Tony OK, mas seja como for, na presente data seria meio estranho alguém não ter uma ideia razoavelmente precisa do que seja a lógica clássica. Mas será que temos? Isso é um tema de filosofia da lógica e você tem razão em dizer que é delicado e precisa ser estudado em cursos mais avançados. No início, é no braço mesmo, para aprender a fazer, e aos poucos as coisas vão (espera-se) entrando.. Abraço D
________________________________ Décio Krause Departamento de Filosofia Universidade Federal de Santa Catarina 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil deciokrause[at]gmail.com www.cfh.ufsc.br/~dkrause ________________________________ Em 18/03/2013, às 20:51, Tony Marmo escreveu: > Caro Professor, > > Mas, sem querer ser insistente, qual é a lógica de ensinar uma lógica com a > qual não se trabalha e com um punhado de coisas para as quais não há plano de > pesquisa. O conceito de ensino superior é justamente aquele em que não > somente se ensina para além do ensino secundário, mas que casa a pesquisa com > o ensino. > > Eu já não sei por que razões, ademais, a lógica clássica precisa ser > aprendida além de uma tradição. Em outro post vimos que Aristóteles não > somente conhecia mas excluía da sua lógica o princípio de pseudo-Scottus. Ele > diz e mostra que modalmente as contradições só geram contingências e em > primeira ordem só geram absurdos. A lógica clássica atual incorpora esse > princípio porque foi derivada do esforço dos lógicos medievais de > reconstituir a lógica aristotélica, à qual eles não acediam totalmente por > falta de textos e traduções. Só vale a pena estudar essa lógica clássica > moderna mais adiante a partir de um ponto de vista crítico. > > Em 17 de março de 2013 03:11, Decio Krause <[email protected]> escreveu: > Tony > Acho que, no presente momento (isso pode mudar em 100, 200 anos), > independentemente de onde se esteja e do que façam nos departamentos, deve-se > sim começar os estudos de lógica pela clássica. Isso é a que mais aparece, e > precisa ser conhecida. Agora se em um certo local há muito trabalho, digamos, > em lógica relevante, nada obsta (puxa!) que de dêem algumas pinceladas no > assunto, até para motivar os alunos e angariar futuros estudantes. Mas não > vejo como fugir do velho cálculo proposicional clássico e do cálculo de > predicados clássico. Agora, como fazer isso é questão de gosto. Eu > particularmente acho que estudantes de filosofia devem saber o que é o método > axiomático e como usá-lo. Por isso, se não tiver tempo, opto por uma coisa > "ao estilo Hilbert". Mas, se há chance, claro que uma dedução natural cai bem > e mesmo os tableaux de algum jeito. Mas depende. O bacana seria chamar os > alunos para outros papos extra-aula, e isso sim faria com que tivéssemos > universidades. Mas, com a quantidade de aulas e de outras tarefas que > temos.... > Para um excelente curso inicial de LC, veja o livro de P. Suppes e S. Hill, A > first course in mathematical logic. Dá para baixar a versão espanhola em > djvu. Bom para filósofos e outros cursos não tão "matemáticos". > Abraço > D > > ________________________________ > Décio Krause > Departamento de Filosofia > Universidade Federal de Santa Catarina > 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil > deciokrause[at]gmail.com > www.cfh.ufsc.br/~dkrause > ________________________________ > > > > > > > > Em 12/03/2013, às 16:25, Tony Marmo escreveu: > >> Aos dois grandes mestres, >> >> 1. A parte da experiência de ensinar matemática é real: muitas vezes quem >> vai ensinar não sabe ensinar. Talvez mesmo desconheça a matéria, mas isso já >> é o pior dos casos. Normalmente, os professores começam sem avaliar em que >> nível os alunos estão e não pensam que o principal é que os alunos saiam >> melhor do que entraram. Acham que os alunos têm uma meta X para alcançar, >> digamos, K% de um conteúdo C. No caso de matemática, existe o problema comum >> do aluno aprender e o professor não conseguir entender que o aluno aprendeu, >> porque não sabe avaliar. Nessa entra o mito do ensino tradicional de que >> professor bom é o que reprova, o que dá prova difícil, etc., tudo parte >> dessas teses educacionais que não funcionam. >> >> 2. A parte da lógica por onde começar, para mim é óbvio: pelas questões com >> as quais os grupos de lógicos em determinada instituição estão trabalhando. >> Não faz sentido começar com o cálculo proposicional clássico ou >> intuicionista num lugar que, por exemplo, se destaca por estudar ou enfatiza >> o estudo de lógica difusa, ou lógica paraconsistente, etc Como lógica não é >> ensinada antes da faculdade, em filosofia é apenas um capítulo do ensino >> médio, não faz sentido senão casar o ensino com a pesquisa. >> >> Em 12 de março de 2013 15:34, Décio Krause <[email protected]> escreveu: >> Marcelo >> Não é do seu tempo, mas eu fui educado na "matemática moderna". Depois, eu >> li muito sobre o assunto e para mim transpareceu o que relata: professores >> não adaptados. Eles simplesmente não sabiam do que se