O Carl Segan disse não lembro mais onde que o médico que fez o parto dele 
exerceu mais influência sobre seu nascimento do que Saturno (ele se referia ao 
fator físico, obviamente, e não médico). 
D



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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 12/11/2012, às 01:07, "Arthur Buchsbaum" <[email protected]> escreveu:

> Aí já parece-me um pré-conceito com respeito à Astrologia. Conheço pessoas
> de primeira grandeza que também cultivam o conhecimento astrológico.
> Uma boa parte do conhecimento acadêmico das universidades é equivocado,
> preconceituoso, e também está ligado a interesses políticos e
> corporativistas menores. Tal rede de pré-conceitos alija da aplicação das
> verbas públicas um amplo corpo de conhecimentos e práticas que seriam muito
> úteis a todos.
> Uma das principais ideologias que permeia quase todas as modernas
> universidades é o cientificismo.
> Saímos do dogmatismo católico para cair em outra forma de dogmatismo, pelo
> menos tão perniciosa quanto a primeira.
> Att.,
> Arthur Buchsbaum
> 
> -----Mensagem original-----
> De: [email protected] [mailto:[email protected]]
> Em nome de Alvaro Augusto (L)
> Enviada em: domingo, 11 de novembro de 2012 19:12
> Para: [email protected]
> Assunto: Re: [Logica-l] Genial!
> 
> Como disse Robert Heinlein (um autor de ficção científica): "Uma pedra de
> toque para determinar o valor real de um intelectual: descubra o que ele
> pensa da astrologia".
> 
> [ ]s
> 
> Alvaro Augusto
> 
> 
> Em 11/11/2012 18:21, Tony Marmo escreveu:
>> PS: Somente agora prestei atenção quem era o autor do texto. Mas, não 
>> faz muita diferença, já que não se entende muito bem o que próprio 
>> texto pretende argumentar.
>> 
>> Em 10 de novembro de 2012 16:16, Tony Marmo <[email protected]>
> escreveu:
>> 
>>> Como ele não menciona  as noções de ordinalidade e cardinalidade, não 
>>> me parece que ele saiba exatamente o que a asserção "o todo é maior 
>>> que a parte" nesse caso.  Ele não discute o que significa ser 
>>> maior.Aliás, nem sequer sabe dizer o que quer dizer A e B serem um 
>>> mesmo conjunto". Mas, o que ele quer dizer é que se se faz uma 
>>> correspondência biunívoca entre pares e inteiros, na verdade o que se 
>>> faz é trocar os símbolos numéricos, para cada símbolo par se dá um 
>>> novo símbolo dos inteiros. Esse argumento, todavia, não tem a 
>>> capacidade de derrubar nenhuma das ideias que Cantor ou outro 
>>> matemático ou filósofo tenha introduzido. Ali ás, a operação de troca 
>>> de símbolos não depende da bijeção, injeção ou sobrejeção, nem muito 
>>> menos a bijeção, injeção ou sobrejeção dependem da troca de símbolos. A
> troca de símbolos sequer precisa corresponder a uma função.
>>> 
>>> Em 10 de novembro de 2012 02:57, Manuel Doria
> <[email protected]>escreveu:
>>> 
>>> Outra famosa é a "refutação" de Cantor em *O Jardim das Aflições*:
>>>> Só para dar um exemplo: O célebre Georg Cantor acreditou poder 
>>>> refutar o 5º princípio de Euclides ( de que o todo é maior que a 
>>>> parte ) pelo argumento de que o conjunto dos números pares, embora 
>>>> sendo parte do conjunto dos números inteiros, pode ser posto em 
>>>> correspondência biunívoca com ele, de modo que os dois con- juntos 
>>>> teriam o mesmo número de elementos e, assim, a parte seria igual ao 
>>>> todo: 1, 2, 3, 4..... n 2, 4, 6, 8..... 2n = n Com esta 
>>>> demonstração, Cantor e seus epígonos acreditavam estar derrubando, 
>>>> junto com um princípio da geometria antiga, também uma crença 
>>>> estabelecida do senso comum e um dos pilares da lógica clássica, 
>>>> descortinando assim os horizontes de uma nova era do pensamento 
>>>> humano. Esse raciocínio baseia-se na suposição de que tanto o 
>>>> conjunto dos números inteiros como o dos pares são conjuntos 
>>>> infinitos atuais, e ele pode portanto ser re- jeitado por quem 
>>>> acredite, com Aristóteles, que o infinito quantitativo é só 
>>>> potencial, nunca atual. Mas, mesmo aceitando-se o pressuposto dos 
>>>> infinitos atuais, a
>>>> demons- tração de Cantor é apenas um jogo de palavras, e bem pouco 
>>>> engenhoso no fundo. Em primeiro lugar, é verdade que, se 
>>>> representarmos os números inteiros cada um por um signo ( ou cifra 
>>>> ), teremos aí um conjunto ( infinito ) de signos ou cifras; e 
>>>> se,nesse conjunto, quisermos destacar por signos ou cifras especiais 
>>>> os números que representem pares, então teremos um “segundo” 
>>>> conjunto que será parte do primeiro; e, sendo ambos infinitos, os 
>>>> dois conjuntos terão o mesmo número de ele- mentos, confirmando o 
>>>> argumento de Cantor. Mas isso é confundir os números com seus meros 
