Ricardo L. A. Banffy escreveu:
[...]
Eu iria mais longe. Eu diria que a impossibilidade de terceiros
garantirem a segurança das urnas é apenas um sintoma do problema maior
do TSE. Todos esses problemas derivam daí. Quem fez as urnas fez tudo o
que podia para que elas fossem tão seguras quanto possível dentro das
limitações impostas pelo TSE. É o TSE que decide o processo. As urnas
são apenas ferramentas.
[...]
O que me causa irritação é que, com desagradável frequência, vejo o meu
trabalho e o de alguns colegas pelos quais tenho o maior respeito ser
questionado por pessoas que nunca escreveram uma linha de código sequer
e que nem mesmo entendem que existe uma distinção entre urna eletronica
e sistema informatizado de eleições.
[...]
Se as "limitações impostas" pelo TSE são tais que resultam em trabalho
mal feito -- apesar do trabalho sério de alguns, não vejo porquê esses
alguns deveriam se colocar/sentir no alvo das críticas. Saia do meio do
fogo cruzado e deixe as setas ferirem o TSE.
Ademais, existem técnicos e técnicos -- uma distinção que os críticos do
sistema eleitoral, ao que seu texto indica, deveriam possivelmente ser
mais cautelosos em notar ao escrever as críticas. Refiro-me a:
(1) técnicos "de carreira" dos TREs e TSE, empenhados em produzir e
propagar as falácias do sistema;
-- um exemplo é Jorge Leurrer, ao escrever um artigo para o Zero Hora do RS:
http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/leurrer.txt ;
-- outro exemplo é o da prestação de informação inverídica de "falta de
papel" pela Secretaria de TI do TRE-SP, que levanta a suspeita de
tentativa de dificultar/impedir a fiscalização da totalização:
http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/bu-2006.txt
(2) técnicos contratados temporariamente para trabalhar "dentro das
limitações impostas pelo TSE [já que] É o TSE que decide o processo."
[...]
Desse modo, você faz o jogo dos controladores das eleições, que para
se esquivarem de denúncias, inviabilizam sua investigação e comprovação.
Enquanto não produzirem alguma prova, estão apenas produzindo ruído. Ao
combater a urna e não combater o acúmulo de responsabilidades do TSE
estão apenas gerando mais barulho, criando uma distração, prejudicando a
credibilidade de quem de fato sabe do que está falando e evitando que se
enfrente o verdadeiro problema.
Uma coisa não exclui a outra. Os membros do Fórum do Voto Seguro
combatem ambos: o acúmulo de poderes do TSE e a inadequação técnica das
urnas eletrônicas. Se você se der o trabalho de visitar o sítio do
fórum, verá que o ruído (p.ex. dizer que combate-se só a urna-e) é
produzido em outro lugar:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/pl5057-alves.htm
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm#resumo
http://www.votoseguro.org/textos/projetoslei.htm
http://www.votoseguro.org/
A propósito, sugiro ao Fórum do Voto Seguro revisar o resumo das
críticas e sugestões, pra enfatizar que há problemas técnicos e políticos.
[...]
Se a Justiça Eleitoral não respeita leis e ignora denúncias,
dificilmente dá pra chamar isso de problema técnico.
Espero ter expressado com clareza minha visão das coisas, e que o que
escrevi acima o ajude a entender em que sentido sua lista de questões
podem ser consideradas ``irrelevantes'': denunciar as barreiras à
produção de provas é mais importante, estrategicamente, do que
conseguir todas as respostas àquelas questões.
Expressou sim. Quanto às perguntas, eu mantenho que irrelevante é
questionar o funcionamento de máquinas quando as instituições que
deveriam operá-las, garantí-las e auditá-las não parecem nem capazes nem
dispostas a fazê-lo.
Isso atrai o nosso fogo para um alvo de baixo valor, desperdiça nossa
munição e nossa energia.
[...]
Vejo as coisas de modo diferente, e pelo que se nota, outros membros (e
ex-membros) do fórum do voto seguro tendem, como eu, a preferir a
estratégia de atacar em várias frentes simultaneamente ao invés de
apostar tudo contra as barreiras do forte principal.
Espero que, com a ajuda dessa sua contribuição, possamos reavaliar
quanta munição deve ser usada em cada frente, e refletir sobre táticas
para a divulgação dos problemas do sistema eleitoral.
Note que há outras pessoas, não ligadas ao Fórum, que investigam o
assunto e publicam suas conclusões.
Veja, por exemplo, como o historiador Pedro Eduardo Portilho de Nader,
denuncia *obscurantismo no discurso oficial*, analisando o que é dito e
o que não é dito pelos representantes da Justiça Eleitoral:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=404IPB006
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Hudson Lacerda
*THE WAR IN IRAQ COSTS: http://costofwar.com/
*NÃO DEIXE SEU VOTO SUMIR! http://www.votoseguro.org/
*Apóie o Manifesto: http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/
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