Ada Lemos wrote:
Apesar de ser favorito nas pesquisas de intenção de voto, Lyra perdeu a
eleição para o tucano Teotônio Vilela Filho, que obteve já no primeiro
turno 55,85% dos votos válidos. Lyra conseguiu 30,51%. O político do PTB
perdeu, inclusive, em locais que são seus redutos eleitorais.
Anomalias estatísticas sempre pedem maior atenção.
Uma representação tramita na Justiça questionando a eleição. A auditoria
feita pelo ITA detectou que parte das urnas eletrônicas utilizadas
apresentava arquivos de controle, conhecidos como "log", corrompidos e
concluía que, dessa forma, ficava sob suspeita o resultado da votação e
apuração nessas urnas. Entre os problemas detectados pelos auditores
estão a totalização de votos oriundos de urnas que não existiam, e a
existência de urnas sem nenhum voto.
Logs corrompidos, urnas inexistentes com votos e urnas vazias, de novo,
pedem maior atenção.
Quem pagou pelo estudo do ITA?
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Marco
Aurélio Mello anunciou na sexta-feira, 19, que o órgão deverá contratar
em breve a Universidade de Campinas (Unicamp) para que elabore um estudo
com o objetivo de comprovar a segurança do sistema do sistema de votação
eletrônico.
Adorei a parte de "com o objetivo de comprovar a segurança do sistema".
Eu sempre imaginei que o objetivo de qualquer estudo seria "avaliar",
"estudar", "verificar" ou algo parecido.
"O sistema não está em jogo como um grande todo. É claro que onde o
homem coloca a mão há possibilidade de desvirtuamento. Mas até aqui
temos um sistema que vem sendo observado há dez anos sem uma impugnação
séria", disse Marco Aurélio.
É confortante ver uma possível fraude nas UEs deixando vestígios que
podem ser investigados.
O TSE sustenta que, apesar dos problemas encontrados nas urnas usadas em
Alagoas, o resultado das eleição não foi fraudado.
Acho meio cedo pra descartar essa hipótese. Mas não se pode também
descartar a possibilidade do problema não ser resultado de manipulação
intencional.
Em entrevista concedida em 2000, quando disputou a prefeitura do Rio de
Janeiro, Brizola disse: "Não há verdade eleitoral quando não há
possibilidade de recontagem. Estamos empenhados em demonstrar que essas
máquinas são passíveis de manipulação. Com essas máquinas vai sair o que
eles querem. Não há um documento, não há um recibo, não há nada que se
possa recontar. Depois de dado o voto, ele desaparece, se dissolve, acabou."
O sistema é bom, mas, se pudesse haver recontagem, seria muito melhor. A
impressorinha era um pequeno pesadelo mecânico, mas podia melhorar e nem
todas as urnas precisariam de uma, desde que elas fossem distribuídas
aleatoriamente e sua presença não pudesse ser detectada por software.
E separar a operação das eleições de sua fiscalização em órgãos
diferentes seria fundamental para garantir que a coisa funcionasse.
Na minha opinião, faltam algumas perguntas (e respostas):
- Quantas urnas tiveram indícios de problemas?
- Como esses problemas foram descobertos?
- Quantas urnas foram auditadas?
- A escolha das urnas auditadas seguiu algum padrão?
- As anomalias nos resultados se distribuiram uniformemente por todo o
estado ou seguiram algum padrão?
- Os indícios de problemas seguiram algum padrão?
- Outras votações que aconteceram ao mesmo tempo apresentaram resultados
inesperados?
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