On Thu, Dec 15, 2022 at 4:13 PM Daniel Durante <durant...@gmail.com> wrote:

>
> Oi Marcos,
>

Ola, Daniel!


> Você tem razão. Estou plenamente de acordo com você e nutro as mesmas
> preocupações. Eu só acho que exigir graduação em um concurso cujo requisito
> de titulação é doutorado não só tem eficácia zero como instrumento para
> atender as legítimas demandas que você aponta, como pior, atrapalha. Não é
> ação afirmativa, não é política de inclusão, é de exclusão.
>

Exigir diploma de filosofia para trabalhar com filosofia é uma medida de
exclusão?
Eu não sei. Eu acho que não.

De toda forma, acho que uma outra pergunta deveria ser feita também:

Quem ganha com a exclusão da necessidade de um diploma de filosofia para
trabalhar em um departamento de filosofia? E quem perde?

A resposta pode indicar relações de poder e algumas injustiças importantes.
Afinal, estamos tratando de recursos publicos de algumas décadas tb.

>
> Saudações,
>
> Daniel.
>

Abraço!


> Em quinta-feira, 15 de dezembro de 2022 às 06:53:26 UTC-3, Marcos Silva
> escreveu:
>
>> Car@s colegas,
>>
>>
>> aqui vão meus dois centavos de contribuição para esta discussão.
>>
>>
>> Às vezes eu vejo com perplexidade a hegemonia de uma visão liberal e
>> meritocrática da universidade e da pesquisa acadêmica nesta lista.
>>
>>
>> Me parece legítimo que um departamento de filosofia, e qualquer outro,
>> possa orientar o perfil desejado de um professor de uma universidade
>> pública com algumas exigências de formação, sim. Isto não é reserva de
>> mercado tanto quanto ações afirmativas para pretos não é racismo reverso.
>>
>>
>>
>> A gente pode querer assegurar, sim, ter um lógico, ou matemático, com
>> interesse em filosofia num departamento de filosofia e tentar estimular,
>> sim, que um lógico ou matemático procure ter formação em filosofia tb, se
>> quiser trabalhar em um departamento de filosofia.
>>
>>
>> Um departamento nao pode intervir para prevenir distorções que podem ser
>> muito prejudiciais no medio e longo prazo?  Como, por exemplo, ter um
>> docente num departamento de filosofia por 30 anos sem interesse ou
>> competência em problemas filosóficos? No modelo atual, isto é possível.
>> Alias, voce vê isto em alguns lugares: lógicos ou matemáticos trabalhando
>> em um departamento de filosofia com muito pouco ou nenhum interesse em
>> filosofia.
>>
>>
>>
>> Não há uma resposta fácil para isto no atual modelo de gestão da
>> academia. Mas a lógica do “que ganhe o melhor e pronto” nao previne isto.
>> Ou “são as publicações que contam”. Isto talvez funcione para alguns países
>> de capitalismo central. Mas para um país periférico como o nosso, cheio de
>> distorções, assimetrias e desequilíbrios de poder e oportunidades, eu não
>> sei. A candidata selecionada simplesmente por produtividade vai ter
>> interesse em conseguir bolsas para os alunos e alunas de filosofia? Vai
>> procurar recursos para a pos de filosofia? Vai se preocupar em ter uma rede
>> de pesquisa e diálogo com a área e com outros departamentos de filosofia?
>>
>>
>> Eu acho que "ganha quem tem o melhor currículo” ou “quem publica mais”
>> reforça uma visão individualista e meritocrática que sufoca e sufocou as
>> universidades nos últimos anos, está adoecendo muita gente e faz a gente
>> ficar extremamente vulnerável, por exemplo, a ataques de um governo de
>> extrema direita. Além disso, esta visão é muito nociva para discentes
>> periféricos que entram na universidade com muitas deficiências. “Que se
>> contrate quem publica mais” vai perpetuar as distorções com as quais nós,
>> infelizmente, já nos acostumamos.
>>
>>
>> Acho importante tentar assegurar que um professor ou professora de um
>> departamento de filosofia possa orientar alunos e alunas com interesse em
>> filosofia, possa fomentar e eventualmente defender, sim, a área de
>> filosofia em um ambiente institucional cada vez mais tecnocrata e hostil às
>> áreas humanas. Vale sempre lembrar que no Brasil, um professor, num
>> departamento de filosofia, além de publicar, também deveria ensinar na
>> filosofia, ter atividade de extensão e projetos na filosofia e ser
>> eventualmente coordenador da graduação e pos de filosofia.
>>
>>
>> Vale tb pontuar que eu não concordo com a maneira como concursos públicos
>> para professores do nível superior são feitas no Brasil. Eu acho
>> extremamente constrangedor, por exemplo, pela incrível artificialidade, que
>> a gente tenha que fazer uma prova escrita sem consulta por quatro horas de
>> um tema sorteado. Em oito anos de docência na universidade eu nunca tive
>> que fazer algo sequer parecido com isto.
>>
>>
>> Mas apesar disso, eu realmente acredito que um departamento de filosofia,
>> e qualquer outro, deve poder decidir, sim, exigências mínimas de formação
>> para tentar prevenir estrategicamente distorções possíveis.
>>
>>
>> Abraços,
>> Marcos
>>
>> On Thu, Dec 15, 2022 at 2:44 PM Julio Stern <jms...@hotmail.com> wrote:
>>
>>> Caro Cassiano:
>>> Bom dia.
>>> Creio que eh Muito importante em um concurso aferir a capacidade do
>>> candidato para atuar em funcoes que sejam importantes para a instituicao
>>> que o esta potencialmente contratando.
>>> Em uma universidade, isto inclui, necessariamente,  >>> (P) Pesquisa +
>>> (E) Ensino + (X) Extensao.
>>>
>>> Como voce me perguntou especificamente sobre o Ensino, faco a respeito
>>> alguns comentarios adicionais.
>>> Creio que o professor que ministra uma disciplina de graduacao ou pos em
>>> uma universidade deva ser capaz orientar seus alunos na area.
>>> De preferencia, ser capaz de orientar uma tese no assunto ou, ao menos
>>> de fornecer boas ideias sobre futuros assuntos de pesquisa, sobre possiveis
>>> orientadores de tese, etc.
>>> Ou seja, ter feito ele mesmo uma disciplina de graduacao no assunto, no
>>> Jardim de Infancia, no Colegio Tecnico, ou na Graduacao em Filosofia, pouco
>>> ou nada contribui para capacita-lo a ensinar Filosofia em uma universidade.
>>>
>>> Esclareco ainda que estes comentarios nada tem de especial em relacao a
>>> area de Filosofia.
>>> Sou Professor Titular do IME-USP , o Instituto de Matematica e
>>> Estatistica da USP.
>>> Tenho Graduacao em Fisica, um Mestrado em Fisica Matematica, outro
>>> Mestrado em Engenharia Industrial, um Ph.D. em Pesquisa Operacional, e uma
>>> Livre Docencia em Computacao.  ...
>>> Voce acha que  Pode?   Poderia?   Deveria ser possivel uma carreira
>>> assim?
>>> Na minha carreira, isto nunca foi impedimento.
>>>
>>> As instituicoes onde trabalhei queriam saber da minha capacidade de:
>>> (P) Produzir Pesquisa de boa qualidade em Algumas de suas areas de
>>> interesse (ressalto que Algumas, Nao Todas, pois isto seria impossivel
>>> para a maioria dos mortais);
>>> (E) Ensinar com propriedade -- enquanto pesquisador nestas areas --
