Tony Acho que, no presente momento (isso pode mudar em 100, 200 anos), independentemente de onde se esteja e do que façam nos departamentos, deve-se sim começar os estudos de lógica pela clássica. Isso é a que mais aparece, e precisa ser conhecida. Agora se em um certo local há muito trabalho, digamos, em lógica relevante, nada obsta (puxa!) que de dêem algumas pinceladas no assunto, até para motivar os alunos e angariar futuros estudantes. Mas não vejo como fugir do velho cálculo proposicional clássico e do cálculo de predicados clássico. Agora, como fazer isso é questão de gosto. Eu particularmente acho que estudantes de filosofia devem saber o que é o método axiomático e como usá-lo. Por isso, se não tiver tempo, opto por uma coisa "ao estilo Hilbert". Mas, se há chance, claro que uma dedução natural cai bem e mesmo os tableaux de algum jeito. Mas depende. O bacana seria chamar os alunos para outros papos extra-aula, e isso sim faria com que tivéssemos universidades. Mas, com a quantidade de aulas e de outras tarefas que temos.... Para um excelente curso inicial de LC, veja o livro de P. Suppes e S. Hill, A first course in mathematical logic. Dá para baixar a versão espanhola em djvu. Bom para filósofos e outros cursos não tão "matemáticos". Abraço D
________________________________ Décio Krause Departamento de Filosofia Universidade Federal de Santa Catarina 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil deciokrause[at]gmail.com www.cfh.ufsc.br/~dkrause ________________________________ Em 12/03/2013, às 16:25, Tony Marmo escreveu: > Aos dois grandes mestres, > > 1. A parte da experiência de ensinar matemática é real: muitas vezes quem vai > ensinar não sabe ensinar. Talvez mesmo desconheça a matéria, mas isso já é o > pior dos casos. Normalmente, os professores começam sem avaliar em que nível > os alunos estão e não pensam que o principal é que os alunos saiam melhor do > que entraram. Acham que os alunos têm uma meta X para alcançar, digamos, K% > de um conteúdo C. No caso de matemática, existe o problema comum do aluno > aprender e o professor não conseguir entender que o aluno aprendeu, porque > não sabe avaliar. Nessa entra o mito do ensino tradicional de que professor > bom é o que reprova, o que dá prova difícil, etc., tudo parte dessas teses > educacionais que não funcionam. > > 2. A parte da lógica por onde começar, para mim é óbvio: pelas questões com > as quais os grupos de lógicos em determinada instituição estão trabalhando. > Não faz sentido começar com o cálculo proposicional clássico ou intuicionista > num lugar que, por exemplo, se destaca por estudar ou enfatiza o estudo de > lógica difusa, ou lógica paraconsistente, etc Como lógica não é ensinada > antes da faculdade, em filosofia é apenas um capítulo do ensino médio, não > faz sentido senão casar o ensino com a pesquisa. > > Em 12 de março de 2013 15:34, Décio Krause <[email protected]> escreveu: > Marcelo > Não é do seu tempo, mas eu fui educado na "matemática moderna". Depois, eu li > muito sobre o assunto e para mim transpareceu o que relata: professores não > adaptados. Eles simplesmente não sabiam do que se tratava. Certo que houve > abusos, mas o problema era essencialmente esse. O mesmo deve ocorrer com a > teoria de categorias, como aponta você. Quem iria ensinar? > Se impantassem isso, ia sair m*. Sorry. > Abraço > D > > > > ------------------------------------------------------ > Décio Krause > Departamento de Filosofia > Universidade Federal de Santa Catarina > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause > ------------------------------------------------------ > > Em 12/03/2013, às 11:53, Marcelo Finger <[email protected]> escreveu: > >> 2013/3/12 Decio Krause <[email protected]> >> Lembre que Lawvere sugere que se se ensine matemática via categorias. Por >> que não? >> >> Porque não há professore(a)s que saibam a matéria