Marcos, muito obrigado. Entendo o que você quer dizer e concordo. Aliás, realmente estou garimpando as coisas que vocês três escreveram ainda no CLE, e por isso mesmo escrevo a você.
Mas, existe algo que preciso apontar: os operadores também dependem do ponto de vista. Veja, se eu tenho um operador O e defino o seguinte: O(alpha):=¬Q¬(alpha), pergunte quem é o universal e quem é o existencial, a resposta é depende do ponto de vista. Salvo engano meu, o Professor Pizzi implementou uma vez a proposta de como uma lógica pode começar a partir de um operador de contingência como primitivo. Os mesmos princípios, axiomas ou regras de inferência, que envolvem o operador quadrado podem ser formulados para o operador diamante. De novo, coisas dependendo do ponto de vista. Por outro lado, quadrado não necessariamente quer dizer "todo mundo w de W", depende da semântica. Acho que talvez você não queira identificar o operador de consistência com um universal, pois, como você mesmo diz, não quer que ºA, não-A bastem para a explosão. Mas, se necessidade não for entendida como uma quantificação universal, não enxergo como NecA e não-A de pronto explodiriam. Em 24 de abril de 2012 11:53, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> escreveu: > Olá, Tony: > > > Mas, quanto à sua objeção, eu precisaria de mais argumentos, > principalmente > > filosóficos, para dizer que consistência é contingência e para dizer que > > consistência não possa ser necessidade ou que seja confusão. > Conhecimento ou > > saber podem sê-lo, obrigação idem, tempo ibidem, etc. Enfim, não há essa > > identificação de consistência com contingência, que eu saiba. Aliás, > existe > > já pelo menos uma lógica em que um dos operadores modais é interpretado > como > > "provável" (provable) e o seu dual como "consistente". Vide Gödel 1933 e > Löb > > 1955, para uma discussão. > > Não pensei que estava fazendo uma "objeção"... :-) > > Bem, na verdade a definição do conectivo de consistência que você > mencionou e sua versão modal são ambas propostas minhas, e ---por > design--- há restrições que devem ser obedecidas para que este > conectivo tenha a interpretação para ele pretendida. Uma destas > restrições obriga justamente a que a consistência não seja idêntica à > necessidade (na sua interpretação usual e desde que você não mude o > significado da negação paraconsistente do ponto de vista modal), pois > em caso contrário não seria necessário adicionar A a {oA, ~A} para > recuperar o Princípio da Explosão. > > (O conectivo de consistência continua sendo, contudo, um belo exemplo > de modalidade não-normal, que *não* é idêntica à não-contingência, e > que certamente é tratável, em princípio, a partir de semânticas de > vizinhança. De todo modo, para _uma_ certa conexão entre a > consistência e o axioma K você pode dar uma espiada no teorema K2.2 do > artigo "Logics of essence and accident".) > > A interpretação alternativa que você menciona para a consistência como > dual da demonstrabilidade é bem conhecida e muito bem explorada no > livro do Boolos, "The Logic of Provability". É interessante notar, > contudo, que o Hirohiko Kushida explorou a conexão entre esta > interpretação e, de modo mais aprofundado, a _nossa_ definição de > consistência no paper "The Modal Logic of Gödel Sentences", publicado > em 2010 no JPL. > > > A questão que estou propondo é o caminho inverso: pessoas que > interpretam o > > operador de consistência como um dos modais primitivos e saber que > semântica > > (topológica de preferência) se poderia usar. > > Para a abordagem topológica, não deixe de dar uma olhada nos artigos > do Chris Steinsvold que já mencionei. > > Abraços, > Joao Marcos > > > Em 23 de abril de 2012 21:44, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> escreveu: > > > >> Olá, Tony: > >> > >> > I write to inquire on the issue of interpreting the consistency > operator > >> > ° > >> > as a modal one, either necessity or possibility. > >> > >> Parece que há uma confusão aqui. O operador de consistência não é > >> aparentado da necessidade ou da possibilidade, mas está mais próximo > >> da noção de contingência. > >> > >> > 1. Are there any works which, from the perspective of neighbourhood > >> > semantics, treat it as necessity operator, i.e., °A means that [[A]] > >> > belongs > >> > to N(w)? > >> > >> Não se trata de um operador de necessidade. De todo modo, a > >> interpretação em termos de uma semântica de vizinhança necessita > >> apenas de um operador com a propriedade de "replacement", então tudo > >> bem. > >> > >> > 2. Are there any works which, by another topological approach, treat > °A > >> > as > >> > necessity operator defined as the interior, i.e., [[°A]]= int[[A]]? > >> > >> Não se trata de um operador de necessidade. > >> > >> > 3. 2. Are there any works which, by another topological approach, > treat > >> > °A > >> > means the closure of [[A]]? > >> > >> Para uma interpretação topológica, confira os trabalhos de Chris > >> Steinsvold, sobre "logics of ignorance and borders". > >> > >> Joao Marcos > > -- > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > _______________________________________________ Logica-l mailing list Logica-l@dimap.ufrn.br http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l