>>> disciplinas de interesse na instituicao;
>>> (X) Fazer ou participar  -- enquanto pesquisador nestas areas -- de 
>>> Assessorias,
>>> Consultorias, ou outras formas relevantes de Extensao.
>>> Sem falsa modestia, acho que nao as decepcionei, mesmo sem ter diploma
>>> ``bem casado''  (que eh o nome de um docinho muito acucarado e
>>> enjoativo).
>>>
>>> Tudo de bom,  ---Julio
>>>
>>> ------------------------------
>>> *From:* Cassiano Terra Rodrigues <cassian...@gmail.com>
>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 10:38 PM
>>> *To:* Aldo Figallo-Orellano <aldof...@gmail.com>
>>> *Cc:* Julio Stern <jms...@hotmail.com>; Daniel Durante <
>>> dura...@gmail.com>; Lista Lógica <logi...@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos <
>>> boto...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaov...@gmail.com>; João
>>> Daniel Dantas <dantas.j...@gmail.com>
>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica
>>>
>>> Julio, nessa produção, vc inclui tb docência para o jardim da infância e
>>> adolescência ou isso é desprezível?
>>> Se for desprezível, discordo veementemente. Acho q deveria contar e
>>> muito nos concursos, ao contrário do habitual.
>>> Abraços,
>>> cass.
>>>
>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:37, Aldo Figallo-Orellano <
>>> aldof...@gmail.com> escreveu:
>>>
>>> Concordo plenamente com o professor Stern.
>>>
>>>
>>>
>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:31, Julio Stern <jms...@hotmail.com>
>>> escreveu:
>>>
>>> Caros:
>>> Para mim,  Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e Graduacao,
>>> pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor
>>> justificativa
>>> em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha
>>> colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo ---  eh ridiculo.
>>> Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em
>>> Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao,
>>> Antropologia, Historia, etc., etc., etc.
>>> Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar.
>>> O que interessa eh producao academica,  ponto.
>>> Tudo de bom, ---Julio Stern
>>>
>>> ------------------------------
>>> *From:* logi...@dimap.ufrn.br <logi...@dimap.ufrn.br> on behalf of
>>> Daniel Durante <dura...@gmail.com>
>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM
>>> *To:* Cassiano Terra Rodrigues <cassian...@gmail.com>
>>> *Cc:* Lista Lógica <logi...@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos <
>>> boto...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaov...@gmail.com>; João
>>> Daniel Dantas <dantas.j...@gmail.com>
>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica
>>>
>>> Oi Cassiano, João Daniel e Colegas,
>>>
>>> Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que alguém
>>> que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e
>>> demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, então,
>>> de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu?
>>>
>>> Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a oportunidade
>>> de demonstrar sua capacidade.
>>>
>>> Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga
>>> dar aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência
>>> deveria ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O
>>> curso de bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade
>>> de seus alunos.
>>>
>>> Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula
>>> em nível de graduação. Quem não sabe, não passa.
>>>
>>> Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com outra
>>> graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do concurso
>>> são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai trabalhar
>>> em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se mude o
>>> programa do concurso e inclua pontos “filosóficos".
>>>
>>> Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos
>>> do concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo ver
>>> nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência de
>>> graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração
>>> criteriosa do programa do concurso.
>>>
>>> Saudações,
>>> Daniel.
>>> -----
>>> Departamento de Filosofia - (UFRN)
>>> http://danieldurante.weebly.com
>>>
>>> On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues <cassian...@gmail.com>
>>> wrote:
>>>
>>> Camaradas, bons dias.
>>> Como se trata de dar opinião,  vou dar a minha, já q sou graduado e pós
>>> graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em lógica,
>>> pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a disciplina
>>> e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo discente. Estou
>>> falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na UNICAMP era
>>> recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por parte da carga
>>> horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita coisa mudou,
>>> não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade quem está lá.
>>> No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um
>>> contexto mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado"
>>> não surgem do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao
>>> concurso da UnB, o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece
>>> incluir licenciatura e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o
>>> edital todo, mas se for realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em
>>> matemática, engenharia ou direito e licenciatura em filosofia (ou
>>> vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso mesmo, não
>>> vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso pq
>>> acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades brasileiras
>>> inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade no
>>> Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em
>>> teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo,
>>>  reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a
>>> realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o
>>> caso. Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram
>>> o contexto da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é
>>> garantia de conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja
>>> abolida também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q
>>> sustenta a universidade como instituição de produção capitalista de
>>> conhecimento (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição
>>> do regime militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um
>>> dado da natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q temos
>>> o q por no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar
>>> a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de
>>> capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um
