Wagner e Doria
Quando falamos aqui em espaço e tempo, o Prof. Newton Costa sai à caça: *que* espaço e *que* tempo? Psico-fisiológicos? Absolutos? Relativistas? (São expressões que ele usa em geral, e aplica a quase todos os conceitos que utlizamos: indivíduo, partícula, modelos, lógica... achando que via de regra os filósofos não qualificam as coisas devidamente). Ele tem razão, mas acho que ele é pouco entendido. Os filófosos que conheço acham que, sim, qualificam o que dizem, mas não prestam atenção à matemática que estão usando, por exemplo. No entanto, concordo com muito do que vocês dois estão falando, malgradas as diferenças (posso ser paraconsistente, porque não?), e Wagner está certo, me parece, que precisamos de uma *tese metodológica* para assumir que de fato vamos encontrar explicações, ou que se algo está no e-t, podemos explicar. A discussão está boa. PS. Tentei mandar a foto do Cupertino à qual o Doria se referiu antes mas ela não passou no crivo do moderador devido ao tamanho. Vou tentar de novo. Espero que ele deixe. Quanto aos alucinógenos, cada um acha o santo-daime que deseja ou, como me disse um amigo lógico, *cai de boca no que melhor lhe apetece*. Eu por exemplo gosto de tomar cerveja.
Abraços (*pace*, moderador).
Décio



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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause




Em 29/07/2009, às 10:03, Wagner de Campos Sanz escreveu:

Caro Doria,

Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio
conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era
ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos,
você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é
passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua
crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por
meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria
"científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que
achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção
que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese
metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um
substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível
propriamente de "investigação científica".
Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no
tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra
muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que
você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus
objetos de estudo não são eventos espaço-temporais.

WS

 Francisco Antonio Doria escreveu:
Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de
investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que
você viu isso?

Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de
experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os
laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um
protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma...

2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected]
<mailto:[email protected]>>

   Caros Frank e Dória,

   Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres.
Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua
   posição.
Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do
   mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma
   asserção
   verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas,
   nesse
   caso, o problema resta no pé em que está.
   Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao
   problema
   do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese?

PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu
   particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e
   Deus
não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve
   ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se
   pelo
   efeito!). Qual seria?

   WS

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