Tem muita brincadeira doida que a gente pode fazer aí... Causalidade,
fundamento - nesse domínio, tais conceitos são piada.

2009/7/29 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Esse negócio de `fundamento' - a noção de causalidade vem daí - é uma
> dessas extrapolações indevidas da intuição quotidiana para outros domínios.
> O melhor exemplo é aquele dos espaçostempo com curvatura de Ricci zero
> (espaçostempo com tensor energia-momentum - tensor que representa a matéria
> - nulo). Têm geometrias louquíssimas, ou seja, têm um campo gravitacional
> nãotrivial - mas NADA `causa' tal campo. Como pode?
>
> Pois é, pode.
>
> Die Ros' ist ohne Warum...
>
> 2009/7/29 Decio Krause <[email protected]>
>
> DidimoDoria tem razão. A variedade 4-dim é louca.
>> Intuitivamente, podemos, de certa forma, assumir *o que quisermos*, como
>> tese metafísica e ninguém tem nada com isso. Nossa mãe, pelo menos, poderá
>> gostar e achar que somos gênios. Mas qualquer discussão então vira aquele
>> tipo de *filosofia* da qual não entento (de novo mencionando o Doria, ele
>> comentou as críticas de Carnap à "nadificação do nada" heideggeriano---vou
>> entrar numa fria, sei disso.....Você conhece as críticas do Carnap? Vale
>> ver, mas não confie demais na eliminação da metafísica; eu pelo menos acho
>> que não é possível.)
>> Repeitando a filosofia especulativa, por incapacidade de entender sou do
>> time daqueles que se apegam à ciência, pelo menos no tocante à filosofia da
>> ciência, ou à *filosofia positiva*, e por isso não meto o bedelho em coisas
>> mais gerais, como deuses ou crenças, a não ser para dar palpites. Sem um bom
>> conhecimento do tema específico, fica difícil filosofar. Por exemplo, Popper
>> foi um filósofo incrível, do qual gosto muito, mas deslizava às vezes em
>> física. Tenho um artigo de Dalla Chiara e Giuntini (em italiano, mando para
>> quem pedir) que comenta os erros de Popper quanto à mecânica quântica,
>> lembrados também por Ghirardi em seu maravilhoso "Sneaking a look at God's
>> cards". Popper errou feio quanto à MQ e quando falaram com ele, ele disse
>> que não conhecia a parte matemática da mesma. Como pode discutir assim? Mas
>> tem gente que consegue. Um colega meu aqui da UFSC, profesor de quântica, me
>> disse que uma vez levou uma lavada de uma *astróloga quântica*, que discutiu
>> com ele e, segundo ele, pela apreciação dos membros de uma platéia (numa
>> mesa que ele disse se meteu por engano), ganhou!! Lembrando mais uma vez o
>> Prof. Newton, ele diz (tirando sarro) que discutir um assunto conhecendo-o é
>> fácil e qualquer idiota faz. O bacana, segundo ele, é discutir um assunto
>> sem conhecê-lo!!  Assim, podemos ficar na divagaçào sobre espaço e tempo,
>> mas se quisermos dar algum sentido a isso para que sirva para algo, teremos
>> que afundar a cara na matemática, Não tem outro jeito. Daí (me corrija) a
>> razão na argumentação do Doria em pedir que metamos a ciência nas
>> explicações....
>> Abraço,
>> D.
>>
>>
>> _____________________________
>> Décio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>>
>>
>>
>>
>> Em 29/07/2009, às 17:14, Francisco Antonio Doria escreveu:
>>
>> Na minha opinião - opinião, deixo claro - a geometria do espaçotempo é
>> brutalmente antiintuitiva. Recomendo um livro: A. Scorpan, _The Wild World
>> of 4-Manifolds_.
>>
>> 2009/7/29 Dídimo Matos <[email protected]>
>>
>>>  Prof. Décio, (Dória e outros físicos da lista)
>>>
>>> Desce duas...mas escrevo para pedir um breve esclarecimento. Espaço
>>> absoluto, tal como pensado por Newton é o que habitualmente que
>>> intuitivamente se pensa em termos de espaço, aquilo que Kant trabalha como
>>> 'categoria a priori da consciência' junto com o tempo. Mas espaço
>>> relativista, a noção de *espaço curvo* tem uma visão intuitiva ou um
>>> exemplo possível em termos simples, ou apenas complexas e contraintuitivas
>>> fórmulas matemáticas?
