Acredito que Heinlein colocou aspas em torno da palavra "intelectual"
--- e com razão.

JM


2012/11/11 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>:
> Como disse Robert Heinlein (um autor de ficção científica): "Uma pedra de
> toque para determinar o valor real de um intelectual: descubra o que ele
> pensa da astrologia".
>
> [ ]s
>
> Alvaro Augusto
>
>
> Em 11/11/2012 18:21, Tony Marmo escreveu:
>
>> PS: Somente agora prestei atenção quem era o autor do texto. Mas, não faz
>> muita diferença, já que não se entende muito bem o que próprio texto
>> pretende argumentar.
>>
>> Em 10 de novembro de 2012 16:16, Tony Marmo <[email protected]>
>> escreveu:
>>
>>> Como ele não menciona  as noções de ordinalidade e cardinalidade, não me
>>> parece que ele saiba exatamente o que a asserção "o todo é maior que a
>>> parte" nesse caso.  Ele não discute o que significa ser maior.Aliás, nem
>>> sequer sabe dizer o que quer dizer A e B serem um mesmo conjunto". Mas, o
>>> que ele quer dizer é que se se faz uma correspondência biunívoca entre
>>> pares e inteiros, na verdade o que se faz é trocar os símbolos numéricos,
>>> para cada símbolo par se dá um novo símbolo dos inteiros. Esse argumento,
>>> todavia, não tem a capacidade de derrubar nenhuma das ideias que Cantor
>>> ou
>>> outro matemático ou filósofo tenha introduzido. Ali ás, a operação de
>>> troca
>>> de símbolos não depende da bijeção, injeção ou sobrejeção, nem muito
>>> menos
>>> a bijeção, injeção ou sobrejeção dependem da troca de símbolos. A troca
>>> de
>>> símbolos sequer precisa corresponder a uma função.
>>>
>>> Em 10 de novembro de 2012 02:57, Manuel Doria
>>> <[email protected]>escreveu:
>>>
>>> Outra famosa é a "refutação" de Cantor em *O Jardim das Aflições*:
>>>>
>>>> Só para dar um exemplo: O célebre Georg Cantor acreditou poder refutar o
>>>> 5º
>>>> princípio de Euclides ( de que o todo é maior que a parte ) pelo
>>>> argumento
>>>> de que o conjunto dos números pares, embora sendo parte do conjunto dos
>>>> números inteiros, pode ser posto em correspondência biunívoca com ele,
>>>> de
>>>> modo que os dois con- juntos teriam o mesmo número de elementos e,
>>>> assim,
>>>> a
>>>> parte seria igual ao todo: 1, 2, 3, 4..... n 2, 4, 6, 8..... 2n = n Com
>>>> esta demonstração, Cantor e seus epígonos acreditavam estar derrubando,
>>>> junto com um princípio da geometria antiga, também uma crença
>>>> estabelecida
>>>> do senso comum e um dos pilares da lógica clássica, descortinando assim
>>>> os
>>>> horizontes de uma nova era do pensamento humano. Esse raciocínio
>>>> baseia-se
>>>> na suposição de que tanto o conjunto dos números inteiros como o dos
>>>> pares
>>>> são conjuntos infinitos atuais, e ele pode portanto ser re- jeitado por
>>>> quem acredite, com Aristóteles, que o infinito quantitativo é só
>>>> potencial,
>>>> nunca atual. Mas, mesmo aceitando-se o pressuposto dos infinitos atuais,
>>>> a
>>>> demons- tração de Cantor é apenas um jogo de palavras, e bem pouco
>>>> engenhoso no fundo. Em primeiro lugar, é verdade que, se representarmos
>>>> os
>>>> números inteiros cada um por um signo ( ou cifra ), teremos aí um
>>>> conjunto
>>>> ( infinito ) de signos ou cifras; e se,nesse conjunto, quisermos
>>>> destacar
>>>> por signos ou cifras especiais os números que representem pares, então
>>>> teremos um “segundo” conjunto que será parte do primeiro; e, sendo ambos
>>>> infinitos, os dois conjuntos terão o mesmo número de ele- mentos,
>>>> confirmando o argumento de Cantor. Mas isso é confundir os números com
>>>> seus
>>>> meros signos, fazendo injustificada abstração das propriedades
>>>> matemáticas
>>>> que definem e diferenciam os números entre si e, portanto, abolindo
>>>> implicitamente também a distinção mesma entre pares e ímpares, na qual
>>>> se
>>>> baseia o pretenso ar- gumento. “4” é um signo, “2” é um signo, mas não é
>>>> o
>>>> signo “4” que é o dobro de 2, e sim a quantidade 4, seja ela
>>>> representada
>>>> por esse signo ou por quatro bolinhas. O conjunto dos números inteiros
>>>> pode
>>>> conter mais signos numéricos do que o con- junto dos números pares— já
>>>> que
>>>> abrange os signos de pares e os de ímpares—, mas não uma maior
>>>> quantidade
>>>> de unidades do que a contida na série dos pares. A tese de Cantor
>>>> escorrega
>>>> para fora dessa obviedade mediante o expediente de jogar com um duplo