tratava. Certo que >> houve abusos, mas o problema era essencialmente esse. O mesmo deve ocorrer >> com a teoria de categorias, como aponta você. Quem iria ensinar? >> Se impantassem isso, ia sair m*. Sorry. >> Abraço >> D >> >> >> >> ------------------------------------------------------ >> Décio Krause >> Departamento de Filosofia >> Universidade Federal de Santa Catarina >> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil >> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause >> ------------------------------------------------------ >> >> Em 12/03/2013, às 11:53, Marcelo Finger <[email protected]> escreveu: >> >>> 2013/3/12 Decio Krause <[email protected]> >>> Lembre que Lawvere sugere que se se ensine matemática via categorias. Por >>> que não? >>> >>> Porque não há professore(a)s que saibam a matéria para ensinar. >>> >>> O problema não é ensinar lógica clássica/não-clássica. O problema é que >>> quem ensina não entende patavinas de lógica e, pior, não entende sobre como >>> ensinar lógica. >>> >>> IMHO, bons professores de lógica proposicional clássica resolveriam o >>> problema. >>> >>> []s >>> >>> >>> >>> Abraço >>> Décio >>> >>> ________________________________ >>> Décio Krause >>> Departamento de Filosofia >>> Universidade Federal de Santa Catarina >>> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil >>> deciokrause[at]gmail.com >>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause >>> ________________________________ >>> >>> >>> >>> >>> >>> >>> >>> Em 11/03/2013, às 11:17, Tony Marmo escreveu: >>> >>> > Caro Professor Décio, >>> > >>> > Aproveitando essa discussão, pergunto: não é esse tipo de dúvida mais uma >>> > prova de que já é o tempo de começar o ensino da lógica não mais pela >>> > lógica clássica? >>> > >>> > Em 10 de março de 2013 23:12, Décio Krause <[email protected]> >>> > escreveu: >>> > Oi, Luiz >>> > Sim, concordo plenamente que de P podemos inferir P na maioria dos >>> > casos, mas em algumas lógicas isso não vale. O seu critèrio de P é >>> > verdadeiro sse ~P é falso traz outro problema: o da verdade e da >>> > falsidade. Nos cursos iniciais de Lógica, isso tudo é tomado >>> > intuitivamente, mas uma discussão mais detalhada aponta os problemas. >>> > Outra coisa. Você colocou uma boa questão sobre a possibilidade de haver >>> > argumentos que são falaciosos tout court. Isso depende do que chama se >>> > argumento e como eu disse na mensagem anterior, não há uma definição >>> > precisa disso. Mas suponha que você elabore um argumento A. Invente agora >>> > uma lögica que tenha A como regra de inferência. Pronto, ele é válido. >>> > Mas você tem razão em dizer que precisamos pensar mais sobre o assunto. >>> > Abraço >>> > Décio >>> > >>> > >>> > >>> > ------------------------------------------------------ >>> > Décio Krause >>> > Departamento de Filosofia >>> > Universidade Federal de Santa Catarina >>> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil >>> > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause >>> > ------------------------------------------------------ >>> > >>> > Em 10/03/2013, às 21:35, Luis Rosa <[email protected]> escreveu: >>> > >>> > > Caro Decio, muito obrigado pelos comentarios (desculpe a falta de >>> > > acentos). >>> > > >>> > > Sobre a negacao no argumento falacioso, infelizmente nao tenho >>> > > conhecimento sobre o 'nao' intuicionista e paraconsistente e, portanto, >>> > > nao tenho uma resposta para lhe dar. Acredito que a definicao >>> > > extensional de '~' nos argumentos falaciosos apresentados seja essa: ~P >>> > > tem valor true sse P tem valor false. >>> > > >>> > > Interessante observar que padroes de derivacao outrora validos em um >>> > > determinado sistema sao invalidos em outros - nao havia considerado >>> > > isso. Nao sera o caso que alguns padroes de derivacao sao falaciosos em >>> > > todos os sistemas? Ha como provar isso? Em particular, ha algum sistema >>> > > em que (LOE) seria valido? Preciso pensar sobre o assunto. >>> > > >>> > > E sim, nao vejo impedimento em classificar como argumento algo como: >>> > > >>> > > (1) P >>> > > (2) Portanto, P (from 1) >>> > > >>> > > Certamente o imperativo 'defina seus termos' precisa ser observado. >>> > > >>> > > Thanks, >>> > > LR >>> > > >>> > > -- >>> > > Luis Rosa >>> > > @fsopho // prof // lattes >>> > > FsOpHo Epistemology Blog >>> > > Blog Distropia >>> > > Greek van Peixe - Gamer Rock >>> > > >>> > _______________________________________________ >>> > Logica-l mailing list >>> > [email protected] >>> > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>> > >>> >>> _______________________________________________ >>> Logica-l mailing list >>> [email protected] >>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>> >>> >>> >>> >>> -- >>> Marcelo Finger >>> Department of Computer Science, Cornell University >>> >>> on leave from: >>> Departament of Computer Science, IME >>> University of Sao Paulo >>> http://www.ime.usp.br/~mfinger >> > > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
