> > Por fim, sobre Wittgenstein, parece-me justamente um bom exemplo de > alguém que teria problemas para conseguir *se inscrever* nos concursos > ora em tela.
Boa, João! :-) Wittgenstein era gênio, e, principalmente, milionário. Não precisava pensar nos concursos em tela. Eu sou um brasileiro preto e periférico, como vários discentes de filosofia nas nossas universidades públicas. Estou tentando cuidar dos meus. On Thu, Dec 15, 2022 at 4:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: > Viva, Marcos: > > A parte central da discussão que deu origem a esta thread dizia > respeito à necessidade de DIPLOMA EM X para poder SE INSCREVER em um > CONCURSO PARA A ÁREA X. Eu tenho tentado defender, talvez > desastradamente, que *não há* (ou *não deveria haver*) uma > especificidade importante em tomar X=Filosofia ao invés de > X=Matemática. Estou cansado de ver concursos em Matemática buscando > EXCLUIR físicos e engenheiros. Sim, concordo com Daniel que o que > estamos testemunhando aqui se trata de "política de exclusão". > > De resto, considero válido, sim, discutir OUTROS argumentos > importantes apresentados aqui, envolvendo a formação pedagógica, a > escolha cuidadosa dos temas a serem cobrados no concurso, a escolha > cuidadosa da banca e a implementação de políticas públicas > afirmativas, dentre outros. > > Por fim, sobre Wittgenstein, parece-me justamente um bom exemplo de > alguém que teria problemas para conseguir *se inscrever* nos concursos > ora em tela. > > Abraços, > Joao Marcos > > > On Thu, Dec 15, 2022 at 8:12 AM Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> > wrote: > > > > > > > > On Thu, Dec 15, 2022 at 4:14 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: > > > > Ola, JM! > > > >> Deixe-me ver se entendo: você está defendendo que a exigência do > diploma de GRADUAÇÃO em Filosofia neste concurso específico (ou qualquer > outro?) foi introduzida como uma questão de política pública? > > > > > > nao, não defendi isto. eu estou tentando fazer sentido da exigencia. eu > lancei uma hipotese. > > mas eu acho, sim, que um edital, especialmente em uma universidade > publica, nao é neutro politicamente, nao. Alias, acho que nao deveria ser > neutro, nao. > > > >> > >> Mais ainda, está defendendo que esta seja a única alternativa para a > implementação desta medida de política pública particular? > > > > > > a "única"?? eu sou wittgensteiniano, nunca falaria algo assim. ;-) > > > >> > >> (Obviamente que podemos perguntar se ela é SUFICIENTE para assegurar os > objetivos arrolados, certo?) > > > > > > vc sabe melhor que eu, que não há nada óbvio em filosofia, né, João. Eu > acho esta sua alegacao de "obviedade" fruto de uma confusão conceitual e > metodológica. Basicamente, eu acredito, e nao estou sozinho nisto, que não > há suficiencia em se tratando de fazer previsoes sobre relações complexas e > dinamicas em dominios sociais, culturais ou biológicos. Nestes dominios, > fazer X vai ser suficiente para Y? Não se pode garantir. Exigir suficiencia > não é uma boa estratégia aqui. Por exemplo, a açao afirmativa X vai ser > suficiente para remediar a injustica Y? Nao se pode dizer. Mas por que > exigir suficiencia aqui? Várias outras medidas podem (e devem) ser > implementadas conjuntamente. > > > >> > >> > >> Abraços, JM > > > > > > Abraço! > > > >> > >> > >> On Thu, Dec 15, 2022, 07:38 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> > wrote: > >>> > >>> > >>> > >>> On Thu, Dec 15, 2022 at 3:55 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> > wrote: > >>>> > >>>> Hummm, esta sua contribuição me pareceu perigosamente próxima da > falácia do espantalho, Marcos... > >>> > >>> > >>> okay. por quê? > >>> > >>>> > >>>> > >>>> Você poderia desenvolver melhor o argumento específico que conectaria > de forma necessária (ou mesmo suficiente) o *diploma de GRADUAÇÃO na área > X* com a existência de *interesse ou competência em problemas da área X* > por parte do candidato (eventualmente aprovado pela banca do concurso)? > >>> > >>> > >>> JM, acho que estamos falando de política academica e não de metafísica. > >>> > >>> é irreal se exigir condições de necessidade e suficiência para tratar > de questões sociais complexas. Me parece claro que não há necessidade e nem > suficiência ao se tratar de políticas públicas. Eu acho que este tipo de > exigência abstrata e ideal paralisaria, por exemplo, a implementação de > ações afirmativas muito importantes. > >>> > >>>> > >>>> []s, João Marcos > >>> > >>> > >>> abraços, > >>> Marcos > >>> > >>>> > >>>> > >>>> On Thu, Dec 15, 2022, 06:53 Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> > wrote: > >>>>> > >>>>> Car@s colegas, > >>>>> > >>>>> > >>>>> aqui vão meus dois centavos de contribuição para esta discussão. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Às vezes eu vejo com perplexidade a hegemonia de uma visão liberal e > meritocrática da universidade e da pesquisa acadêmica nesta lista. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Me parece legítimo que um departamento de filosofia, e qualquer > outro, possa orientar o perfil desejado de um professor de uma universidade > pública com algumas exigências de formação, sim. Isto não é reserva de > mercado tanto quanto ações afirmativas para pretos não é racismo reverso. > >>>>> > >>>>> > >>>>> A gente pode querer assegurar, sim, ter um lógico, ou matemático, > com interesse em filosofia num departamento de filosofia e tentar > estimular, sim, que um lógico ou matemático procure ter formação em > filosofia tb, se quiser trabalhar em um departamento de filosofia. