escrito apenas uma página e meia sobre > >> o assunto em um livro de quatrocentas páginas" [alguém poderia postar > >> aqui este trecho completo?], e diz que de fato não pode ter tentado > >> refutar a teoria de Cantor, pois, segundo ele, qualquer "refutação > >> cabal" demanda _centenas de páginas_, e consiste em "um trabalho muito > >> mais sistemático e muito mais meticuloso". > >> > >> Por fim, no video o descrédito completo dos participantes da > >> discussão, neste fórum (e de "todos os representantes da classe > >> universitária brasileira", pessoas que são "despreparadas [...] mas > >> não têm cultura"), se dá ao apontar que: > >> "nenhum deles é autor de algum trabalho monumental nesta coisa [a > >> Lógica], nenhum deles tá na altura, sei lá, do Newton da Costa ou do > >> Alexandre Costa-Leite". > >> > >> * * * > >> > >> Joao Marcos > >> > >> -- > >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo > "LOGICA-L" dos Grupos do Google. > >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, > envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > >> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. > >> Visite este grupo em > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. > >> Para ver esta discussão na web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LiXGDTr5dCOJ%2BeZZ1K72eomrBkh23o3Svt8F%3D%2BBwN5Lbw%40mail.gmail.com > . > > > > -- > > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos > Grupos do Google. > > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, > envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > > Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. > > Acesse esse grupo em > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. > > Para ver essa discussão na Web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAD7xiBPprybp85hTpTM%2Bv0MEbwtarCTB2uk3H0aNoC5juL6aWg%40mail.gmail.com > . > > > > -- > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > > -- > Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie > um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. > Visite este grupo em > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. > Para ver esta discussão na web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Lhc-cXdezKFL2eo5ct2pxGdryNhEKphy0MABDvwURp0yA%40mail.gmail.com > . > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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