Em Friday 22 March 2002 23:59, Lisias Toledo escreveu:

> > At� hoje, o Serj�o foi o �nico que ouvi expressar esse entendimento
> > e, para nossa sorte, estava no mais alto escal�o da regulamenta��o
> > de comunica��es de nosso pa�s.
>
> Pois �. Mas ele se foi, e quem est� no lugar dele garantindo que a
> Internet continue livre no Brasil?

Eu n�o sei se � necess�rio haver um guardi�o da liberdade na Internet 
no Brasil agora porque, hoje, todos a conhecem e sabem do valor das 
diversas op��es de provedores e servi�os baseados na Internet.

O problema era l� atr�s, em 94/95, quando ningu�m sabia o que era isso 
e a Embratel queria monopolizar seu controle, antes que algu�m pudesse 
protestar.

> Existem erros sim no modelo de desenvolvimento de software livre. Mas
> isto � outro papo. O que discuto � que a discuss�o destes erros deve
> ser feita de forma produtiva, n�o da forma est�ril que costuma
> ocorrer.

O modelo de desenvolvimento do software livre n�o � perfeito e as 
guerras de ego n�o contribuem para seu aperfei�oamento. Mas ningu�m 
deveria 
usar isso para apontar defeitos no processo de desenvolvimento de SL.

Outro dia vi uma discuss�o no .BR entre voc� e um cidad�o que defendia 
o modelo de desenvolvimento do software propriet�rio em que ele dizia 
exatamente isso: que o software livre tem problemas porque h� guerras 
de ego, dando a entender que isso � uma exclusividade do software livre.

Guerras de ego h� em qualquer lugar. Veja os in�meros casos de acesso 
de exalta��o de ego de Larry Ellison (Oracle), do Scot McNealy (Sun), 
Steve Jobs (Apple) e do Bill Gates (MS), entre tantos outros.

Quando Larry Ellison ficou "trilhard�rio", comprou um ca�a super-s�nico 
(sem as bombas) e dava v�os razantes sobre as sedes de seus 
concorrentes no Vale do Sil�cio.

Bill Gates afirmou certa vez em um jantar com amigos ter tanto poder 
quanto o ent�o rec�m-eleito presidente dos Estados Unidos, Bill 
Clinton, o que lhe rendeu uma canelada imediata de sua noiva na �poca, 
hoje esposa, Melinda, por baixo da mesa (Revista Wired, Novembro de 
2000, artigo de capa "The truth, the whole truth and nothing but the 
truth", sobre o caso Microsoft x Antitrust, p. 275).

Nada disso se compara �s guerras de ego que h� no software livre. Ent�o 
j� que essas guerras de ego s�o inevit�veis, vamos olhar para o lado 
positivo do desenvolvimento do software livre: � uma meritocracia. O 
cara pode ter um ego nas alturas ou ser a mais humilde das criaturas, 
se o produto dele for bom, ningu�m liga para a personalidade e todo 
mundo usa o produto.

> Isto n�o me preocupa, pelo contr�rio. Creio inclusive que o Alan COx
> deveria manter definitivamente um fork do linux, fazendo o que ele
> acha que deve ser feito e pronto. Fizeram isto com o GCC e o EGCS, e
> s� se ganhou em cima disso.

Eu n�o tenho certeza, mas acho que ele j� mant�m uma �rvore separada.

S� que o Marcelo Tosatti habilmente mescla a �rvore do AC como primeiro 
item de qualquer changelog de suas vers�es do kernel.

Confira:

http://linuxtoday.com/news_story.php3?ltsn=2002-03-21-007-26-NW-KN-DV

V� para a parte "Summary of changes"

> O que me preocupa � o fato dele QUERER. E o que me preocupa mais
> ainda � ter gente que concorda com ele. E n�o sou poucas. E n�o s�o
> insignificantes.

Eu n�o acho que todas as pessoas querer�o aderir totalmente �s id�ias 
de Stallman incondicionalmente.

No entanto, � importante debater as id�ias dele para que as pessoas 
possam decidir por si mesmas o que querem.

O que Stallman procura denunciar � a aliena��o da sociedade em rela��o 
a quem deve ter "posse" das informa��es que a pr�pria sociedade usa e 
produz. Isso tudo, � claro, dentro de um conceito de liberdade 
pol�tica, art�tistica, tecnol�gica e econ�mica.

Eu acho que trazer esse tipo de discuss�o para sociedade � positivo.

> N�o. Mas o Stallman acha que pode. E o que me assusta, � que muita
> gente concorda com ele.

Muita gente discorda, muita gente n�o � contra nem a favor, e muito 
mais gente ainda nem sequer sabe do que ele est� falando.

O que te preocupa � o "muita gente" ou a concord�ncia com ele?

> > Agregar valor, e vender por pre�o razo�vel. Essa parece ser uma boa
> > estrat�gia.
>
> Vc n�o est� errado, embora seja uma tese muito "neo-liberal" para meu
> gosto (nunca gostei do termo 'agregar valor'). 

N�o � agregar valor no sentido neo-liberal. � agregar valor no sentido 
do marketing. Ou seja, acresentar algo ao produto para o qual o cliente 
d� valor.

Acesso � Internet � acesso � Internet. Mas se eu acrescentar alta 
velocidade a esse acesso, o cliente vai preferir o meu produto porque 
h� algo nele que o cliente d� valor: o acesso r�pido.

> > No subconsiente, as pessoas sabem o que � liberdade. Passe chatear
> > o usu�rio da Internet com todo o tipo de cobran�as e restri��es e
> > ela perder� imediatamente seu apelo.
>
> Mas isto n�o impediu que se tenha fechado o Napster. Nem que se
> esteja perseguindo os malucos que lutam contra o SPAM. E cad� o apoio
> popular para estes importantes servi�os?

O Napster fechou, mas foi sob protestos dos usu�rios e com artigos 
veementes na imprensa criticando o fato. Um deles cansei de postar na 
lista:

"Copyrights and copywrongs" 
"Why Thomas Jefferson would love Napster" 
http://www.msnbc.com/news/594462.asp

> Cad� a presun��o da inoc�ncia? Porque eu tenho que pagar a mais por
> uma m�dia CDR? S� porque uns cretinos l� fora pressupem que eu vou
> piratear material de TI com ela?

Esse � o assunto jur�dico/pol�tico de que trata o artigo acima.

Segundo ele, quando os patriarcas da independ�ncia dos EUA criaram a 
lei de direitos autorais daquele pa�s, houve muita hesita��o em 
coloc�-la em pr�tica e em que termos.

A id�ia original era criar um "auto-mecenato" que deixasse artistas, 
inventores, criadores, etc. livres de mendigar por patroc�nio para suas 
atividades. Assim, com a exclusividade tempor�ria de explora��o 
comercial de sua pr�pria cria��o, eles poderiam se financiar sem 
depender de ningu�m.

Veja no que deu, 200 anos depois. A hesita��o dos patriarcas tinha seu 
fundamento. Intuitivamente, eles sabiam que isso poderia criar 
restri��es � liberdade de troca de id�ias em favor de sua 
mercantiliza��o.

[]a
-- 
Edgard Lemos 
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Usu�rio Linux n� 135479


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