Didimo
Doria tem razão. A variedade 4-dim é louca.
Intuitivamente, podemos, de certa forma, assumir *o que quisermos*, como tese metafísica e ninguém tem nada com isso. Nossa mãe, pelo menos, poderá gostar e achar que somos gênios. Mas qualquer discussão então vira aquele tipo de *filosofia* da qual não entento (de novo mencionando o Doria, ele comentou as críticas de Carnap à "nadificação do nada" heideggeriano---vou entrar numa fria, sei disso.....Você conhece as críticas do Carnap? Vale ver, mas não confie demais na eliminação da metafísica; eu pelo menos acho que não é possível.) Repeitando a filosofia especulativa, por incapacidade de entender sou do time daqueles que se apegam à ciência, pelo menos no tocante à filosofia da ciência, ou à *filosofia positiva*, e por isso não meto o bedelho em coisas mais gerais, como deuses ou crenças, a não ser para dar palpites. Sem um bom conhecimento do tema específico, fica difícil filosofar. Por exemplo, Popper foi um filósofo incrível, do qual gosto muito, mas deslizava às vezes em física. Tenho um artigo de Dalla Chiara e Giuntini (em italiano, mando para quem pedir) que comenta os erros de Popper quanto à mecânica quântica, lembrados também por Ghirardi em seu maravilhoso "Sneaking a look at God's cards". Popper errou feio quanto à MQ e quando falaram com ele, ele disse que não conhecia a parte matemática da mesma. Como pode discutir assim? Mas tem gente que consegue. Um colega meu aqui da UFSC, profesor de quântica, me disse que uma vez levou uma lavada de uma *astróloga quântica*, que discutiu com ele e, segundo ele, pela apreciação dos membros de uma platéia (numa mesa que ele disse se meteu por engano), ganhou!! Lembrando mais uma vez o Prof. Newton, ele diz (tirando sarro) que discutir um assunto conhecendo-o é fácil e qualquer idiota faz. O bacana, segundo ele, é discutir um assunto sem conhecê-lo!! Assim, podemos ficar na divagaçào sobre espaço e tempo, mas se quisermos dar algum sentido a isso para que sirva para algo, teremos que afundar a cara na matemática, Não tem outro jeito. Daí (me corrija) a razão na argumentação do Doria em pedir que metamos a ciência nas explicações....
Abraço,
D.


_____________________________
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause




Em 29/07/2009, às 17:14, Francisco Antonio Doria escreveu:

Na minha opinião - opinião, deixo claro - a geometria do espaçotempo é brutalmente antiintuitiva. Recomendo um livro: A. Scorpan, _The Wild World of 4-Manifolds_.

2009/7/29 Dídimo Matos <[email protected]>
Prof. Décio, (Dória e outros físicos da lista)

Desce duas...mas escrevo para pedir um breve esclarecimento. Espaço absoluto, tal como pensado por Newton é o que habitualmente que intuitivamente se pensa em termos de espaço, aquilo que Kant trabalha como 'categoria a priori da consciência' junto com o tempo. Mas espaço relativista, a noção de espaço curvo tem uma visão intuitiva ou um exemplo possível em termos simples, ou apenas complexas e contraintuitivas fórmulas matemáticas?

Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
As explicações científicas são reais e completas,
tal como as explicações da vida quotidiana e das religiões
tradicionais. Diferem destas últimas unicamente por serem mais
precisas e mais facilmente refutadas pela observação dos factos.

From: Decio Krause
Sent: Wednesday, July 29, 2009 10:39 AM
To: Wagner de Campos Sanz
Cc: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Subject: Re: [Logica-l] Tese metodológica e lógica como ciência

Wagner e Doria
Quando falamos aqui em espaço e tempo, o Prof. Newton Costa sai à caça: *que* espaço e *que* tempo? Psico-fisiológicos? Absolutos? Relativistas? (São expressões que ele usa em geral, e aplica a quase todos os conceitos que utlizamos: indivíduo, partícula, modelos, lógica... achando que via de regra os filósofos não qualificam as coisas devidamente). Ele tem razão, mas acho que ele é pouco entendido. Os filófosos que conheço acham que, sim, qualificam o que dizem, mas não prestam atenção à matemática que estão usando, por exemplo. No entanto, concordo com muito do que vocês dois estão falando, malgradas as diferenças (posso ser paraconsistente, porque não?), e Wagner está certo, me parece, que precisamos de uma *tese metodológica* para assumir que de fato vamos encontrar explicações, ou que se algo está no e-t, podemos explicar. A discussão está boa. PS. Tentei mandar a foto do Cupertino à qual o Doria se referiu antes mas ela não passou no crivo do moderador devido ao tamanho. Vou tentar de novo. Espero que ele deixe. Quanto aos alucinógenos, cada um acha o santo-daime que deseja ou, como me disse um amigo lógico, *cai de boca no que melhor lhe apetece*. Eu por exemplo gosto de tomar cerveja.
Abraços (*pace*, moderador).
Décio



_____________________________
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause




Em 29/07/2009, às 10:03, Wagner de Campos Sanz escreveu:

Caro Doria,

Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio
conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era
ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos,
você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é
passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua
crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por
meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria
"científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção
que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese
metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um
substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível
propriamente de "investigação científica".
Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no
tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra
muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que
você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus
objetos de estudo não são eventos espaço-temporais.

WS

 Francisco Antonio Doria escreveu:
Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de
investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que
você viu isso?

Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de
experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os
laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um
protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma...

2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected]
<mailto:[email protected]>>

   Caros Frank e Dória,

   Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres.
Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua
   posição.
Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do
   mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma
   asserção
verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas,
   nesse
   caso, o problema resta no pé em que está.
   Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao
   problema
   do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese?

PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e
   Deus
não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz- se
   pelo
   efeito!). Qual seria?

   WS

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