>>>
>>> Abraços,
>>> Dídimo Matos
>>> http://didimomatos.zip.net
>>> http://twitter.com/didimogeorge
>>> _______________________
>>> As explicações científicas são reais e completas,
>>> tal como as explicações da vida quotidiana e das religiões
>>> tradicionais. Diferem destas últimas unicamente por serem mais
>>> precisas e mais facilmente refutadas pela observação dos factos.
>>>
>>>  *From:* Decio Krause <[email protected]>
>>> *Sent:* Wednesday, July 29, 2009 10:39 AM
>>> *To:* Wagner de Campos Sanz <[email protected]>
>>> *Cc:* Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área
>>> de LOGICA <[email protected]>
>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Tese metodológica e lógica como ciência
>>>
>>> Wagner e Doria Quando falamos aqui em espaço e tempo, o Prof. Newton
>>> Costa sai à caça: *que* espaço e *que* tempo? Psico-fisiológicos? Absolutos?
>>> Relativistas? (São expressões que ele usa em geral, e aplica a quase todos
>>> os conceitos que utlizamos: indivíduo, partícula, modelos, lógica... achando
>>> que via de regra os filósofos não qualificam as coisas devidamente). Ele tem
>>> razão, mas acho que ele é pouco entendido. Os filófosos que conheço acham
>>> que, sim, qualificam o que dizem, mas não prestam atenção à matemática que
>>> estão usando, por exemplo.
>>> No entanto, concordo com muito do que vocês  dois estão falando,
>>> malgradas as diferenças (posso ser paraconsistente, porque não?), e Wagner
>>> está certo, me parece, que precisamos de uma *tese metodológica* para
>>> assumir que de fato vamos encontrar explicações, ou que se algo está no e-t,
>>> podemos explicar. A discussão está boa.
>>> PS. Tentei mandar a foto do Cupertino à qual o Doria se referiu antes mas
>>> ela não passou no crivo do moderador devido ao tamanho. Vou tentar de novo.
>>> Espero que ele deixe.
>>> Quanto aos alucinógenos, cada um acha o santo-daime que deseja ou, como
>>> me disse um amigo lógico, *cai de boca no que melhor lhe apetece*. Eu por
>>> exemplo gosto de tomar cerveja.
>>> Abraços (*pace*, moderador).
>>> Décio
>>>
>>>
>>>
>>> _____________________________
>>> Décio Krause
>>> Departamento de Filosofia
>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>> 88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
>>>  www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>  Em 29/07/2009, às 10:03, Wagner de Campos Sanz escreveu:
>>>
>>>  Caro Doria,
>>>
>>> Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem
>>> sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio
>>> conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era
>>> ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos,
>>> você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é
>>> passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua
>>> crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por
>>> meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria
>>> "científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que
>>> achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção
>>> que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese
>>> metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um
>>> substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível
>>> propriamente de "investigação científica".
>>> Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no
>>> tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra
>>> muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que
>>> você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus
>>> objetos de estudo não são eventos espaço-temporais.
>>>
>>> WS
>>>
>>>  Francisco Antonio Doria escreveu:
>>>
>>> Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de
>>>
>>> investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que
>>>
>>> você viu isso?
>>>
>>>
>>> Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de
>>>
>>> experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os
>>>
>>> laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um
>>>
>>> protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma...
>>>
>>>
>>> 2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected]
>>>
>>> <mailto:[email protected] <[email protected]>>>
>>>
>>>
>>>    Caros Frank e Dória,
>>>
>>>
>>>    Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres.
>>>
>>>    Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua
>>>
>>>    posição.
>>>
>>>    Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse
>>>
>>>    acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite
>>>
>>>    explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do
>>>
>>>    mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma
>>>
>>>    asserção
>>>
>>>    verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas,
>>>
>>>    nesse
>>>
>>>    caso, o problema resta no pé em que está.
>>>
>>>    Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao
>>>
>>>     problema
>>>
>>>    do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese?
>>>
>>>
>>>    PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu
>>>
>>>    particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e
>>>
>>>    Deus
>>>
>>>    não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve
>>>
>>>    ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se
>>>
>>>    pelo
>>>
>>>    efeito!). Qual seria?
>>>
>>>
>>>    WS
>>>
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