>>>> sentido da palavra “número”, ora usando-a para designar uma quantidade
>>>> definida com propriedades determinadas ( entre as quais a de ocupar um
>>>> certo lugar na série dos números e a de poder ser par ou ímpar ), ora
>>>> para
>>>> designar o mero signo de número, ou seja, a cifra. A série dos números
>>>> pares só é composta de pares porque é contada de dois em dois, isto é,
>>>> saltando-se uma unidade entre cada dois números; se não fosse con- tada
>>>> assim, os números não seriam pares. De nada adianta aqui recorrer ao
>>>> subter- fúgio de que Cantor se refere ao mero “conjunto” e não à “série
>>>> ordenada”; pois o conjunto dos números pares não seria de pares se seus
>>>> elementos não pudessem ser ordenados de dois em dois numa série
>>>> ascendente
>>>> ininterrupta que progride pelo acréscimo de 2, nunca de 1; e nenhum
>>>> número
>>>> poderia ser considerado par se pudesse livremente trocar de lugar com
>>>> qualquer outro na série dos inteiros. “Pari- dade” e “lugar na série”
>>>> são
>>>> conceitos inseparáveis: se n é par, é porque tanto n+1 como n-1 são
>>>> ímpares. Nesse sentido, é unicamente a soma implícita das unidades não
>>>> mencionadas que faz com que a série de pares seja de pares. Portanto— e
>>>> eis
>>>> aqui a falácia de Cantor—, não há aqui duas séries de números, mas uma
>>>> única, contada de duas maneiras: a série dos números pares não é
>>>> realmente
>>>> parte da série dos números inteiros, mas é a própria série dos números
>>>> inteiros, contada ou nomeada de uma determinada maneira. A noção de
>>>> “conjunto” é que, desta- cada abusivamente da noção de “série”, produz
>>>> todo
>>>> esse samba-do-alemão-doido, dando a aparência de que os números pares
>>>> podem
>>>> constituir um “conjunto” inde- pendentemente do lugar de cada um na
>>>> série,
>>>> quando o fato é que, abstraída a posi- ção na série, não há mais
>>>> paridade
>>>> ou imparidade nenhuma. Se a série dos números inteiros pode ser
>>>> representada por dois conjuntos de signos, um só de pares, outro de
>>>> pares
>>>> mais ímpares, isto não significa que se trata de duas séries realmente
>>>> distin- tas. A confusão que existe aí é entre “elemento” e “unidade”. Um
>>>> conjunto dex uni-dades contém certamente o mesmo número de “elementos”
>>>> que
>>>> um conjunto dex pares, mas não o mesmo número de unidades. O que Cantor
>>>> faz
>>>> é, no fundo, substancializar ou mesmo hipostasiar a noção de “par” ou
>>>> “paridade”, supondo que um número qualquer possa ser par “em si”, inde-
>>>> pendentemente de seu lugar na série e de sua relação com todos os demais
>>>> números (inclusive, é claro, com sua própria metade), e que os pares
>>>> possam
>>>> ser contados como coisas e não como meras posições intercaladas na série
>>>> dos números inteiros. No seu “argumento”, não se trata de uma verdadeira
>>>> distinção entre todo e par- te, mas sim de uma comparação meramente
>>>> verbal
>>>> entre um todo e o mesmo todo, diversamente denominado. Não se tratando
>>>> de
>>>> um verdadeiro todo e de uma verda- deira parte, não se pode falar então
>>>> de
>>>> uma igualdade de elementos entre todo e parte, nem, portanto, de uma
>>>> refutação do 5º princípio de Euclides. Cantor erra o alvo por muitos
>>>> metros.
>>>>
>>>> 2012/11/10 Manuel Doria <[email protected]>
>>>>
>>>>> Ele também já alegou que o *Tractatus* foi copiosamente plagiado de
>>>>
>>>> obras
>>>>>
>>>>> anteriores de Frege e que esta obra trouxe um "dano incalculável" à
>>>>> "inteligência mundial".
>>>>>
>>>>>
>>>>> 2012/11/9 Décio Krause <[email protected]>
>>>>>
>>>>>> Impressionante. Sabem se ele também falou da mecânica quântica ou dos
>>>>>> teoremas de Gödel?(deve ter falado, pois ele parece que fala de
>>>>
>>>> qualquer
>>>>>>
>>>>>> coisa).
>>>>>> D
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> ------------------------------------------------------
>>>>>> Décio Krause
>>>>>> Departamento de Filosofia
>>>>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>>>>> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
>>>>>> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>>>>>>
>
> _______________________________________________
> Logica-l mailing list
> [email protected]
> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l



-- 
http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a