>>>> signos, fazendo injustificada abstração das propriedades matemáticas 
>>>> que definem e diferenciam os números entre si e, portanto, abolindo 
>>>> implicitamente também a distinção mesma entre pares e ímpares, na 
>>>> qual se baseia o pretenso ar- gumento. “4” é um signo, “2” é um 
>>>> signo, mas não é o signo “4” que é o dobro de 2, e sim a quantidade 
>>>> 4, seja ela representada por esse signo ou por quatro bolinhas. O 
>>>> conjunto dos números inteiros pode conter mais signos numéricos do 
>>>> que o con- junto dos números pares— já que abrange os signos de 
>>>> pares e os de ímpares—, mas não uma maior quantidade de unidades do 
>>>> que a contida na série dos pares. A tese de Cantor escorrega para 
>>>> fora dessa obviedade mediante o expediente de jogar com um duplo 
>>>> sentido da palavra “número”, ora usando-a para designar uma 
>>>> quantidade definida com propriedades determinadas ( entre as quais a 
>>>> de ocupar um certo lugar na série dos números e a de poder ser par 
>>>> ou ímpar ), ora para designar o mero signo de número, ou seja, a 
>>>> cifra. A série dos números pares só é composta de pares porque é 
>>>> contada de dois em dois, isto é, saltando-se uma unidade entre cada 
>>>> dois números; se não fosse con- tada assim, os números não seriam 
>>>> pares. De nada adianta aqui recorrer ao
>>>> subter- fúgio de que Cantor se refere ao mero “conjunto” e não à 
>>>> “série ordenada”; pois o conjunto dos números pares não seria de 
>>>> pares se seus elementos não pudessem ser ordenados de dois em dois 
>>>> numa série ascendente ininterrupta que progride pelo acréscimo de 2, 
>>>> nunca de 1; e nenhum número poderia ser considerado par se pudesse 
>>>> livremente trocar de lugar com qualquer outro na série dos inteiros. 
>>>> “Pari- dade” e “lugar na série” são conceitos inseparáveis: se n é 
>>>> par, é porque tanto n+1 como n-1 são ímpares. Nesse sentido, é 
>>>> unicamente a soma implícita das unidades não mencionadas que faz com 
>>>> que a série de pares seja de pares. Portanto— e eis aqui a falácia 
>>>> de Cantor—, não há aqui duas séries de números, mas uma única, 
>>>> contada de duas maneiras: a série dos números pares não é realmente 
>>>> parte da série dos números inteiros, mas é a própria série dos 
>>>> números inteiros, contada ou nomeada de uma determinada maneira. A 
>>>> noção de “conjunto” é que, desta- cada abusivamente da noção de 
>>>> “série”, produz todo esse samba-do-alemão-doido, dando a aparência 
>>>> de que os números pares podem constituir um “conjunto” inde- 
>>>> pendentemente do lugar de cada um na série, quando o fato é que, 
>>>> abstraída a posi- ção na série, não há mais paridade ou imparidade 
>>>> nenhuma. Se a série dos números inteiros pode ser representada por 
>>>> dois conjuntos de signos, um só de pares, outro de pares mais 
>>>> ímpares, isto não significa que se trata de duas séries realmente
>>>> distin- tas. A confusão que existe aí é entre “elemento” e 
>>>> “unidade”. Um conjunto dex uni-dades contém certamente o mesmo 
>>>> número de “elementos” que um conjunto dex pares, mas não o mesmo 
>>>> número de unidades. O que Cantor faz é, no fundo, substancializar ou 
>>>> mesmo hipostasiar a noção de “par” ou “paridade”, supondo que um 
>>>> número qualquer possa ser par “em si”, inde- pendentemente de seu 
>>>> lugar na série e de sua relação com todos os demais números 
>>>> (inclusive, é claro, com sua própria metade), e que os pares possam 
>>>> ser contados como coisas e não como meras posições intercaladas na 
>>>> série dos números inteiros. No seu “argumento”, não se trata de uma 
>>>> verdadeira distinção entre todo e par- te, mas sim de uma comparação 
>>>> meramente verbal entre um todo e o mesmo todo, diversamente 
>>>> denominado. Não se tratando de um verdadeiro todo e de uma verda- 
>>>> deira parte, não se pode falar então de uma igualdade de elementos 
>>>> entre todo e parte, nem, portanto, de uma refutação do 5º princípio 
>>>> de Euclides. Cantor erra o alvo por muitos metros.
>>>> 
>>>> 2012/11/10 Manuel Doria <[email protected]>
>>>> 
>>>>> Ele também já alegou que o *Tractatus* foi copiosamente plagiado de
>>>> obras
>>>>> anteriores de Frege e que esta obra trouxe um "dano incalculável" à 
>>>>> "inteligência mundial".
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 2012/11/9 Décio Krause <[email protected]>
>>>>> 
>>>>>> Impressionante. Sabem se ele também falou da mecânica quântica ou 
>>>>>> dos teoremas de Gödel?(deve ter falado, pois ele parece que fala 
>>>>>> de
>>>> qualquer
>>>>>> coisa).
>>>>>> D
>>>>>> 
>>>>>> 
>>>>>> 
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