Esse negócio de `fundamento' - a noção de causalidade vem daí - é uma dessas extrapolações indevidas da intuição quotidiana para outros domínios. O melhor exemplo é aquele dos espaçostempo com curvatura de Ricci zero (espaçostempo com tensor energia-momentum - tensor que representa a matéria - nulo). Têm geometrias louquíssimas, ou seja, têm um campo gravitacional nãotrivial - mas NADA `causa' tal campo. Como pode?
Pois é, pode. Die Ros' ist ohne Warum... 2009/7/29 Decio Krause <[email protected]> > DidimoDoria tem razão. A variedade 4-dim é louca. > Intuitivamente, podemos, de certa forma, assumir *o que quisermos*, como > tese metafísica e ninguém tem nada com isso. Nossa mãe, pelo menos, poderá > gostar e achar que somos gênios. Mas qualquer discussão então vira aquele > tipo de *filosofia* da qual não entento (de novo mencionando o Doria, ele > comentou as críticas de Carnap à "nadificação do nada" heideggeriano---vou > entrar numa fria, sei disso.....Você conhece as críticas do Carnap? Vale > ver, mas não confie demais na eliminação da metafísica; eu pelo menos acho > que não é possível.) > Repeitando a filosofia especulativa, por incapacidade de entender sou do > time daqueles que se apegam à ciência, pelo menos no tocante à filosofia da > ciência, ou à *filosofia positiva*, e por isso não meto o bedelho em coisas > mais gerais, como deuses ou crenças, a não ser para dar palpites. Sem um bom > conhecimento do tema específico, fica difícil filosofar. Por exemplo, Popper > foi um filósofo incrível, do qual gosto muito, mas deslizava às vezes em > física. Tenho um artigo de Dalla Chiara e Giuntini (em italiano, mando para > quem pedir) que comenta os erros de Popper quanto à mecânica quântica, > lembrados também por Ghirardi em seu maravilhoso "Sneaking a look at God's > cards". Popper errou feio quanto à MQ e quando falaram com ele, ele disse > que não conhecia a parte matemática da mesma. Como pode discutir assim? Mas > tem gente que consegue. Um colega meu aqui da UFSC, profesor de quântica, me > disse que uma vez levou uma lavada de uma *astróloga quântica*, que discutiu > com ele e, segundo ele, pela apreciação dos membros de uma platéia (numa > mesa que ele disse se meteu por engano), ganhou!! Lembrando mais uma vez o > Prof. Newton, ele diz (tirando sarro) que discutir um assunto conhecendo-o é > fácil e qualquer idiota faz. O bacana, segundo ele, é discutir um assunto > sem conhecê-lo!! Assim, podemos ficar na divagaçào sobre espaço e tempo, > mas se quisermos dar algum sentido a isso para que sirva para algo, teremos > que afundar a cara na matemática, Não tem outro jeito. Daí (me corrija) a > razão na argumentação do Doria em pedir que metamos a ciência nas > explicações.... > Abraço, > D. > > > _____________________________ > Décio Krause > Departamento de Filosofia > Universidade Federal de Santa Catarina > 88040-970 Florianópolis, SC - Brasil > www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause> > > > > > Em 29/07/2009, às 17:14, Francisco Antonio Doria escreveu: > > Na minha opinião - opinião, deixo claro - a geometria do espaçotempo é > brutalmente antiintuitiva. Recomendo um livro: A. Scorpan, _The Wild World > of 4-Manifolds_. > > 2009/7/29 Dídimo Matos <[email protected]> > >> Prof. Décio, (Dória e outros físicos da lista) >> >> Desce duas...mas escrevo para pedir um breve esclarecimento. Espaço >> absoluto, tal como pensado por Newton é o que habitualmente que >> intuitivamente se pensa em termos de espaço, aquilo que Kant trabalha como >> 'categoria a priori da consciência' junto com o tempo. Mas espaço >> relativista, a noção de *espaço curvo* tem uma visão intuitiva ou um >> exemplo possível em termos simples, ou apenas complexas e contraintuitivas >> fórmulas matemáticas? >> >> Abraços, >> Dídimo Matos >> http://didimomatos.zip.net >> http://twitter.com/didimogeorge >> _______________________ >> As explicações científicas são reais e completas, >> tal como as explicações da vida quotidiana e das religiões >> tradicionais. Diferem destas últimas unicamente por serem mais >> precisas e mais facilmente refutadas pela observação dos factos. >> >> *From:* Decio Krause <[email protected]> >> *Sent:* Wednesday, July 29, 2009 10:39 AM >> *To:* Wagner de Campos Sanz <[email protected]> >> *Cc:* Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área >> de LOGICA <[email protected]> >> *Subject:* Re: [Logica-l] Tese metodológica e lógica como ciência >> >> Wagner e Doria Quando falamos aqui em espaço e tempo, o Prof. Newton >> Costa sai à caça: *que* espaço e *que* tempo? Psico-fisiológicos? Absolutos? >> Relativistas? (São expressões que ele usa em geral, e aplica a quase todos >> os conceitos que utlizamos: indivíduo, partícula, modelos, lógica... achando >> que via de regra os filósofos não qualificam as coisas devidamente). Ele tem >> razão, mas acho que ele é pouco entendido. Os filófosos que conheço acham >> que, sim, qualificam o que dizem, mas não prestam atenção à matemática que >> estão usando, por exemplo. >> No entanto, concordo com muito do que vocês dois estão falando, malgradas >> as diferenças (posso ser paraconsistente, porque não?), e Wagner está certo, >> me parece, que precisamos de uma *tese metodológica* para assumir que de >> fato vamos encontrar explicações, ou que se algo está no e-t, podemos >> explicar. A discussão está boa. >> PS. Tentei mandar a foto do Cupertino à qual o Doria se referiu antes mas >> ela não passou no crivo do moderador devido ao tamanho. Vou tentar de novo. >> Espero que ele deixe. >> Quanto aos alucinógenos, cada um acha o santo-daime que deseja ou, como me >> disse um amigo lógico, *cai de boca no que melhor lhe apetece*. Eu por >> exemplo gosto de tomar cerveja. >> Abraços (*pace*, moderador). >> Décio >> >> >> >> _____________________________ >> Décio Krause >> Departamento de Filosofia >> Universidade Federal de Santa Catarina >> 88040-970 Florianópolis, SC - Brasil >> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause> >> >> >> >> >> Em 29/07/2009, às 10:03, Wagner de Campos Sanz escreveu: >> >> Caro Doria, >> >> Voce parece não captar meu ponto. De um certo modo falar de ciência tem >> sido um chavão fácil na lista, o problema está na elaboração do próprio >> conceito. Historicamente, alguns já pretenderam que Metafísica era >> ciência, o que torna a conceituação do termo nada simples. Pelo menos, >> você diz bem claramente: é físico (no espaço e no tempo), então é >> passível de investigação científica. Mas a questão é: de onde vem sua >> crença de que você pode explicar o (um) fenômeno em questão, seja por >> meio de causação, seja por meio de qualquer outra lei ou teoria >> "científica"? É isso que você não pode (ninguém pode) provar; provar que >> achará a resposta. Por isso esse me parece ser aquele tipo de asserção >> que chamaríamos ou de "tese metodológica" ou pelo menos de "tese >> metafísica"! No segundo caso teríamos que admitir a existência de um >> substrato último de natureza metafísica na própria ciência, não passível >> propriamente de "investigação científica". >> Apesar disso, eu como você, assumo que tendo acontecido no espaço e no >> tempo é passível de investigação "empírica" (empírica é uma palavra >> muito mais adequada para o que você queria expressar). Tenho certeza que >> você pensa serem a matemática e a lógica ciências e, no entanto, seus >> objetos de estudo não são eventos espaço-temporais. >> >> WS >> >> Francisco Antonio Doria escreveu: >> >> Repito meu argumento: aconteceu no tempo e no espaço, é passível de >> >> investigação científica. Nada de questão de fundamentos, onde é que >> >> você viu isso? >> >> >> Outra coisa: o dia em que ciência der bola para falseamento de >> >> experiências como critério de cientificidade, todo mundo fecha os >> >> laboratórios e vai pra praia fazer coisa melhor. Já examinou um >> >> protocolo experimental, de laboratório? Não se crava uma... >> >> >> 2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected] >> >> <mailto:[email protected] <[email protected]>>> >> >> >> Caros Frank e Dória, >> >> >> Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres. >> >> Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua >> >> posição. >> >> Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse >> >> acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite >> >> explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do >> >> mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma >> >> asserção >> >> verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas, >> >> nesse >> >> caso, o problema resta no pé em que está. >> >> Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao >> >> problema >> >> do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese? >> >> >> PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu >> >> particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e >> >> Deus >> >> não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve >> >> ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se >> >> pelo >> >> efeito!). Qual seria? >> >> >> WS >> >> >> _______________________________________________ >> >> Logica-l mailing list >> >> [email protected] >> <mailto:[email protected]<[email protected]> >> > >> >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> >> >> >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> >> >> >> ------------------------------ >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> >> > >
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