>> >> 2) Não penso que seja inimportante tratar desse tema. >> > >> > Creio que você quis dizer "desimportante". >> >> "No sonho, não há o assentar da vista sobre o importante e o >> inimportante de um objeto que há na realidade. Só o importante é que o >> sonhador vê." >> --Bernardo Soares (Fernando Pessoa,) *O Livro do Desassossego* >> (passagem intitulada "Via Láctea", já nas páginas finais) > 2008/9/28 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>: > Seria legal enviar essa referência para a Academia Brasileira de Letras, > pois a licença poética do Pessoa não consta no Vocabulário Ortográfico da > Língua Portuguesa, código oficial da nossa língua. edg
Não penso que seja *irrelevante* insistir este tema --- e como lógica também tem algo a ver com linguagem... Seria sem dúvida bem "legal", ou bem "fixe", que alguém fizesse isso que você diz. Não se deve esquecer contudo de enviar uma cópia da comunicação também para a Academia das Ciências de Lisboa. (Supondo que esta discussão sobre a língua portuguesa se estenda a todas as variantes nacionais desta língua, que aliás não deixarão de existir com a introdução do novo acordo ortográfico.) Os escritores, e hoje também os cientistas, estão certamente entre os principais responsáveis pela criação e fixação de neologismos, e influenciam decisivamente na sua eventual introdução por dicionarização no léxico oficial consignado no VOLP. A resistência por parte dos falantes, contudo, no que diz respeito à adoção de uma nova palavra mesmo quando esta palavra é formada segundo as regras absolutamente usuais de construção lexical, é quase sempre considerável, num primeiro momento (talvez menos entre os cientistas brasileiros, que são extremamente relaxados com o uso da língua). Lembra-me assim de imediato, aliás, o termo "imexível", criado tão espontaneamente na frente das câmeras da tevê pelo ex-ministro (brasileiro) Antônio Rogério Magri (o mesmo que justificou certa vez o uso do carro oficial do governo para levar o animal de estimação ao veterinário dizendo que "a cachorra é um ser humano como qualquer outro"). Ex-sindicalista, Magri foi logo censurado por comentários preconceituosos de quem não levou em conta as regras morfológicas que justificavam claramente a correta formação da palavra. (É esta a opinião, aliás, do Evanildo Bechara, acadêmico da ABL.) A última edição do Aurélio que tenho aqui ainda não havia dicionarizado esta palavra, mas o novo Houaiss já a inclui no léxico. Seguindo esta linha, não me espantaria de descobrir que os dicionários brasileiros, em geral, tenham caminhado mais do que os lusitanos em direção à dicionarização de alguns neologismos de Guimarães Rosa. A língua é uma coisa bem dinâmica. jm _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