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Um departamento nao pode intervir para prevenir distorções que podem > ser muito prejudiciais no medio e longo prazo? Como, por exemplo, ter um > docente num departamento de filosofia por 30 anos sem interesse ou > competência em problemas filosóficos? No modelo atual, isto é possível. > Alias, voce vê isto em alguns lugares: lógicos ou matemáticos trabalhando > em um departamento de filosofia com muito pouco ou nenhum interesse em > filosofia. > >>>>> > >>>>> > >>>>> > >>>>> Não há uma resposta fácil para isto no atual modelo de gestão da > academia. Mas a lógica do “que ganhe o melhor e pronto” nao previne isto. > Ou “são as publicações que contam”. Isto talvez funcione para alguns países > de capitalismo central. Mas para um país periférico como o nosso, cheio de > distorções, assimetrias e desequilíbrios de poder e oportunidades, eu não > sei. A candidata selecionada simplesmente por produtividade vai ter > interesse em conseguir bolsas para os alunos e alunas de filosofia? Vai > procurar recursos para a pos de filosofia? Vai se preocupar em ter uma rede > de pesquisa e diálogo com a área e com outros departamentos de filosofia? > >>>>> > >>>>> > >>>>> Eu acho que "ganha quem tem o melhor currículo” ou “quem publica > mais” reforça uma visão individualista e meritocrática que sufoca e sufocou > as universidades nos últimos anos, está adoecendo muita gente e faz a gente > ficar extremamente vulnerável, por exemplo, a ataques de um governo de > extrema direita. Além disso, esta visão é muito nociva para discentes > periféricos que entram na universidade com muitas deficiências. “Que se > contrate quem publica mais” vai perpetuar as distorções com as quais nós, > infelizmente, já nos acostumamos. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Acho importante tentar assegurar que um professor ou professora de > um departamento de filosofia possa orientar alunos e alunas com interesse > em filosofia, possa fomentar e eventualmente defender, sim, a área de > filosofia em um ambiente institucional cada vez mais tecnocrata e hostil às > áreas humanas. Vale sempre lembrar que no Brasil, um professor, num > departamento de filosofia, além de publicar, também deveria ensinar na > filosofia, ter atividade de extensão e projetos na filosofia e ser > eventualmente coordenador da graduação e pos de filosofia. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Vale tb pontuar que eu não concordo com a maneira como concursos > públicos para professores do nível superior são feitas no Brasil. Eu acho > extremamente constrangedor, por exemplo, pela incrível artificialidade, que > a gente tenha que fazer uma prova escrita sem consulta por quatro horas de > um tema sorteado. Em oito anos de docência na universidade eu nunca tive > que fazer algo sequer parecido com isto. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Mas apesar disso, eu realmente acredito que um departamento de > filosofia, e qualquer outro, deve poder decidir, sim, exigências mínimas de > formação para tentar prevenir estrategicamente distorções possíveis. > >>>>> > >>>>> > >>>>> Abraços, > >>>>> Marcos > >>>>> > >>>>> > >>>>> On Thu, Dec 15, 2022 at 2:44 PM Julio Stern <jmst...@hotmail.com> > wrote: > >>>>>> > >>>>>> Caro Cassiano: > >>>>>> Bom dia. > >>>>>> Creio que eh Muito importante em um concurso aferir a capacidade do > candidato para atuar em funcoes que sejam importantes para a instituicao > que o esta potencialmente contratando. > >>>>>> Em uma universidade, isto inclui, necessariamente, >>> (P) > Pesquisa + (E) Ensino + (X) Extensao. > >>>>>> > >>>>>> Como voce me perguntou especificamente sobre o Ensino, faco a > respeito alguns comentarios adicionais. > >>>>>> Creio que o professor que ministra uma disciplina de graduacao ou > pos em uma universidade deva ser capaz orientar seus alunos na area. > >>>>>> De preferencia, ser capaz de orientar uma tese no assunto ou, ao > menos de fornecer boas ideias sobre futuros assuntos de pesquisa, sobre > possiveis orientadores de tese, etc. > >>>>>> Ou seja, ter feito ele mesmo uma disciplina de graduacao no > assunto, no Jardim de Infancia, no Colegio Tecnico, ou na Graduacao em > Filosofia, pouco ou nada contribui para capacita-lo a ensinar Filosofia em > uma universidade. > >>>>>> > >>>>>> Esclareco ainda que estes comentarios nada tem de especial em > relacao a area de Filosofia. > >>>>>> Sou Professor Titular do IME-USP , o Instituto de Matematica e > Estatistica da USP. > >>>>>> Tenho Graduacao em Fisica, um Mestrado em Fisica Matematica, outro > Mestrado em Engenharia Industrial, um Ph.D. em Pesquisa Operacional, e uma > Livre Docencia em Computacao. ... > >>>>>> Voce acha que Pode? Poderia? Deveria ser possivel uma carreira > assim? > >>>>>> Na minha carreira, isto nunca foi impedimento. > >>>>>> > >>>>>> As instituicoes onde trabalhei queriam saber da minha capacidade de: > >>>>>> (P) Produzir Pesquisa de boa qualidade em Algumas de suas areas de > interesse (ressalto que Algumas, Nao Todas, pois isto seria impossivel para > a maioria dos mortais); > >>>>>> (E) Ensinar com propriedade -- enquanto pesquisador nestas areas -- > disciplinas de interesse na instituicao; > >>>>>> (X) Fazer ou participar -- enquanto pesquisador nestas areas -- de > Assessorias, Consultorias, ou outras formas relevantes de Extensao. > >>>>>> Sem falsa modestia, acho que nao as decepcionei, mesmo sem ter > diploma ``bem casado'' (que eh o nome de um docinho muito acucarado e > enjoativo). > >>>>>> > >>>>>> Tudo de bom, ---Julio > >>>>>> > >>>>>> ________________________________ > >>>>>> From: Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com> > >>>>>> Sent: Wednesday, December 14, 2022 10:38 PM > >>>>>> To: Aldo Figallo-Orellano <aldofiga...