Olá, Walter:

Agradeço pelo esforço de apoio na clarificação.

Você tem razão em dizer que muitas vezes a noção de consequência
prescinde de uma sintaxe bem definida.  No entanto, quase sempre esta
sintaxe pode ser (sub)entendida como a *álgebra dos termos* da
linguagem subjacente --- no sentido canônico em que isto é definido em
Álgebra Universal.  É muito claramente isto o que acontece, por
exemplo, nas "abstract consequence relations" particulares que você
citou, todas normalmente definidas sobre linguagens particulares
(mesmo que arbitrárias).  Sobre tais "termos sintáticos", nestes
casos, se define a noção de *consequência* (ela tinha que se definir
sobre _alguma coisa_, não é?).

Em nenhum dos casos citados ou não-citados a terminologia
"consequência sintática" parece fazer qualquer sentido sem
esclarecimentos adicionais.  O objetivo da discussão anterior era
exatamente este: se falarmos em construção da linguagem, falaremos em
Sintaxe; se falarmos em consequência, falaremos em Lógica.  As duas
coisas são bonitas e interessantes, e em algum momento da história
recente foram confundidas (falava-se até em Sintaxe Lógica do Mundo).
Hoje não parece produtivo, contudo, insistir na confusão.

Abraços,
Joao Marcos


2011/11/15 Walter Carnielli <[email protected]>:
> Caro João:
> sorry, talvez eu de fato  (na tentativa de  simplificar  demais)
> tenha  lhe atribuido  palavras  nao disse, e representado mal sua
> intençao;Fica aqui sua clarificação.
> No entanto, talvez  eu tenha a  obrigação de  tentar esclarecer  a
> razão pela qual a  discussão me parece correta, mas   quase uma
> "trivialidade" (sem a   mínima   intenção  de ofender  ninguém,
> please!!)
>
> Voce diz""  O que eu mostrei, em uma longa discussão coletiva, foi que
> a terminologia"consequência sintática" não faz sentido. "
> Mas  é claro que não faz, a menos que alguém *queira * se referir   a
> uma linguagem , com regras  fixadas, etc.O que parece fazer  sentido é
>  então  se referir, por exemplo,  à  "consequência sintática  para a
> lógica  proposicional intuicionista
>   na  linguagem L com regras R" , etc.
>
> Parece claro que, se a  sintaxe é um  pressuposto linguístico de
> qualquer sistema formal, não é um pressuposto para a  lógica.
> Exemplos:
>
> 1) A "lógica das   observações  finitas"que dá de   fato uma relação
> de consequência sem sintaxe  (no sentido de  uma linguagem) e
> tem uma relação intima com os " rough sets" .
> i) Topology via logic.  S. Vickers   Cambridge University Press, 1996
>
> ii)  Formal Topology and Information SystemsPiero Pagliani e   Mihir
> K. Chakraborty.TRANSACTIONS ON ROUGH SETS VILecture Notes in Computer
> Science, 2007, Volume 4374/2007, 253-297
>
> 2)  Existem também os "information systems  "que definem  uma forma
> abstrata de  "relação de consequência", Information systems
> theoretical foundationsZ. Pawlak.  Information SystemsVolume 6, Issue
> 3, 1981, Pages 205-218doi:10.1016/0306-4379(81)90023-5
>
> 3)  Há ainda as  coisas de  Magidor  e Cia.   que investigam  de
> maneira  geral (até não monotônica) as "abstract consequence
> relations";  talvez um  bom " overview"seja o artigo  do nosso amigo
> Makinson,
> Makinson D. [1994], General Patterns in Nonmonotonic Reasoning, in D.
> Gabbay, C. Hoggerand J. Robinson, eds, ‘Handbook of Logic in
> Artificial Intelligence and Logic ProgrammingVol. 3, Nonmonotonic and
> Uncertain Reasoning’, Oxford University Press, chapter 3, pp. 35–110.
>  Como muita gente deve saber, estamos (muitos de  nós)  envolvidos  no
>  Projeto Temático  LogCons sobre  "lógica e  relações de consequência"
>  e   o tema  interessa a  muita gente,
> abs,
>
> Walter
> Em 14 de novembro de 2011 12:12, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
>>> Além do mais, me  parece  que temos que levar em conta  o uso pelos 
>>> lusitanos-
>>> se é que  qevemos  levar  a  sério  a lusofonia-- e este usam "
>>> enquadramento". E  usam  "  "martelo sintático"  e  " martelo
>>> semântico"  para  aqueles conhecidos  'turnstile'  (cuja dstinção deve
>>> ser  banida, conforme prega o João Marcos  (Johnny Frames :-) ?)
>>
>> Eu nunca "preguei" nada nem parecido com isso, Walter.  O que eu
>> mostrei, em uma longa discussão coletiva, foi que a terminologia
>> "consequência sintática" não faz sentido.  Não deixam por isso de
>> existir, como é óbvio, diferentes *noções de consequência*, definidas
>> por sistemas dedutivos, por semânticas etc.  Mas é preciso saber
>> distinguir a Sintaxe da Teoria das Demonstrações.  A Sintaxe é um
>> pressuposto linguístico de qualquer sistema formal.  Uma vez
>> construída uma Linguagem, sintaticamente, há diversas maneiras de
>> associar a ela uma noção de consequência.  Podemos por exemplo pensar
>> nas noções de consequência da *lógica clássica* e da *lógica
>> intuicionista* como definidas sobre uma mesma sintaxe.  E podemos
>> trabalhar com qualquer uma destas lógicas, certamente sem
>> identificá-las, usando instrumentos semânticos, demonstracionais,
>> algébricos, categóricos, dialógicos etc.
>>
>> Como você mesmo disse antes, é quase uma "trivialidade" o que eu estou
>> apontando.  Mas aqui você infelizmente representou mal toda a
>> esclarecedora discussão que tivemos antes, afirmando que eu disse algo
>> que eu não poderia ter dito...
>>
>> O equívoco de se falar em "consequência sintático" não tem nada a ver
>> com a língua portuguesa, e pode ser encontrado em muitas partes de uma
>> certa literatura que ainda sobrevive por aí --- mas que vai morrer.
>> Provavelmente isto acontece porque as pessoas que usam esta
>> terminologia a usam por mero _costume_, e nunca pararam realmente para
>> analisar ou rever a _adequação_ de seus hábitos linguísticos.
>>
>> Abraços,
>> Joao Marcos
>>
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> Prof. Dr. Walter Carnielli
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> Fax: (+55) (19) 3289-3269
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