Olá, Tony: > Mas, quanto à sua objeção, eu precisaria de mais argumentos, principalmente > filosóficos, para dizer que consistência é contingência e para dizer que > consistência não possa ser necessidade ou que seja confusão. Conhecimento ou > saber podem sê-lo, obrigação idem, tempo ibidem, etc. Enfim, não há essa > identificação de consistência com contingência, que eu saiba. Aliás, existe > já pelo menos uma lógica em que um dos operadores modais é interpretado como > "provável" (provable) e o seu dual como "consistente". Vide Gödel 1933 e Löb > 1955, para uma discussão.
Não pensei que estava fazendo uma "objeção"... :-) Bem, na verdade a definição do conectivo de consistência que você mencionou e sua versão modal são ambas propostas minhas, e ---por design--- há restrições que devem ser obedecidas para que este conectivo tenha a interpretação para ele pretendida. Uma destas restrições obriga justamente a que a consistência não seja idêntica à necessidade (na sua interpretação usual e desde que você não mude o significado da negação paraconsistente do ponto de vista modal), pois em caso contrário não seria necessário adicionar A a {oA, ~A} para recuperar o Princípio da Explosão. (O conectivo de consistência continua sendo, contudo, um belo exemplo de modalidade não-normal, que *não* é idêntica à não-contingência, e que certamente é tratável, em princípio, a partir de semânticas de vizinhança. De todo modo, para _uma_ certa conexão entre a consistência e o axioma K você pode dar uma espiada no teorema K2.2 do artigo "Logics of essence and accident".) A interpretação alternativa que você menciona para a consistência como dual da demonstrabilidade é bem conhecida e muito bem explorada no livro do Boolos, "The Logic of Provability". É interessante notar, contudo, que o Hirohiko Kushida explorou a conexão entre esta interpretação e, de modo mais aprofundado, a _nossa_ definição de consistência no paper "The Modal Logic of Gödel Sentences", publicado em 2010 no JPL. > A questão que estou propondo é o caminho inverso: pessoas que interpretam o > operador de consistência como um dos modais primitivos e saber que semântica > (topológica de preferência) se poderia usar. Para a abordagem topológica, não deixe de dar uma olhada nos artigos do Chris Steinsvold que já mencionei. Abraços, Joao Marcos > Em 23 de abril de 2012 21:44, Joao Marcos <botoc...@gmail.com> escreveu: > >> Olá, Tony: >> >> > I write to inquire on the issue of interpreting the consistency operator >> > ° >> > as a modal one, either necessity or possibility. >> >> Parece que há uma confusão aqui. O operador de consistência não é >> aparentado da necessidade ou da possibilidade, mas está mais próximo >> da noção de contingência. >> >> > 1. Are there any works which, from the perspective of neighbourhood >> > semantics, treat it as necessity operator, i.e., °A means that [[A]] >> > belongs >> > to N(w)? >> >> Não se trata de um operador de necessidade. De todo modo, a >> interpretação em termos de uma semântica de vizinhança necessita >> apenas de um operador com a propriedade de "replacement", então tudo >> bem. >> >> > 2. Are there any works which, by another topological approach, treat °A >> > as >> > necessity operator defined as the interior, i.e., [[°A]]= int[[A]]? >> >> Não se trata de um operador de necessidade. >> >> > 3. 2. Are there any works which, by another topological approach, treat >> > °A >> > means the closure of [[A]]? >> >> Para uma interpretação topológica, confira os trabalhos de Chris >> Steinsvold, sobre "logics of ignorance and borders". >> >> Joao Marcos -- http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ _______________________________________________ Logica-l mailing list Logica-l@dimap.ufrn.br http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l