@gmail.com> > >>>>>> Cc: Julio Stern <jmst...@hotmail.com>; Daniel Durante < > durant...@gmail.com>; Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos < > botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; João > Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com> > >>>>>> Subject: Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica > >>>>>> > >>>>>> Julio, nessa produção, vc inclui tb docência para o jardim da > infância e adolescência ou isso é desprezível? > >>>>>> Se for desprezível, discordo veementemente. Acho q deveria contar e > muito nos concursos, ao contrário do habitual. > >>>>>> Abraços, > >>>>>> cass. > >>>>>> > >>>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:37, Aldo Figallo-Orellano < > aldofiga...@gmail.com> escreveu: > >>>>>> > >>>>>> Concordo plenamente com o professor Stern. > >>>>>> > >>>>>> > >>>>>> > >>>>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:31, Julio Stern <jmst...@hotmail.com> > escreveu: > >>>>>> > >>>>>> Caros: > >>>>>> Para mim, Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e > Graduacao, > >>>>>> pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor > justificativa > >>>>>> em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha > >>>>>> colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo --- eh ridiculo. > >>>>>> Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em > >>>>>> Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao, > >>>>>> Antropologia, Historia, etc., etc., etc. > >>>>>> Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar. > >>>>>> O que interessa eh producao academica, ponto. > >>>>>> Tudo de bom, ---Julio Stern > >>>>>> > >>>>>> ________________________________ > >>>>>> From: logica-l@dimap.ufrn.br <logica-l@dimap.ufrn.br> on behalf of > Daniel Durante <durant...@gmail.com> > >>>>>> Sent: Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM > >>>>>> To: Cassiano Terra Rodrigues <cassiano.te...@gmail.com> > >>>>>> Cc: Lista Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>; Joao Marcos < > botoc...@gmail.com>; joaov...@gmail.com <joaovito...@gmail.com>; João > Daniel Dantas <dantas.joaodan...@gmail.com> > >>>>>> Subject: Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica > >>>>>> > >>>>>> Oi Cassiano, João Daniel e Colegas, > >>>>>> > >>>>>> Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que > alguém que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e > demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, então, > de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu? > >>>>>> > >>>>>> Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a > oportunidade de demonstrar sua capacidade. > >>>>>> > >>>>>> Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não > consiga dar aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a > exigência deveria ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em > filosofia. O curso de bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa > habilidade de seus alunos. > >>>>>> > >>>>>> Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma > aula em nível de graduação. Quem não sabe, não passa. > >>>>>> > >>>>>> Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com > outra graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do > concurso são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai > trabalhar em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se > mude o programa do concurso e inclua pontos “filosóficos". > >>>>>> > >>>>>> Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos > pontos do concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não > consigo ver nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa > exigência de graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma > elaboração criteriosa do programa do concurso. > >>>>>> > >>>>>> Saudações, > >>>>>> Daniel. > >>>>>> ----- > >>>>>> Departamento de Filosofia - (UFRN) > >>>>>> http://danieldurante.weebly.com > >>>>>> > >>>>>> On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues < > cassiano.te...