>>> fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da
>>> interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes
>>> áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo,
>>> não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a
>>> interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é
>>> por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras,
>>> deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à
>>> necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar,
>>> filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No
>>> contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada,
>>> parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas
>>> tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são
>>> esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível
>>> filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de
>>> padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta
>>> querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é
>>> filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim
>>> dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai
>>> uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável
>>> escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a
>>> sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas
>>> públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha
>>> avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal
>>> ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos
>>> vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível,
>>> muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de
>>> seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas
>>> pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por razões
>>> psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está
>>> mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma
>>> coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como
>>> documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q o
>>> seja e acho q poderia ser melhor.
>>> Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao
>>> ponto q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em
>>> qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como
>>> professores, detestavam lecionar.  Eu tb não gostava tanto assim de ir às
>>> aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é claro,
>>> tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o
>>> compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do
>>> carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único
>>> curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na
>>> pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma
>>> bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos
>>> noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar
>>> aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a
>>> indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da
>>> função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar essa
>>> mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a bel-prazer.
>>> Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem
>>> diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso
>>> de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da
>>> lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da
>>> disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação
>>> pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia
>>> esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência
>>> pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o
>>> bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido,
>>> pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de
>>> fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e as
>>> licenciaturas não dão conta dessa tarefa.
>>> Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois
>>> sem isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q
>>> para concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada baste
>>> o diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja
>>> única formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou
>>> quase isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real,
>>> mas sem imaginar um futuro diferente fica difícil mudar.
>>>
>>> Saudações,
>>> cass.
>>> On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote:
>>>
>>> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados a
>>> filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia.
>>>
>>> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas
>>> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi
>>> levantada por João Ferrari.
>>>
>>> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre
>>> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread
>>> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual
>>> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos
>>> Gonzalez:
>>>
>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ
>>>
>>> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos
>>> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já
>>> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso
>>> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me
>>> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para
>>> dar continuidade a este diálogo.)
>>>
>>> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente
>>> sabe sobre como fazer filosofia. Independente da graduação.
>>>
>>> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso,
>>> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"?
>>> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão
>>> original desta thread.)
>>>
>>> []s, JM
>>>
>>>
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>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com
>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
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>>>
>>
>>
>> --
>> Marcos Silva (UFPE/CNPq)
>> Philosophy Department
>> Federal University of Pernambuco, Brazil
>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE
>> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>)
>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica
>> <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica>
>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy
>> "amar e mudar as coisas me interessa mais"
>>
>

-- 
Marcos Silva (UFPE/CNPq)
Philosophy Department
Federal University of Pernambuco, Brazil
Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE
<https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>)
Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica
<https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica>
https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy
"amar e mudar as coisas me interessa mais"

-- 
LOGICA-L
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