para ensinar. >> >> O problema não é ensinar lógica clássica/não-clássica. O problema é que >> quem ensina não entende patavinas de lógica e, pior, não entende sobre como >> ensinar lógica. >> >> IMHO, bons professores de lógica proposicional clássica resolveriam o >> problema. >> >> []s >> >> >> >> Abraço >> Décio >> >> ________________________________ >> Décio Krause >> Departamento de Filosofia >> Universidade Federal de Santa Catarina >> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil >> deciokrause[at]gmail.com >> www.cfh.ufsc.br/~dkrause >> ________________________________ >> >> >> >> >> >> >> >> Em 11/03/2013, às 11:17, Tony Marmo escreveu: >> >> > Caro Professor Décio, >> > >> > Aproveitando essa discussão, pergunto: não é esse tipo de dúvida mais uma >> > prova de que já é o tempo de começar o ensino da lógica não mais pela >> > lógica clássica? >> > >> > Em 10 de março de 2013 23:12, Décio Krause <[email protected]> >> > escreveu: >> > Oi, Luiz >> > Sim, concordo plenamente que de P podemos inferir P na maioria dos casos, >> > mas em algumas lógicas isso não vale. O seu critèrio de P é verdadeiro sse >> > ~P é falso traz outro problema: o da verdade e da falsidade. Nos cursos >> > iniciais de Lógica, isso tudo é tomado intuitivamente, mas uma discussão >> > mais detalhada aponta os problemas. >> > Outra coisa. Você colocou uma boa questão sobre a possibilidade de haver >> > argumentos que são falaciosos tout court. Isso depende do que chama se >> > argumento e como eu disse na mensagem anterior, não há uma definição >> > precisa disso. Mas suponha que você elabore um argumento A. Invente agora >> > uma lögica que tenha A como regra de inferência. Pronto, ele é válido. Mas >> > você tem razão em dizer que precisamos pensar mais sobre o assunto. >> > Abraço >> > Décio >> > >> > >> > >> > ------------------------------------------------------ >> > Décio Krause >> > Departamento de Filosofia >> > Universidade Federal de Santa Catarina >> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil >> > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause >> > ------------------------------------------------------ >> > >> > Em 10/03/2013, às 21:35, Luis Rosa <[email protected]> escreveu: >> > >> > > Caro Decio, muito obrigado pelos comentarios (desculpe a falta de >> > > acentos). >> > > >> > > Sobre a negacao no argumento falacioso, infelizmente nao tenho >> > > conhecimento sobre o 'nao' intuicionista e paraconsistente e, portanto, >> > > nao tenho uma resposta para lhe dar. Acredito que a definicao >> > > extensional de '~' nos argumentos falaciosos apresentados seja essa: ~P >> > > tem valor true sse P tem valor false. >> > > >> > > Interessante observar que padroes de derivacao outrora validos em um >> > > determinado sistema sao invalidos em outros - nao havia considerado >> > > isso. Nao sera o caso que alguns padroes de derivacao sao falaciosos em >> > > todos os sistemas? Ha como provar isso? Em particular, ha algum sistema >> > > em que (LOE) seria valido? Preciso pensar sobre o assunto. >> > > >> > > E sim, nao vejo impedimento em classificar como argumento algo como: >> > > >> > > (1) P >> > > (2) Portanto, P (from 1) >> > > >> > > Certamente o imperativo 'defina seus termos' precisa ser observado. >> > > >> > > Thanks, >> > > LR >> > > >> > > -- >> > > Luis Rosa >> > > @fsopho // prof // lattes >> > > FsOpHo Epistemology Blog >> > > Blog Distropia >> > > Greek van Peixe - Gamer Rock >> > > >> > _______________________________________________ >> > Logica-l mailing list >> > [email protected] >> > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> >> >> >> >> -- >> Marcelo Finger >> Department of Computer Science, Cornell University >> >> on leave from: >> Departament of Computer Science, IME >> University of Sao Paulo >> http://www.ime.usp.br/~mfinger > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