@gmail.com> wrote: > >>>>>> > >>>>>> Camaradas, bons dias. > >>>>>> Como se trata de dar opinião, vou dar a minha, já q sou graduado e > pós graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em > lógica, pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a > disciplina e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo > discente. Estou falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na > UNICAMP era recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por > parte da carga horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita > coisa mudou, não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade > quem está lá. > >>>>>> No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um > contexto mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado" > não surgem do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao > concurso da UnB, o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece > incluir licenciatura e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o > edital todo, mas se for realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em > matemática, engenharia ou direito e licenciatura em filosofia (ou > vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso mesmo, não > vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso pq > acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades brasileiras > inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade no > Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em > teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo, > reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a > realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o > caso. Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram > o contexto da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é > garantia de conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja > abolida também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q > sustenta a universidade como instituição de produção capitalista de > conhecimento (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição > do regime militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um > dado da natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q temos > o q por no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar > a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de > capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um > fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da > interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes > áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo, > não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a > interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é > por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras, > deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à > necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar, > filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No > contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada, > parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas > tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são > esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível > filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de > padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta > querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é > filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim > dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai > uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável > escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a > sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas > públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha > avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal > ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos > vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível, > muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de > seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas > pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por razões > psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está > mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma > coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como > documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q o > seja e acho q poderia ser melhor. > >>>>>> Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar > ao ponto q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados > em qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como > professores, detestavam lecionar. Eu tb não gostava tanto assim de ir às > aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é claro, > tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o > compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do > carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único > curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na > pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma > bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos > noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar > aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a > indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da > função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar essa > mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a bel-prazer. > Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem > diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso > de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da > lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da > disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação > pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia > esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência > pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o > bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido, > pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de > fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e as > licenciaturas não dão conta dessa tarefa. > >>>>>> Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, > pois sem isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado > q para concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada > baste o diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas > cuja única formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência > ou quase isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real, > mas sem imaginar um futuro diferente fica difícil mudar. > >>>>>> > >>>>>> Saudações, > >>>>>> cass. > >>>>>> On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos > wrote: > >>>>>> > >>>>>> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas > relacionados a filosofia da lógica em um concurso para um departamento de > filosofia. > >>>>>> > >>>>>> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas > >>>>>> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi > >>>>>> levantada por João Ferrari. > >>>>>> > >>>>>> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre > >>>>>> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread > >>>>>> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual > >>>>>> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e > Carlos > >>>>>> Gonzalez: > >>>>>> > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ > >>>>>> > >>>>>> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos > >>>>>> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já > >>>>>> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso > >>>>>> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me > >>>>>> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para > >>>>>> dar continuidade a este diálogo.) > >>>>>> > >>>>>> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não > necessariamente sabe sobre como fazer filosofia. Independente da graduação. > >>>>>> > >>>>>> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso, > >>>>>> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer > filosofia"? > >>>>>> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão > >>>>>> original desta thread.) > >>>>>> > >>>>>> []s, JM > >>>>>> > >>>>>> > >>>>>> -- > >>>>>> LOGICA-L > >>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área > de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> > >>>>>> --- > >>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > >>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails > dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > >>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com > . > >>>>>> > >>>>>> -- > >>>>>> LOGICA-L > >>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área > de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> > >>>>>> --- > >>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > >>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails > dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > >>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143156332549DF573A906F9FB6E09%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM > . > >>>>>> > >>>>>> -- > >>>>>> LOGICA-L > >>>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área > de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> > >>>>>> --- > >>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > >>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails > dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > >>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143122D397D8556BB1E59681B6E19%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM > . > >>>>> > >>>>> > >>>>> > >>>>> -- > >>>>> Marcos Silva (UFPE/CNPq) > >>>>> Philosophy Department > >>>>> Federal University of Pernambuco, Brazil > >>>>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE) > >>>>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica > >>>>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy > >>>>> "amar e mudar as coisas me interessa mais" > >>> > >>> > >>> > >>> -- > >>> Marcos Silva (UFPE/CNPq) > >>> Philosophy Department > >>> Federal University of Pernambuco, Brazil > >>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE) > >>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica > >>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy > >>> "amar e mudar as coisas me interessa mais" > > > > > > > > -- > > Marcos Silva (UFPE/CNPq) > > Philosophy Department > > Federal University of Pernambuco, Brazil > > Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE) > > Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica > > https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy > > "amar e mudar as coisas me interessa mais" > > > > -- > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > -- Marcos Silva (UFPE/CNPq) Philosophy Department Federal University of Pernambuco, Brazil Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy "amar e mudar as coisas me interessa mais" -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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